Biologia

Há cerca de 31 milhões de anos, cupins africanos aprenderam a cultivar fungos

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Os cupins da subfamília Macrotermitinae, da África e da Ásia, não digerem sozinhos a madeira e a palha que coletam. Eles as transformam em um jardim: uma massa porosa, o favo, onde cresce o fungo Termitomyces. A relação é obrigatória, sem registro de que esses cupins tenham trocado de fungo ou abandonado o cultivo. Estimativas moleculares calibradas por fósseis colocam a origem dessa agricultura em cerca de 31 milhões de anos atrás.

O cupim coleta plantas fora do ninho e as leva ao jardim. Nele, o fungo converte material vegetal pobre em nitrogênio e difícil de digerir em alimento mais fácil de aproveitar e rico em proteína. Os operários semeiam o favo com pelotas fecais, as mielosferas, feitas de fragmentos vegetais e esporos. Em algumas savanas semiáridas, mais de 90% da madeira seca é reprocessada por esses cupins. Fósseis de ninhos de cerca de 25 milhões de anos, achados na Tanzânia, preservam favos dentro das câmaras. Para os autores, isso sustenta uma origem africana da agricultura de insetos. As formigas cortadeiras da América desenvolveram a sua de forma independente.

Cogumelos no topo do cupinzeiro

Quando o jardim amadurece, o fungo forma cogumelos grandes que surgem uma vez por ano sobre o cupinzeiro. Em colônias analisadas em laboratório, cada ninho abrigava um único genótipo de fungo, mesmo quando o cultivo começou com esporos de vários tipos.

O favo como estômago externo

O favo é uma estrutura de material vegetal parcialmente digerido, mantida pelos cupins como cultura de um único fungo. O Termitomyces degrada o substrato, e os cupins fornecem planta, proteção e condições ideais. O resultado é uma degradação quase completa de substratos vegetais variados, com o fungo funcionando como parte do sistema digestivo da colônia.

Como o jardim começa

Uma colônia nova começa com o casal real, que cria os primeiros operários. Eles coletam esporos do ambiente ao forragear e os misturam ao material vegetal ao defecar, formando o substrato do jardim. Nos ninhos estudados, cada colônia mantinha uma monocultura de uma espécie de fungo, algo que a teoria evolutiva previa ser instável.

Clima sob medida

O fungo cresce melhor perto de 29 a 30 °C e em umidade quase saturada. No Quênia, mostrou-se que a arquitetura do cupinzeiro regula a temperatura: ninhos grandes com muitos canais abertos ficaram mais frescos que ninhos fechados. Na Costa do Marfim, o CO2 interno do ninho chegou a cerca de 4,15%, cerca de cem vezes o do ar.

Duas agriculturas independentes

As formigas cortadeiras da América e os cupins da África e da Ásia chegaram ao cultivo de fungos por caminhos separados. Os cupins têm fósseis de ninhos com jardim de cerca de 25 milhões de anos; para as formigas, a evidência fóssil mais antiga é bem mais recente, enquanto o relógio molecular aponta idades muito maiores. A comparação mostra convergência, não parentesco.

Como sabemos

Os fatos centrais vêm de um artigo de revisão paleontológica e de estudos de campo abertos; a idade de 31 milhões de anos é apresentada como estimativa.

Fontes

  1. PLOS ONE — Oligocene Termite Nests with In Situ Fungus Gardens from the Rukwa Rift Basin, Tanzania, Support a Paleogene African Origin for Insect Agriculture
    consultada em 06/10/2026
  2. ScienceDaily (comunicado da Universidade de Copenhague) — Termites create sustainable monoculture fungus farming
    consultada em 06/10/2026
  3. PeerJ — Termite mound architecture regulates nest temperature and correlates with species identities of symbiotic fungi
    consultada em 06/10/2026
  4. Frontiers in Ecology and Evolution — Fungus-growing termites and their symbiosis (Macrotermes bellicosus, Costa do Marfim)
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 5 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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