Física

Por que o mar fundo fica azul e depois escuro: a água absorve as cores em ordem e o Sol some perto de 1.000 m

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Mar profundo

A água do mar absorve as cores da luz do Sol em ordem: vermelho, laranja e amarelo somem primeiro, e o azul, o menos absorvido, chega mais longe. Por isso o mar fundo parece azul e, abaixo de cerca de 200 m, escurece: sobra pouca luz para a fotossíntese. A NOAA registra luz detectável até cerca de 1.000 m; daí para baixo é escuridão.

A luz branca do Sol é uma mistura de comprimentos de onda; a fotossíntese marinha usa a faixa de 400 a 700 nm. Ao entrar na água, cada comprimento de onda é absorvido num ritmo próprio. Na água pura, a absorção é mínima no azul e cresce para o vermelho e o infravermelho. Como mesmo o azul é absorvido, só que menos, a luz total diminui com a profundidade até não haver o que medir. A água também espalha luz, de um modo parecido com o que dá cor ao céu. Onde há sedimento ou partículas, a cor muda para verde ou outros tons. Os nomes das zonas (eufótica, disfótica, afótica) estão em zonas-do-oceano; aqui o assunto é a luz.

Nem todo mar é azul

A NOAA lembra que o oceano pode parecer verde, vermelho ou de outras cores quando a luz é refletida por sedimentos e partículas flutuantes. O azul é a cor da água limpa vista de cima; a cor de cada mar depende do que ele carrega.

A ordem em que as cores desaparecem

A água pura absorve menos no azul e mais nos comprimentos de onda longos. Amarelo, laranja e vermelho são absorvidos rapidamente, e por volta de 150 m resta uma faixa estreita de azul, de 470 a 480 nm, em profundidades ainda menores quando a água é menos clara. O gráfico da capa é uma aproximação: mostra a sequência, não valores medidos.

Por que o azul também acaba

O azul é o menos absorvido, não o intocado. Sua absorção é pequena, mas não nula, e a água ainda espalha parte da luz, de um modo parecido com o espalhamento Rayleigh. Com a profundidade, a luz que sobra enfraquece, e depois dos 200 m já não basta para a fotossíntese. A conclusão de que o azul também some é nossa, a partir dessas medidas: nenhuma das fontes diz que ele acaba por si só.

Até onde chega luz: 200 m, 1.000 m e o limiar de 1%

A zona eufótica costuma ser fixada onde a luz fotossintética cai a 1% da superfície, em média cerca de 200 m, mas varia com a hora, a estação e a água. A NOAA diz que luz pode ser detectada até cerca de 1.000 m; abaixo disso, escuridão. O ponto de último fóton não é um número único: depende de quão sensível é o detector, de olho, de sensor ou de sonda.

Como sabemos: medidas de luz e modelos de visão

A profundidade eufótica vem de medir a irradiância descendente na água e achar onde ela cai a 1% do valor de superfície. Já o limite de 700 a 1.000 m para a visão vem de modelos que calculam o alcance de um olho para a água mais clara, ao meio-dia, nos trópicos; fora dessas condições o limite é muito menor. E o 1% é convenção: Davies e Smyth (2025) defendem medir pela menor luz que provoca resposta biológica.

Como sabemos

A ordem de absorção e os limites de 200 m e 1.000 m têm fontes institucionais e artigos abertos; só os limites de visão (700 a 1.000 m) dependem de modelo.

Fontes

  1. NOAA National Ocean Service — How far does light travel in the ocean?
    NOAA National Ocean Service · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. NOAA National Ocean Service — Why is the ocean blue?
    NOAA National Ocean Service · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. Ocean Optics Web Book — Water (Ocean Optics Web Book)
    Boss, E. · 2020 · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  4. Philosophical Transactions of the Royal Society B — Computational visual ecology in the pelagic realm
    Nilsson, D.-E.; Warrant, E.; Johnsen, S. · 2014 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rstb.2013.0038
  5. Communications Earth & Environment — Redefining the photic zone: beyond the autotroph-centric view of light in the ocean
    Davies, T. W.; Smyth, T. · 2025 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s43247-025-02374-2
  6. Nature Communications — Repeated and widespread evolution of biofluorescence in marine fishes
    Sparks, J. S. et al. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41467-025-59843-7
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 1; conferência de trechos automatizada)

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