Astronomia
O cometa Halley: de registros antigos à sonda Giotto, a 596 km do núcleo em 1986
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
O Halley volta a cada cerca de 76 anos e foi o primeiro cometa reconhecido como visitante periódico: em 1705, Edmond Halley usou a teoria de Newton para concluir que os cometas de 1531, 1607 e 1682 eram o mesmo objeto. Há registros muito antigos de passagens, como um relato de 760 d.C. numa crônica siríaca, e em 1986 a sonda europeia Giotto passou a 596 km de seu núcleo. A próxima passagem pelo periélio é esperada em 2061.
Antes de Halley, nada indicava que um mesmo cometa pudesse voltar. Halley mostrou que sim, e o objeto passou a levar seu nome. Hoje, a NASA descreve o núcleo como um corpo de cerca de 15 por 8 km, um dos objetos menos refletivos do Sistema Solar, com albedo de 3%. Ao contrário da maioria dos cometas de curto período, o Halley gira em torno do Sol no sentido retrógrado e, no ponto mais distante, vai além de Netuno. Identificar passagens antigas com o Halley exige análise cuidadosa de textos e desenhos de épocas diferentes, e algumas identificações são propostas de pesquisa, não consenso. A linha do tempo mistura os dois tipos de dados: registros históricos discutidos por estudos recentes e medições feitas por naves.
Reencontrado a 11 vezes a distância Terra-Sol
Em 16 de outubro de 1982, D. C. Jewitt e G. E. Danielson reencontraram o Halley com o telescópio de Monte Palomar, a cerca de 11 unidades astronômicas do Sol, quase 2 anos e meio antes da maior aproximação. Sua posição coincidiu com a prevista em 8 segundos de arco.
A descoberta da periodicidade
Em 1705, Edmond Halley usou a gravitação de Newton para mostrar que os cometas vistos em 1531, 1607 e 1682 eram o mesmo corpo em órbita. A NASA considera o Halley o cometa mais famoso por ter sido o primeiro que mostrou que cometas podem ser visitantes repetidos. O período é de cerca de 76 anos.
Olhar para trás nos textos
Pesquisadores tentam ligar registros antigos ao Halley. Em 2021, um estudo na Icarus identificou um cometa de 760 d.C., descrito com desenho na Crônica de Zuqnin e em relatos chineses, como o Halley, com periélio em 19 de maio de 760. Moedas do rei Tigranes II, da Armênia, podem mostrar a passagem de 87 a.C., o que é só uma hipótese.
A frota de 1986
Em 16 de outubro de 1982, o cometa foi reencontrado em Monte Palomar, a cerca de 11 UA do Sol, e a posição bateu com a prevista. Isso permitiu à ESA planejar a Giotto, lançada em 2 de julho de 1985. Em 14 de março de 1986 ela passou a 596 km do núcleo, mostrou seu tamanho e sua forma e revelou jatos de gás e poeira.
Um corpo escuro e retrógrado
O núcleo mede cerca de 15 por 8 km e reflete só 3% da luz, um dos objetos menos refletivos do Sistema Solar. O Halley gira em torno do Sol no sentido contrário ao dos planetas e vai além de Netuno no ponto mais distante. A próxima passagem pelo periélio é esperada em 2061.
Como sabemos
Dados modernos (1705, 1982, 1986, 2061) estão bem sustentados; os registros antigos vêm de estudos pontuais e estão marcados como hipótese ou evidência forte, e a lista de passagens antigas está incompleta.
Em debate: A identificação de passagens antigas com o Halley depende da interpretação de textos e desenhos: a de 760 d.C. foi proposta num estudo de 2021, e a hipótese das moedas armênias de 87 a.C. é ainda mais frágil. Outros registros antigos, de crônicas chinesas e babilônicas, não foram conferidos em fonte aberta nesta pesquisa e por isso não entram na linha do tempo.
- Fato estabelecido: O Halley volta a cada cerca de 76 anos. [1]
- Fato estabelecido: Em 1705, Edmond Halley, usando as teorias gravitacionais de Newton, concluiu que os cometas observados em 1531, 1607 e 1682 eram o mesmo objeto, que depois recebeu seu nome. [1]
- Fato estabelecido: O núcleo mede cerca de 9,3 por 5 milhas (cerca de 15 por 8 km), com albedo de 3%. [1]
- Fato estabelecido: O Halley orbita o Sol em sentido retrógrado e, no ponto mais distante, passa de Netuno. [1]
- Fato estabelecido: A última passagem foi em 1986 e a próxima é esperada em 2061. [1]
- Evidência forte: Um cometa de 760 d.C., descrito na Crônica de Zuqnin e em fontes chinesas, foi identificado com o Halley, com periélio em 19 de maio de 760 (± 1,7 dia). [4]
Resultado de um estudo específico (Icarus, 2021); é identificação por análise de textos, e outros estudos podem divergir. - Hipótese: Moedas de Tigranes II podem trazer a imagem do Halley de 87 a.C. [5]
Proposta de dois pesquisadores sobre uma estrela com cauda nas moedas; não é consenso e não há registro textual equivalente na fonte. - Fato estabelecido: Em 16 de outubro de 1982, Jewitt e Danielson reencontraram o Halley com o telescópio de Monte Palomar, a cerca de 11 UA do Sol, e a posição bateu com a prevista em 8 segundos de arco. [3]
- Fato estabelecido: A Giotto foi lançada em 2 de julho de 1985, primeira missão de espaço profundo da ESA. [2]
- Fato estabelecido: Em 14 de março de 1986, a Giotto passou a 596 km do núcleo do Halley, com velocidade relativa de cerca de 245.000 km/h, e mostrou seu tamanho, sua forma e jatos de gás e poeira. [2]
- Fato estabelecido: A Giotto sobreviveu aos impactos de poeira graças a um escudo de duas camadas, alumínio e Kevlar, separadas por 23 cm. [2]
Fontes
- NASA Science — 1P/Halley
consultada em 04/10/2026 - ESA (Agência Espacial Europeia) — Giotto overview
consultada em 04/10/2026 - ESA Science & Technology — Comet Halley recovered
consultada em 04/10/2026 - Icarus, vol. 364 (2021), Neuhäuser et al., via arXiv — Orbit determination just from historical observations? Test case: The comet of AD 760 is identified as 1P/Halley
consultada em 04/10/2026 - Gurzadyan e Vardanyan, via arXiv — Halley's comet of 87 BC on the coins of Armenian king Tigranes?
consultada em 04/10/2026
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