Astronomia

O cinturão de asteroides é quase vazio: a massa total é cerca de 3% da massa da Lua

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Sistema Solar

O cinturão principal de asteroides, entre Marte e Júpiter, reúne cerca de 3% da massa da Lua, espalhada por um volume enorme. Mais da metade dessa massa está em quatro asteroides, e a distância média entre os de mais de 1 km é da ordem de centenas de milhares de quilômetros. A imagem de campo minado dos filmes não corresponde ao que as sondas encontram.

Asteroides são corpos rochosos e metálicos, sem atmosfera, que sobraram da formação do Sistema Solar. A maioria orbita o Sol na região entre Marte e Júpiter, o cinturão principal, que vai de cerca de 2,1 a 3,2 UA (a UA, unidade astronômica, é a distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de km). "Vazio" aqui é relativo: há milhões de asteroides maiores que 1 km. Mas a massa de todos somados é pequena perto da de qualquer planeta, e o volume que ocupam é imenso. Por isso a pergunta não é só quanto pesa o cinturão, mas por que ele pesa tão pouco e por que não virou um planeta. A resposta envolve a gravidade de Júpiter e é, em parte, assunto aberto.

Uma sonda atravessa o cinturão sem desviar

A sonda Lucy, a caminho dos asteroides troianos de Júpiter, cruza o cinturão principal e, segundo a equipe da missão, nunca precisará acionar os propulsores para evitar uma colisão. Perto de Donaldjohanson, ela flagrou asteroides como pontos de luz que passavam.

Como sabemos: pesar o cinturão pela gravidade

Ninguém pôs os asteroides numa balança. A massa vem do puxão gravitacional deles sobre planetas e naves: pesquisadores ajustam as efemérides a mais de 800 mil observações e incluem a massa do cinturão como parâmetro. Os 301 maiores entram um a um, vários com massa medida por sondas; o resto vira um modelo de pontos. Os corpos pequenos e a poeira somam só cerca de 4,5% do total. Estudos diferentes dão valores próximos, mas não idênticos, por isso se diz "cerca de 3%" da Lua.

Por que parece cheio nos filmes e não é

O cinturão ocupa uma faixa de 2,1 a 3,2 UA, cerca de 160 milhões de km de largura, e cerca de 1 UA de espessura. A equipe da Lucy calcula que o volume é de alguns × 10²⁵ km³, e que 3 a 4% da massa de uma Lua estão espalhados por um volume de cerca de 2 quatrilhões de Luas. Com milhões de asteroides de mais de 1 km nesse espaço, a distância média entre eles é de centenas de milhares de km. Em fotos, a escala some: pontos grandes parecem vizinhos.

O que Júpiter tem a ver com isso

Júpiter molda o cinturão de formas verificáveis: as bordas, perto de 2,06 e 3,27 UA, coincidem com ressonâncias dele, e as lacunas de Kirkwood marcam outras. Uma revisão diz que as órbitas dos asteroides foram agitadas por Júpiter, levando a colisões em alta velocidade. O que ainda se discute é a origem da pouca massa: o cinturão nasceu cheio e foi esvaziado, ou nasceu quase vazio e foi povoado depois? As duas visões têm modelos que explicam os dados.

Famílias: quando um asteroide se quebra

Muitas dezenas de asteroides grandes foram desfeitos por impactos, e os fragmentos continuam em órbitas parecidas, formando as famílias. Um capítulo de 2015 identifica as famílias e reporta a lista de membros de 122 delas, as notáveis. Elas lembram que o cinturão não é uma nuvem uniforme: é um lugar com estrutura, com concentrações, lacunas e restos de colisões antigas.

Como sabemos

Massa, número e espaçamento vêm de estudos e de uma página da equipe da missão Lucy; a origem do esvaziamento é apresentada como questão aberta.

Em debate:

Fontes

  1. Missão Lucy, Southwest Research Institute — The Density of the Asteroid Belt
    Knudsen, I. · 2025-07-30 · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. Astronomy Letters (pré-publicação no arXiv) — Masses of the Main Asteroid Belt and the Kuiper Belt from the Motions of Planets and Spacecraft
    Pitjeva, E. V.; Pitjev, N. P. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1134/S1063773718090050
  3. NASA Goddard, NSSDCA — Moon Fact Sheet
    NASA Space Science Data Coordinated Archive · atualizado em vários anos · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  4. Cambridge University Press, capítulo de Vesta and Ceres (pré-publicação no arXiv) — Origin and dynamical evolution of the asteroid belt
    Raymond, S. N.; Nesvorný, D. · 2021 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1017/9781108856324.019
  5. Science Advances (pré-publicação no arXiv) — The Empty Primordial Asteroid Belt
    Raymond, S. N.; Izidoro, A. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.1701138
  6. University of Arizona Press, Asteroids IV (pré-publicação no arXiv) — Identification and Dynamical Properties of Asteroid Families
    Nesvorný, D.; Brož, M.; Carruba, V. · 2015 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.2458/azu_uapress_9780816532131-ch016
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 9; conferência de trechos automatizada)

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