Ciências da Terra

Colisão Índia–Ásia: as propostas vão de 70 a 34 milhões de anos, e a divergência começa em definir a colisão

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Tectônica de placas

Não há uma data única para a colisão entre a Índia e a Ásia: as propostas na literatura vão de cerca de 70 a 34 milhões de anos atrás, em parte porque cada estudo define a colisão por um critério diferente. Entre os trabalhos recentes lidos aqui, as datas caem em geral entre 65 e 50 milhões de anos, e até esse intervalo segue em disputa.

A Índia se separou do Gondwana e viajou para o norte, fechando o oceano Neotétis, entre ela e a Ásia. 'Colisão' pode significar o primeiro contato entre as margens, a chegada de sedimentos asiáticos à margem indiana, o fim da sedimentação marinha ou a desaceleração da placa. Cada critério dá uma data. A Grande Índia, a parte da margem norte indiana que foi empilhada no Himalaia ou afundou sob a Ásia, também tem tamanho incerto, e o tamanho muda a conta. Os dados vêm de paleomagnetismo (latitude antiga), idade de zircões e fósseis. O texto compara quatro estudos abertos, de 2015 a 2023.

Um terreno que correu na frente da Índia

Segundo Yuan et al. (2021), o terreno do Himalaia Tethyano teria andado cerca de 260 mm por ano entre 75 e 61 milhões de anos atrás, contra cerca de 99,6 mm por ano estimados para a Índia no mesmo intervalo. É hipótese, e os dados de Sangdanlin que a sustentam são contestados.

Quatro critérios, quatro datas

Zhu et al. (2015) lembram que a incerteza vem em parte das abordagens usadas para definir a colisão. Yuan et al. (2021) usam a chegada de sedimentos asiáticos ao Himalaia Tethyano, por volta de 60 milhões de anos, e o cruzamento de latitudes entre Lhasa e o Himalaia Tethyano. Zhu et al. usam o magmatismo do arco de Gangdese e a freada da placa indiana, por volta de 51 milhões de anos. Meng et al. (2023) usam a reconstrução da Grande Índia. Comparar as datas sem checar o critério é comparar coisas diferentes.

Como sabemos: o relógio magnético das rochas vermelhas

Yuan et al. (2021) mediram a magnetização de rochas vermelhas depositadas na margem norte da Índia. O mineral que guarda a latitude é a hematita: a detrítica, que se formou com a rocha, preserva a direção original, e a química, que cresceu depois, pode registrar eventos posteriores, como dobras e falhas. Separar as duas por desmagnetização térmica deu 19,4° S há 75 milhões de anos e 13,7° N há 61 milhões. O método só vale se a rocha tiver a idade que se supõe, e é aí que o debate com Meng et al. (2023) se concentra.

Uma colisão em duas etapas, e o que a contesta

Yuan et al. propõem que o Himalaia Tethyano se soltou da Índia depois de 75 milhões de anos, abrindo um 'Mar do Norte da Índia', e bateu na Ásia por volta de 61 milhões de anos, antes de se fundir à Índia entre 53 e 48 milhões. Esse cenário concilia a história da velocidade de convergência, mas é hipótese; os autores pedem mais dados. Meng et al. (2023) discordam da idade das rochas de Sangdanlin e do tamanho da Grande Índia. Zhu et al. (2015) ainda leem a freada da Índia por outra causa. Não há ainda uma síntese aceita.

E a altitude do Himalaia e do Tibete?

A data da colisão não resolve a altura. Wei et al. (2016) lembram que a relação entre espessamento da crosta e soerguimento da superfície foi contestada, e que não há consenso sobre quando o Planalto Tibetano subiu. Há propostas de um planalto já alto antes da colisão e, em outro extremo, de terras próximas ao nível do mar no norte de Lhasa no Eoceno tardio. Por isso 'a Índia bateu na Ásia há X milhões de anos' não equivale a 'o Himalaia chegou aos 8.000 m há X milhões de anos'.

Como sabemos

A existência do debate e as datas propostas são bem documentadas em fontes abertas; qual data é a correta continua sem consenso.

Em debate: Yuan et al. (2021) defendem colisão em duas etapas (61 e 53–48 Ma) com sedimentos de Sangdanlin como Paleoceno; Meng et al. (2023) leem a mesma seção como Cretáceo Inferior desmembrado e propõem 55 ± 5 Ma com uma Grande Índia de 2.000 a 3.000 km; Zhu et al. (2015) leem o pico de magmatismo de 51 Ma como rompimento da placa e colocam o início por volta de 55 Ma.

Fontes

  1. National Science Review (Oxford University Press) — Rapid drift of the Tethyan Himalaya terrane before two-stage India-Asia collision
    Yuan, J. et al. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1093/nsr/nwaa173
  2. Scientific Reports (Nature Portfolio) — Magmatic record of India-Asia collision
    Zhu, D.-C. et al. · 2015 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/srep14289
  3. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) — Strengthening the argument for a large Greater India
    Meng, J. et al. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1073/pnas.2305928120
  4. Scientific Reports (Nature Portfolio) — Low palaeoelevation of the northern Lhasa terrane during late Eocene: Fossil foraminifera and stable isotope evidence from the Gerze Basin
    Wei, Y. et al. · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/srep27508
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 11; conferência de trechos automatizada)

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