Ciências da Terra

Clair Patterson mediu a idade da Terra em meteoritos e mostrou que o chumbo da gasolina estava em todo lugar

Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026

Em 1953, Clair Patterson usou o chumbo de um fragmento do meteorito Canyon Diablo, o que formou o Meteor Crater, para calcular a idade da Terra: cerca de 4,5 bilhões de anos, refinada depois para 4,55. O mesmo cuidado com a contaminação por chumbo que a medida exigia o levou a perceber que o metal estava por toda parte, e a rastrear parte dele até a gasolina.

Clair Cameron Patterson nasceu em 1922, em Mitchellville, Iowa, e se doutorou em Chicago, onde trabalhou com Harrison Brown e George Tilton na medida de isótopos de chumbo. Rochas terrestres não servem para datar a Terra: a tectônica de placas reciclou as mais antigas. Patterson partiu de uma premissa: os meteoritos e a Terra se formaram na mesma época. Em 1952 foi para o Caltech com Brown e montou ali um laboratório de chumbo em níveis muito baixos. A separação química foi feita no Caltech; o espectrômetro de massa ficava no laboratório de Mark Inghram, em Chicago. O resultado saiu em 1953, e o artigo de 1956 fixou 4,55 bilhões de anos, com erro de 70 milhões. O valor aceito hoje, 4,54 bilhões, difere em menos de 1%.

A medida mais difícil era a do chumbo que não pertencia à amostra

Os métodos de Patterson eram tão sensíveis que encontravam chumbo em todo lugar. Para saber de onde vinha, ele passou das amostras de meteorito para a água do mar e para a neve, e dessa pergunta saiu sua segunda carreira.

Por que um meteorito

Desde 1907 se datavam rochas comparando o urânio com o chumbo em que ele decai, mas era preciso estimar quanto chumbo havia no começo. As rochas mais antigas da Terra foram recicladas pela tectônica de placas, então não guardam a origem. Patterson apostou que meteoritos e Terra se formaram juntos e foi buscar o chumbo primordial na troilita do Canyon Diablo, o meteorito que abriu o Meteor Crater no Arizona.

O número e sua margem

O resultado de 1953 foi de cerca de 4,5 bilhões de anos; em 1956 ficou em 4,550 bilhões, com erro de 70 milhões. Antes, Arthur Holmes havia chegado a cerca de 3,4 bilhões em 1947. Hoje o USGS dá 4,54 bilhões para a Terra e para os meteoritos, com incerteza menor que 1%, o que confirmou o trabalho de Patterson.

Chumbo em todo lugar

Para medir quantidades minúsculas, Patterson montou no Caltech um laboratório de baixo nível de chumbo, e seus métodos acusavam o metal em toda parte. Em 1963 mostrou que a água profunda do oceano tinha de 3 a 10 vezes menos chumbo que a de superfície. Em 1965 estimou que a carga de chumbo dos americanos chegava a 100 vezes a de antepassados pré-industriais.

Quem decidiu o fim do aditivo

Kehoe, toxicologista industrial ligado à Ethyl, contestou Patterson. A retirada do chumbo da gasolina veio de uma sequência de leis e normas: nos EUA, a EPA iniciou o programa em 1973 e a proibição se completou depois de 1995. No mundo, uma campanha do PNUMA ajudou 86 países; toda a África Subsaariana ficou livre dele em 2006 e a Argélia fechou o ciclo em 2021.

Como sabemos

A idade e a trajetória de Patterson estão em fontes institucionais (NAS, Caltech, USGS, EPA, PNUMA); o fim do chumbo na gasolina é tratado como processo de muitos atores.

Fontes

  1. Linda Hall Library — Clair Patterson
    consultada em 11/10/2026
  2. U.S. Geological Survey — Age of the Earth
    consultada em 11/10/2026
  3. National Academy of Sciences — Clair Cameron Patterson 1922-1995: Biographical Memoir
    consultada em 11/10/2026
  4. Caltech — Getting the Lead Out
    consultada em 11/10/2026
  5. U.S. Environmental Protection Agency — Accomplishments and Successes of Reducing Air Pollution from Transportation in the United States
    consultada em 11/10/2026
  6. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) — Inside the 20-year campaign to rid the world of leaded fuel
    consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão

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