Ciências da Terra

Como nasce um iceberg: a plataforma de gelo racha e solta um bloco que boia com 85 a 90% do volume submerso

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Um iceberg nasce quando um bloco se solta de uma geleira ou de uma plataforma de gelo, a placa que flutua junto à costa. Como o gelo é menos denso que a água do mar, ele boia, e a fração submersa é a razão entre as densidades: cerca de 90% do volume para gelo sólido (920 kg/m³) e cerca de 85% se houver ar preso (875 kg/m³), em conta nossa com água a 1.025 kg/m³.

Uma geleira que chega ao mar passa a flutuar na linha de ancoragem, e o trecho flutuante e espesso é a plataforma de gelo, com 50 a 600 m de espessura. Desprendimento (calving, em inglês) é o ato de um bloco se soltar da borda ou romper por fendas, e o bloco que flutua em mar aberto, com altura mínima acima da água, é o iceberg. O gelo de plataforma vem de neve compactada e é mais leve que a água do mar; o firn, neve ainda porosa com ar preso, deixa o conjunto um pouco menos denso. Gelo marinho, que congela do próprio mar, é outra coisa, e o fluxo das geleiras tem post próprio.

Quando um pedaço deixa de ser iceberg

Pela definição do IPCC, só é iceberg o bloco com pelo menos 5 m acima do nível do mar. Menores, são "bergy bits" (menos de 5 m) ou "growlers" (menos de 2 m). A NOAA ainda separa os tabulares, de lados íngremes e topo plano, dos de forma irregular.

A plataforma: onde o gelo da terra passa a flutuar

O gelo de uma geleira ou manto de gelo escoa até o mar e, na linha de ancoragem, começa a flutuar. O trecho flutuante é a plataforma de gelo, extensão do gelo espesso de terra sobre o oceano costeiro frio, com 50 a 600 m de espessura. O escoamento de geleiras é a fonte mais comum das plataformas grandes, mas nevadas locais e gelo marinho espessado também contribuem.

Como a plataforma solta um iceberg

Os grandes desprendimentos resultam do alongamento de fendas de vários quilômetros que cortam toda a espessura do gelo, como a que soltou 5.000 km² da Larsen C em 2017. Na borda, a flexão solta blocos pequenos. O NSIDC diz que o processo costuma levar meses a anos. Prever onde e quando um grande desprendimento ocorrerá era ainda mal restrito nos modelos em 2019.

Por que 85 a 90% fica submerso: Arquimedes com números

Um corpo flutuante desloca água de peso igual ao seu. Por isso, a fração do volume submersa é a razão entre as densidades do corpo e da água. Com gelo sólido a 920 kg/m³ e água a 1.025 kg/m³, dá 0,90; com 875 kg/m³, por causa do ar no firn, dá 0,85. São contas nossas. Para a espessura, cada metro acima da água indica cerca de 7 a 10 m de gelo no total.

Como sabemos a espessura sem furar o gelo

Estudos de plataformas estimam a espessura a partir da altura da superfície, medida por satélite, e de um critério de flutuação: supõe-se que o gelo está em equilíbrio com a água. No caso da Brunt, o modelo tinha 30 m de firn a 750 kg/m³ sobre gelo a 920 kg/m³. O limite é que o resultado depende dessa suposição de densidade, e onde o gelo está apoiado no leito ela não vale.

Como sabemos

Mecanismo e definições bem fontados; a fração submersa de 85 a 90% é conta nossa a partir de densidades de dois artigos.

Fontes

  1. NOAA National Ocean Service — What is an iceberg?
    NOAA National Ocean Service · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. NSIDC, University of Colorado Boulder — Ice Shelves (Overview)
    National Snow and Ice Data Center · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. NSIDC, University of Colorado Boulder — Why Ice Shelves Matter
    National Snow and Ice Data Center · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  4. Intergovernmental Panel on Climate Change — Annex I: Glossary, IPCC Special Report on the Ocean and Cryosphere in a Changing Climate
    IPCC · 2019 · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  5. The Cryosphere — Calving cycle of the Brunt Ice Shelf, Antarctica, driven by changes in ice shelf geometry
    De Rydt, J., Gudmundsson, G. H., Nagler, T., Wuite, J. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.5194/tc-13-2771-2019
  6. The Cryosphere — Modelled dynamics of floating and grounded icebergs, with application to the Amundsen Sea
    The Cryosphere (autoria no artigo) · 2026 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.5194/tc-20-135-2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 8; conferência de trechos automatizada)

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