Astronomia

DART: a sonda que bateu num asteroide e encurtou a órbita dele em cerca de 33 minutos

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Em 26 de setembro de 2022, a sonda DART, da NASA, colidiu de propósito com Dimorphos, um asteroide de cerca de 160 metros que orbita o maior Didymos. A órbita de Dimorphos ficou cerca de 33 minutos mais curta. Foi a primeira vez que a humanidade mudou o movimento de um corpo celeste e mediu o resultado. O efeito foi muito maior que o mínimo exigido pela missão, de 73 segundos.

Didymos e Dimorphos formam um sistema binário de asteroides próximo da Terra, sem risco de colisão com ela, o que o tornou um alvo seguro para o teste. A DART foi lançada em novembro de 2021 e atingiu Dimorphos a cerca de 22 mil km/h. Antes do impacto, Dimorphos completava uma volta em torno de Didymos em 11 h 55 min. Depois, em cerca de 11 h 23 min. A NASA tinha definido como sucesso mínimo uma mudança de 73 segundos. A medida final, publicada na revista Nature em março de 2023, ficou em 33,0 minutos, com margem de 1,0 minuto. A conta simples, sem contar o material arrancado do asteroide, previa mudança de cerca de 7 minutos.

O material arrancado empurrou mais que a sonda

A diferença entre 7 e 33 minutos vem da ejeção: o material lançado da superfície de Dimorphos funcionou como um jato e deu um empurrão extra. Com a densidade nominal adotada, o ganho de momento (beta) foi de cerca de 3,6.

Por que Didymos foi o alvo

Didymos e Dimorphos são um sistema binário próximo da Terra, e nenhum dos dois ameaça o planeta. Em um sistema duplo, a mudança na órbita da lua pode ser medida da Terra pelo brilho do par, sem precisar de uma sonda no local. Isso permitiu medir o resultado do impacto com telescópios e radar.

O mínimo exigido e o resultado

A NASA havia definido que a missão seria um sucesso se o período orbital mudasse pelo menos 73 segundos. A mudança medida foi de cerca de 33 minutos, muito acima disso. A comunicação inicial falava em 32 minutos; a análise publicada na Nature refinou o valor para 33,0 minutos, com margem de 1,0 minuto.

Por que a ejeção importa

O beta mede quantas vezes o empurrão total supera o momento da própria sonda. Com valor acima de 1, o material ejetado reforça o efeito. Para a defesa planetária, um beta maior permite desviar um asteroide com menos aviso, ou um corpo maior com o mesmo aviso. O valor exato depende da densidade de Dimorphos, ainda incerta.

Hera: a missão que volta ao local

A sonda Hera, da Agência Espacial Europeia, foi lançada em 7 de outubro de 2024 e deve chegar ao sistema em novembro de 2026. Ela vai estudar Dimorphos de perto, incluindo a cratera e a massa dele. A meta declarada é transformar o experimento em uma técnica de defesa bem compreendida e repetível.

Como sabemos

Valores centrais vêm do artigo revisado por pares na Nature e de comunicados oficiais da NASA e da ESA.

Fontes

  1. Nature / PubMed Central — Momentum transfer from the DART mission kinetic impact on asteroid Dimorphos
    consultada em 06/10/2026
  2. Carnegie Science — Orbital period change of Dimorphos due to the DART kinetic impact
    consultada em 06/10/2026
  3. NASA — DART: Double Asteroid Redirection Test
    consultada em 06/10/2026
  4. NASA — NASA confirms DART mission impact changed asteroid motion in space
    consultada em 06/10/2026
  5. ESA — Hera
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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