Zoologia
Quem vê mais cores do que nós? Cones, opsinas e o que cada grupo enxerga
Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026
Assuntos: Sentidos dos animais
Aves têm quatro classes de cones de cor e abelhas, três; cães têm duas, como pessoas daltônicas para vermelho-verde. Primatas catarrinos, nós incluídos, têm três. Mais cones não garantem "mais cores": o que conta é o cérebro comparar os sinais, e isso se mede por comportamento.
Cones são as células da retina que respondem à luz forte e à cor. Cada classe contém uma opsina, a proteína que absorve a luz, e cada opsina absorve melhor uma faixa de comprimentos de onda. A visão de cores aparece quando o sistema nervoso compara os sinais de pelo menos duas classes. Com duas classes há dicromacia; com três, tricromacia; com quatro, tetracromacia. As opsinas de cones são muito conservadas entre os vertebrados, mas cada linhagem perdeu, manteve ou duplicou genes, o que explica as diferenças de um grupo para outro.
Bugios, os platirrinos que fogem à regra
Entre os macacos do Novo Mundo, só o bugio tem visão tricromática em todos os indivíduos. Na maioria das outras espécies, só algumas fêmeas veem em três cores, por terem duas versões diferentes de um gene no cromossomo X.
Cones e opsinas: o que se conta
Cada classe de cone tem uma opsina com pico de absorção próprio. Contar classes é o primeiro passo, não o último: a visão de cores exige receptores diferentes e um sistema nervoso que compare os sinais. Por isso uma retina com quatro classes é a base da tetracromacia, não a prova dela.
Como sabemos o que uma abelha ou um cão enxerga
Na abelha, o treino por recompensa mostrou que ela distingue cores, e a mistura de cores de Daumer indicou três primárias, depois confirmadas por registros nos fotorreceptores. No cão, um estudo usou uma versão do teste de Ishihara e viu que os animais reagem como pessoas daltônicas. Esses testes mostram o que o animal discrimina, não como é a experiência de cor dele. O método geral está em outro post.
Mais cones não são "mais cores"
Quatro classes de cone dão à ave um espaço de cor com mais dimensões que o humano, mas isso não significa um número maior de tons para cada objeto, e sim que alguns estímulos que nos parecem iguais podem ser separados por ela. Nem todo receptor entra na visão de cor: nas aves, os cones duplos tratam principalmente de brilho e movimento. A fonte consultada descreve os receptores; a medida do que a ave discrimina depende de testes de comportamento.
Primatas: do gene à cor
Todos os catarrinos têm dois genes LWS no cromossomo X, o que dá três cones e tricromacia. Nos platirrinos o quadro varia: o bugio é tricromata em toda a espécie e, na maioria das outras, só algumas fêmeas são, conforme combinam duas versões do gene. Uma pequena mudança em genes muda a cor percebida.
Como sabemos
As classes de cone por grupo estão bem estabelecidas; a fonte sobre aves trata do receptor, e o teste de comportamento da tetracromacia não foi lido.
- Consenso científico: Aves têm quatro classes de cones simples, que expressam os pigmentos SWS1, SWS2, RH2 e LWS e formam a base de receptores da visão tetracromática. [2] Seção 1 (Introdução)
Contexto: Aves em geral; há variações entre espécies. · Limitações: A fonte fala em 'base de receptores'; a prova de que a ave usa as quatro classes para discriminar cores vem de testes de comportamento, que esta fonte não detalha. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Os cones duplos das aves, em geral, estão ligados ao brilho e ao movimento, não à discriminação de cor. [2] Seção 1
Contexto: Aves em geral. · Limitações: A mesma revisão diz que outras funções propostas para os cones duplos seguem sem confirmação. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Cães têm duas classes de pigmentos de cone, uma sensível a comprimentos de onda longos e médios (555 nm, vermelho/verde) e outra a curtos (429 nm, azul). [3] Introdução
Contexto: Cães domésticos; dados de potenciais evocados visuais e imuno-histoquímica citados pelos autores. · Limitações: Os valores de 555 e 429 nm são os citados pelos autores, não medições deles. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: No teste do estudo, cães reagiram como pessoas daltônicas para vermelho-verde (deuteranopia) diante de uma versão adaptada do teste de Ishihara. [3] Resumo
Contexto: Amostra pequena de cães, com animações coloridas em tela. · Limitações: Um único estudo de comportamento; combina com a anatomia (dois cones), mas não mede o que o cão 'sente'. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: As abelhas-de-mel têm três tipos de fotorreceptores, com picos no ultravioleta, no azul e no verde. [4] Seção sobre fotorreceptores
Contexto: Apis mellifera. · Limitações: Os picos variam um pouco conforme o método de medição. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Na abelha-de-mel, os três tipos de receptor contribuem para a visão de cores, que é tricromática. [4] Seção de visão de cores
Contexto: Apis mellifera. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Contar classes de receptor nem sempre dá o número de dimensões da cor percebida: nas abelhas os dois números coincidem, mas a fonte diz que isso nem sempre vale em outros animais. [4] Seção de visão de cores
Contexto: Princípio geral, ilustrado com abelhas. · Limitações: A fonte não lista aqui em quais animais a relação falha. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Todos os primatas catarrinos (macacos do Velho Mundo, grandes macacos e humanos) têm dois genes de opsina LWS em sequência, que, com um pigmento derivado do gene SWS, sustentam a visão tricromática. [1] Seção sobre primatas
Contexto: Catarrinos. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Entre os macacos platirrinos (do Novo Mundo), só o bugio (gênero Alouatta) tem tricromacia em toda a espécie. [1] Seção sobre primatas
Contexto: Platirrinos; 'bugio' é o nome comum de Alouatta (tradução nossa de howler monkey). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Na maioria dos platirrinos, o gene LWS no cromossomo X tem até três versões; fêmeas com duas versões diferentes são tricromatas, enquanto machos e fêmeas com versões iguais são dicromatas. [1] Figura 3 (legenda)
Contexto: Platirrinos com polimorfismo; a revisão lista espécies com outros arranjos, inclusive com um só cone. · Limitações: A parte sobre machos e fêmeas homozigotas é paráfrase da mesma legenda. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Ter visão de cores exige, no mínimo, receptores com sensibilidades espectrais diferentes e um sistema nervoso capaz de comparar os sinais deles. [1] Seção 1
Contexto: Definição geral, válida para vertebrados. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A abelha-de-mel foi o primeiro animal não humano em que a visão de cores foi demonstrada de modo convincente, com treino por recompensa. [4] Introdução
Contexto: Experimentos de Lubbock (1882) e depois de Karl von Frisch. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Experimentos de mistura de cores indicaram três cores primárias para as abelhas, nas faixas de comprimento de onda curto, médio e longo, e levaram à conclusão de que elas são tricromatas. [4] Introdução
Contexto: Experimentos de Daumer (1956), depois confirmados por registros nos fotorreceptores. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
- Philosophical Transactions of the Royal Society B — Evolution of colour vision in mammals
Jacobs, G. H. · 2009 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Birds (Basel) — Beyond SWS1 Cones: Canonical and Noncanonical Routes of Ultraviolet Sensitivity in the Avian Retina
Zueva, L. et al. · 2026 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Royal Society Open Science — Are dogs red–green colour blind?
Siniscalchi, M.; d'Ingeo, S.; Fornelli, S.; Quaranta, A. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rsos.170869 - Journal of Comparative Physiology A — Mechanisms, functions and ecology of colour vision in the honeybee
Hempel de Ibarra, N.; Vorobyev, M.; Menzel, R. · 2014 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1007/s00359-014-0915-1
Histórico de alterações
- Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 1; conferência de trechos automatizada)