Fenômenos naturais

Ciclone extratropical e furacão: um depende do contraste entre massas de ar, o outro do calor do mar

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

A diferença central é a fonte de energia. O furacão, ou ciclone tropical, é uma tempestade sem frentes, de núcleo quente, mantida pelo calor que extrai do oceano. O ciclone extratropical se forma em latitudes médias e é alimentado pelo contraste de temperatura entre massas de ar quente e fria: é assimétrico, em geral de núcleo frio, e vem associado a frentes fria, quente e oclusa.

Ciclone é uma área de pressão menor que a das vizinhanças, com ventos girando em torno dela. O que separa os dois tipos é de onde vem a energia. No ciclone extratropical a fonte é baroclínica, isto é, a diferença de temperatura entre uma massa de ar quente e uma fria; por isso ele se forma sobre frentes, nas latitudes médias, onde o ar tropical e o polar se encontram (veja o post sobre frentes frias e quentes). No ciclone tropical a fonte é o calor do oceano quente, que alimenta trovoadas organizadas em torno de um centro sem frentes (veja o post sobre as condições de formação). Um pode virar o outro: o ciclone que se desloca para latitudes mais altas perde as feições tropicais e passa a depender do contraste entre massas de ar.

Extratropical não quer dizer fraco

Um ciclone tropical pode se tornar extratropical e ainda manter ventos de furacão ou de tempestade tropical. O que muda na transição é a fonte de energia, que passa da liberação de calor latente da condensação para o contraste entre massas de ar.

Como nasce: uma onda numa frente

No modelo norueguês o ponto de partida é uma frente, uma fronteira muitas vezes estacionária entre ar quente, ao sul, e ar frio, ao norte (descrição do Hemisfério Norte). Quando uma baixa em altitude, embutida na corrente de jato, passa sobre ela, a frente forma uma onda e se divide em frente fria e frente quente; a chuva começa, mais forte junto a elas. A frente fria, mais veloz, alcança a quente e forma a oclusão. Sem o ar quente e úmido no centro, a baixa se dissipa.

Como sabemos: um modelo de 1919–1922, refeito com satélite

O primeiro modelo conceitual realista de ciclones extratropicais foi apresentado por Bjerknes em 1919, seguido pelo de Bjerknes e Solberg em 1922. Em 1972, Troup e Streten propuseram um modelo conceitual dos padrões de nuvens desses ciclones no Hemisfério Sul, a partir de imagens de satélite. São modelos conceituais: descrevem o caso típico, e os ciclones reais se desviam dele, como mostra a seção seguinte.

No Brasil: três setores de ciclones no Atlântico Sul

No oeste do Atlântico Sul, a frequência de ciclones é máxima em três setores: a costa Sul/Sudeste do Brasil, com mais sistemas no verão; a costa do Uruguai, com mais no inverno; e a costa sudeste da Argentina, com máximo no verão. Perto do Uruguai e do Sul do Brasil, o gradiente de temperatura entre o continente mais quente e o oceano mais frio, ligado às correntes do Brasil e das Malvinas, é uma das condições favoráveis.

Onde o modelo falha: o centro quente e a formação perto dos Andes

Perto do Uruguai e do Sul do Brasil, o material do EUMeTrain descreve um ciclone cujo centro permanece quente da formação ao enfraquecimento, em contraste com o modelo norueguês. O material do IAG-USP dá como explicação possível a instabilidade baroclínica local no escoamento de oeste e, no golfo San Matías, a lee-ciclogênese a sotavento da montanha. Por isso, núcleo frio vale como regra geral da definição, não de todo caso; as fontes tratam as explicações como possíveis.

Como sabemos

A definição e a comparação vêm de fontes oficiais da NOAA; a parte brasileira repousa num módulo de treinamento (EUMeTrain) e numa aula da USP que resumem estudos que não abrimos.

Fontes

  1. NOAA, National Weather Service — Norwegian Cyclone Model (JetStream)
    National Weather Service (NOAA) · 2023 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  2. NOAA, National Hurricane Center — Glossary of NHC Terms
    National Hurricane Center (NOAA) · s.d. · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  3. NOAA, AOML, Hurricane Research Division — Hurricane Research Division FAQ: definições e nomes de tempestades
    Atlantic Oceanographic and Meteorological Laboratory (NOAA) · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  4. EUMeTrain (EUMETSAT) — Ciclogêneses e Ciclones Extratropicais sobre o Sudeste da América do Sul (versão impressa)
    EUMeTrain · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  5. Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, Universidade de São Paulo — Ciclones e ciclogêneses
    Laboratório MASTER, IAG-USP · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 12; conferência de trechos automatizada)

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