Astronomia

O cinturão de Kuiper: além de Netuno, uma região de corpos gelados que guarda pistas da formação do Sistema Solar

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Além da órbita de Netuno existe uma região em forma de rosca com corpos de gelo e rocha: o cinturão de Kuiper. Sua borda interna fica a cerca de 30 UA do Sol e a região principal vai até cerca de 50 UA. Plutão é o maior objeto conhecido ali. Estima-se que toda a região some no máximo cerca de 10% da massa da Terra, mas muitos de seus corpos mudaram pouco desde a origem do sistema.

O cinturão de Kuiper não é um muro nem um anel denso: é uma região muito vasta e vazia, com corpos separados por distâncias enormes. A NASA lista mais de 2.000 objetos transnetunianos catalogados e estima centenas de milhares de corpos com mais de 100 km de largura. Alguns passam de 1.000 km de diâmetro. Plutão, descoberto em 1930, completa duas órbitas para cada três de Netuno, uma ressonância que o mantém afastado do planeta. Além da região principal, o disco disperso se estende a quase 1.000 UA. A massa atual é pequena, mas o material original pode ter sido de 7 a 10 vezes a massa da Terra, e a maior parte teria se perdido.

O primeiro, depois de Plutão, foi achado em 1992

Em 30 de agosto de 1992, David Jewitt e Jane Luu, com o telescópio de 2,2 m de Mauna Kea, registraram 1992 QB1, um ponto de magnitude 22,8. A primeira estimativa de diâmetro foi de cerca de 200 km, supondo superfície escura como a de cometas.

Uma região, vários grupos

O cinturão principal vai de cerca de 30 a 50 UA. Mais longe está o disco disperso, que se estende a quase 1.000 UA. Em ambos há objetos de gelo e rocha com compostos congelados como amônia e metano, segundo a NASA. Plutão e Eris, que tem massa ligeiramente maior que a de Plutão, são os exemplos mais conhecidos de corpos grandes.

Plutão e a ressonância com Netuno

Plutão completa duas órbitas para cada três de Netuno. Essa ressonância 3:2 impede aproximações perigosas entre os dois. Corpos do cinturão nessa mesma ressonância formam um grupo próprio, os plutinos, que estão entre os temas derivados desta pauta.

A descoberta de 1992

Até 1992 só se conhecia Plutão e sua lua Caronte nessa região. A detecção de 1992 QB1, magnitude 22,8, confirmou que havia mais corpos além de Netuno. O relatório original reconhecia que a órbita estava indeterminada e que a cor avermelhada sugeria superfície rica em compostos orgânicos.

Arrokoth, um arquivo da origem

A New Horizons mostrou em 2019 um corpo de cerca de 35 km formado por dois lobos unidos. Os estudos de 2020 indicam que eles se juntaram devagar, sem colisão violenta, e que o ambiente calmo do cinturão clássico frio conservou essa forma. Por isso Arrokoth ajuda a entender como se formaram os planetesimais.

Como sabemos

Números e fatos vêm da NASA, do Caltech (artigo de McKinnon e colegas) e da página de Jewitt; estimativas estão marcadas como tais.

Fontes

  1. NASA Science — Kuiper Belt: Facts
    consultada em 06/10/2026
  2. David Jewitt, UCLA — 1992 QB1 (IAU Circular 5611)
    consultada em 06/10/2026
  3. NASA Science — New Horizons
    consultada em 06/10/2026
  4. Caltech Authors (McKinnon et al., Science 2020) — The solar nebula origin of (486958) Arrokoth, a primordial contact binary in the Kuiper Belt
    consultada em 06/10/2026
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