Astronomia
O ciclo solar dura cerca de 11 anos e o campo magnético do Sol só volta ao ponto de partida a cada 22
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
O número de manchas no Sol sobe e desce num ritmo de cerca de 11 anos, o ciclo solar. Perto do máximo, os polos magnéticos do Sol trocam de sinal; só depois de dois ciclos, cerca de 22 anos, a configuração magnética se repete. O ciclo é explicado por um dínamo: o campo magnético é esticado pela rotação desigual do Sol e regenerado perto da superfície. Em 2024, NASA e NOAA anunciaram que o Ciclo 25 chegou ao seu período de máximo.
O ciclo foi notado em 1843 por Heinrich Schwabe, farmacêutico de Dessau, na Alemanha, que contou manchas por 17 anos à procura de um planeta dentro da órbita de Mercúrio. Não achou planeta, mas viu um período de cerca de 10 anos. Hoje o ritmo médio é de cerca de 11 anos, com ciclos individuais entre cerca de 10 e 11,7 anos, e a força varia bastante de um ciclo para outro. Em 1908, George Hale mostrou que as manchas são fortemente magnéticas, e a polaridade delas se inverte a cada ciclo. Por isso o ciclo magnético completo, o ciclo de Hale, dura dois ciclos de manchas. O Ciclo 25 começou em dezembro de 2019.
Quase sem manchas por 70 anos
Entre cerca de 1645 e 1715, o mínimo de Maunder, poucas manchas foram vistas, a maioria no hemisfério sul do Sol. Modelos de dínamo mostram que flutuações na regeneração do campo podem produzir uma pausa assim.
Uma descoberta por acidente
Heinrich Schwabe, de Dessau, queria achar um planeta dentro da órbita de Mercúrio. Para distinguir o planeta de pequenas manchas, desenhava o disco solar quase todo dia, desde 11 de outubro de 1825. O planeta nunca apareceu. Em 1843, com 17 anos de dados, relatou na Astronomische Nachrichten um período de cerca de 10 anos. O reconhecimento amplo veio depois que Alexander von Humboldt incluiu os dados no Kosmos, em 1851.
Dois ciclos para fechar um
Em 1908, George Hale mostrou que as manchas têm campo magnético intenso. Pares de manchas têm polaridades opostas, e esse arranjo se inverte de um ciclo para o outro. Os polos do Sol também trocam de sinal perto do máximo. A configuração magnética só se repete após dois ciclos de manchas, cerca de 22 anos: o ciclo de Hale. O ciclo de 11 anos é metade do ciclo magnético.
A máquina por trás: o dínamo
O Sol gira mais rápido no equador que nos polos. Essa rotação diferencial estica o campo magnético poloidal e o enrola em campo toroidal, que emerge como manchas. Perto da superfície, o decaimento de manchas inclinadas regenera o campo poloidal, e a circulação meridional leva fluxo magnético aos polos, onde ele cancela o campo antigo e o inverte. Os detalhes de cada etapa ainda são debatidos.
Prever é possível, mas só em parte
Os ciclos variam de cerca de 50 a mais de 200 em número de manchas suavizado, e a duração oscila em torno de 11 anos. Medir o campo polar perto do mínimo ajuda a prever a força do ciclo seguinte, mas a previsão tem incerteza grande. Quanto ao mínimo de Maunder, os modelos mostram que ele pode surgir por flutuações no dínamo: é explicação possível, não demonstrada.
Como sabemos
Duração, inversão de polaridade, Schwabe, Ciclo 25 e datas do mínimo de Maunder vêm de NOAA, NASA, HAO e artigos revisados; as causas do dínamo estão marcadas como consenso geral e hipótese de modelo.
Em debate: Modelos de dínamo reproduzem pausas assim por flutuações na geração do campo e na circulação meridional, mas isso mostra que é possível, não que foi o que aconteceu.
- Fato estabelecido: O número total de manchas solares varia com uma repetição de aproximadamente 11 anos, conhecida como ciclo solar. [1]
- Fato estabelecido: Um novo ciclo é considerado iniciado quando grupos de manchas surgem em latitudes mais altas, com os polos magnéticos das manchas líderes opostos aos do ciclo anterior. [1]
- Fato estabelecido: O Ciclo Solar 25 começou em dezembro de 2019. [1]
- Fato estabelecido: Em 15 de outubro de 2024, NASA e NOAA anunciaram que o Sol chegou ao máximo solar; aproximadamente a cada 11 anos, no auge do ciclo, os polos magnéticos do Sol se invertem. [2]
- Fato estabelecido: Schwabe observou o Sol quase todos os dias por 42 anos a partir de 11 de outubro de 1825; em 1843, após 17 anos de observações, relatou um período de cerca de 10 anos nas manchas. [3]
- Fato estabelecido: O objetivo inicial de Schwabe era achar um possível planeta dentro da órbita de Mercúrio, que nunca encontrou. [3]
- Fato estabelecido: O período médio dos ciclos 1 a 22 é de cerca de 131,7 meses (quase 11 anos), com ciclos entre cerca de 122 e 140 meses. [4]
- Fato estabelecido: As polaridades das manchas se invertem de um ciclo para o seguinte (lei de polaridade de Hale), estabelecendo um ciclo magnético de 22 anos. [4]
- Fato estabelecido: Os campos polares são mais fortes perto do mínimo de manchas e se invertem aproximadamente no máximo do ciclo. [4]
- Consenso científico: O dínamo solar envolve a rotação diferencial (efeito ômega), que estica e fortalece o campo, e movimentos helicoidais (efeito alfa) que o torcem; a circulação meridional transporta fluxo magnético para os polos. [4]
O consenso cobre o esquema geral; a importância relativa de cada processo e os detalhes do dínamo seguem em debate. - Fato estabelecido: A amplitude dos ciclos varia bastante, de cerca de 50 a mais de 200 em número de manchas suavizado. [4]
- Evidência forte: A intensidade do campo polar serve de precursor para prever a amplitude do ciclo seguinte. [4] [5]
Há correlação observada entre campo polar no fim de um ciclo e força do próximo; a previsão ainda tem incerteza grande. - Fato estabelecido: Durante o mínimo de Maunder, de 1645 a 1715, poucas manchas foram vistas, a maioria no hemisfério sul do Sol. [5]
- Hipótese: No modelo de dínamo de transporte de fluxo, o campo poloidal é produzido perto da superfície pela decaimento de manchas bipolares inclinadas (mecanismo de Babcock-Leighton), e flutuações nele podem produzir um mínimo profundo como o de Maunder. [5]
É uma explicação de modelo, não demonstrada para o evento real; esse estudo estima que 1% a 4% dos ciclos teriam condições para um mínimo desse tipo.
Fontes
- NOAA Space Weather Prediction Center — Sunspots and Solar Cycle
consultada em 06/10/2026 - NASA Scientific Visualization Studio — NASA, NOAA Announce That the Sun Has Reached the Solar Maximum Period
consultada em 06/10/2026 - High Altitude Observatory, NCAR/UCAR — Samuel Heinrich Schwabe (1789-1875)
consultada em 06/10/2026 - Hathaway, D. H., NASA Marshall Space Flight Center — The Solar Cycle (Living Reviews in Solar Physics)
consultada em 06/10/2026 - Choudhuri e Karak, arXiv — A possible explanation of the Maunder minimum from a flux transport dynamo model
consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão