Ecologia

Cerca de 200 milhões de montes de cupim cobrem parte do semiárido brasileiro e podem ter até 4.000 anos

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Os seis biomas do Brasil

Pesquisadores descreveram em 2018 uma rede de cerca de 200 milhões de montes cônicos de terra no Nordeste do Brasil, cada um com cerca de 2,5 m de altura e 9 m de diâmetro. Eles seriam obra do cupim Syntermes dirus, ocupariam uma área estimada em 230 mil km² e teriam até 4.000 anos. Não são ninhos: são o descarte da terra de túneis subterrâneos.

Cupinzeiros costumam ser pensados como ninhos. Estes, não: segundo o estudo, o cupim Syntermes dirus cava redes de túneis para alcançar a folhagem que cai de modo irregular na floresta seca e deposita a terra escavada na superfície, formando montes cônicos. Somados, são cerca de 10 km³ de solo. O padrão chamou atenção por ser regular, com montes espaçados de modo parecido por centenas de milhares de km², e por existir numa região de clima estável e pouco alterada. A espécie ainda vive no solo ao redor dos montes. O relato é de 2018 e tem como base o trabalho de campo do biólogo Roy Funch, da Universidade Estadual de Feira de Santana (Bahia), que já havia mapeado os montes em imagens de satélite abertas.

Montes que não são ninhos

A terra dos montes sai de túneis que os cupins escavam para chegar à folhagem caída. O estudo descreve os montes como depósito de descarte, e os cupins ainda ocupam o solo ao redor deles.

Como o padrão foi percebido e confirmado

Os montes aparecem em imagens de satélite de acesso aberto como pontos regularmente espaçados em áreas extensas do semiárido do Nordeste, e foi assim que Funch os mapeou em 2015. O estudo de 2018 acrescenta observações de campo: a espécie construtora, Syntermes dirus, foi encontrada no solo ao redor dos montes, e testes de agressão indicaram que cupins se tratam como rivais numa escala maior que a de um monte. O número total de montes é uma extrapolação, não uma contagem de cada um.

Quanto tempo têm e como a idade foi obtida

O resumo do estudo fala em montes que persistem por "até 4000 anos", mas não descreve o método. A pauta original citava datação por carbono; isso não pôde ser confirmado em fonte aberta e não é afirmado aqui. A idade é o limite superior do conjunto, e não a idade de cada monte. Como a espécie ainda vive ali, a ideia de ocupação contínua é coerente com os dados, mas os resumos lidos não detalham amostras nem margens de erro.

Por que o espaçamento é tão regular

A hipótese dos autores liga o padrão aos túneis: para alcançar a folhagem que cai de modo episódico, os cupins escavam redes extensas, e a terra retirada precisa ir para algum lugar. Com o tempo, o descarte teria se distribuído de forma otimizada, produzindo montes de espaçamento parecido. É uma hipótese, não um resultado demonstrado. Um comentário na mesma revista pergunta se o caso ajuda a entender padrões espaciais em outras escalas.

Como sabemos

Números e hipótese vêm de resumos de dois artigos e de um comentário; o método de datação não pôde ser lido em fonte aberta.

Fontes

  1. Current Biology — A vast 4,000-year-old spatial pattern of termite mounds
    Martin, S. J.; Funch, R. R.; Hanson, P. R.; Yoo, E.-H. · 2018 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1016/j.cub.2018.09.061
  2. Journal of Arid Environments — Termite mounds as dominant land forms in semiarid northeastern Brazil
    Funch, R. R. · 2015 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1016/j.jaridenv.2015.05.010
  3. Current Biology — Ecology: Termite Patterning at Multiple Scales
    Tarnita, C. E. · 2018 · Divulgação científica · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1016/j.cub.2018.10.058
  4. Embrapa, Agência de Informação Tecnológica — Bioma Caatinga
    Embrapa · s.d. · Documento institucional · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 7; conferência de trechos automatizada)

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