Fenômenos naturais

Que clarões vermelhos sobem das tempestades até quase a borda do espaço?

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

São os sprites: descargas elétricas que surgem bem acima das nuvens de tempestade, na mesosfera, em geral logo depois de um raio muito forte que cai no solo. Brilham em vermelho, têm filamentos finos e duram frações de segundo. Fazem parte de uma família chamada eventos luminosos transitórios, que inclui também os elfos e os jatos azuis.

Durante décadas, pilotos relataram luzes estranhas acima de tempestades, sem prova. A primeira imagem registrada em vídeo veio em 1989, por acaso, quando pesquisadores da Universidade de Minnesota testavam uma câmera. Hoje se reconhecem vários tipos. Os sprites ficam a cerca de 40 a 90 km de altitude, conforme a fonte. Os elfos são anéis de luz que se expandem por centenas de quilômetros a cerca de 90 km, disparados por um pulso eletromagnético do raio. Os jatos azuis sobem do topo das nuvens pela estratosfera. Os jatos gigantes chegam perto de 80 km. As durações vão de menos de um milésimo de segundo a mais de 2 segundos.

Vistos de cima, da Estação Espacial

Desde 2018, o instrumento ASIM, instalado fora do módulo europeu Columbus da ISS, observa essas descargas de cerca de 400 km de altura. Ele registrou um jato azul, disparado por um flash intenso numa nuvem perto de Nauru, no Pacífico, que também gerou elfos.

Sprites: a luz mais conhecida

Os sprites aparecem acima de tempestades fortes, em geral logo depois de um raio intenso que cai no solo. Têm tom avermelhado, com a parte de baixo mais azulada, e são feitos de muitos filamentos finos. Por isso são comparados a águas-vivas ou cenouras. Duram milésimos de segundo, mas as câmeras de alta velocidade mostram a estrutura.

Elfos: anéis que se expandem

Os elfos surgem perto de 90 km de altitude. Um pulso eletromagnético do raio chega à base da ionosfera e excita o nitrogênio, que brilha. O resultado é um anel de luz que cresce por centenas de quilômetros em menos de um milésimo de segundo. O Observatório Pierre Auger já registrou vários elfos e sprites ao mesmo tempo.

Jatos azuis e gigantes

Os jatos azuis sobem do topo da nuvem para a estratosfera, em cones estreitos, de cor azul. Foram flagrados por acaso em 1994 por aviões que observavam sprites. Os jatos gigantes são mais raros e ocorrem mais nos trópicos. Eles ligam o topo da tempestade à parte baixa da ionosfera, perto de 80 km.

Por que olhar do espaço

Da superfície, nuvens e atmosfera atrapalham a observação, e o brilho some em instantes. Do ponto de vista da Estação Espacial, a cerca de 400 km, o instrumento ASIM mede luz, ultravioleta, raios X e gama ao mesmo tempo. Foi assim que se viu um jato azul nascer de uma sequência de flashes curtíssimos na nuvem, perto de Nauru.

Como sabemos

Fenômeno bem estabelecido, mas as faixas de altitude variam entre fontes e o limite de fontes institucionais primárias foi curto.

Fontes

  1. Science News Explores (Society for Science) — Explainer: Sprites, jets, ELVES and other storm-powered lights
    consultada em 05/10/2026
  2. ESA — Genesis of blue lightning into the stratosphere detected from the International Space Station
    consultada em 05/10/2026
  3. Instituto Belga de Aeronomia Espacial (BIRA-IASB) — Hunting elves, sprites, blue jets, and gamma ray flashes from the ISS
    consultada em 05/10/2026
  4. Observatório Pierre Auger (preprint arXiv) — Simultaneous observations of multiple ELVES and SPRITES at the Pierre Auger Observatory
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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