Zoologia

Chimpanzés de Fongoli afiam galhos para caçar galagos: o que o estudo de 2007 mostrou e as objeções

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Inteligência animal

Em 2007, Pruetz e Bertolani relataram que dez chimpanzés de Fongoli, no Senegal, usaram ferramentas para caçar prossímios em 22 episódios, com pontas aparadas e uso à maneira de lança, não de sonda. Em 2015, a equipe analisou 308 caçadas: só 7,5% terminaram em captura, e as fêmeas fizeram a maior parte. O rótulo 'lança' e a ideia de caça têm ressalvas.

Fongoli é uma comunidade de chimpanzés (Pan troglodytes verus) numa savana-mosaico do sudeste do Senegal, observada de forma sistemática desde 2005. A presa é o galago-do-senegal, primata pequeno e noturno que dorme de dia em troncos ocos. O artigo de 2007 descreveu chimpanzés que preparavam um galho, aparavam a ponta e o enfiavam na cavidade. Os autores chamaram isso de caça com ferramenta, em vez de forrageio com vareta, e disseram que a ferramenta era usada como lança, não como sonda. Do artigo de 2007 só se leu o resumo; os números de 2015 vêm do texto integral. Este artigo separa o que foi medido do que foi interpretado.

Quem caça mais com a vara

Em Fongoli, machos fazem 70% das capturas de vertebrados em geral, mas, segundo o estudo de 2015, caçam com ferramenta menos do que o esperado pela sua presença nos grupos. A maior parte da caça com ferramenta foi feita por fêmeas.

O que o artigo de 2007 mostrou

Segundo o resumo, dez chimpanzés diferentes usaram ferramentas para caçar prossímios em 22 episódios. Eles fizeram 26 ferramentas, e os autores recuperaram e analisaram 12. A confecção tinha até cinco etapas, incluindo aparar a ponta. Fêmeas e imaturos usaram a técnica mais do que machos adultos. A novidade apresentada era o uso habitual de ferramenta para caçar um vertebrado, comportamento que se considerava exclusivamente humano entre os primatas.

Como sabemos: observação em campo e contagem de episódios

A evidência é observacional: pesquisadores seguiram a comunidade, habituada à presença humana, e registraram quem caçava e com que resultado. Em 2015, a mesma equipe somou 308 caçadas com ferramenta e usou modelos estatísticos para comparar sexos e idades. O sucesso foi baixo, 7,5% no conjunto e 20,6% entre adultos, e juvenis nunca capturaram. Como os 22 episódios de 2007 estão nessa soma, os dois estudos não são provas independentes.

A objeção do rótulo: lança, sonda e caça

Em Mahale, na Tanzânia, uma fêmea tinha usado uma vareta para fazer um esquilo sair de um oco; Pruetz e colegas tratam os casos de lá como anedóticos. Em 2007 eles contrastam o gesto com uma sonda ou um instrumento para provocar a saída e dizem que a ferramenta agia como lança. Em 2015 falam em ferramenta de perfurar e justificam o termo caça: a presa é móvel e pode ser agressiva. Quem prefere definir pelo gesto lê o mesmo ato como forrageio com ferramenta.

Limites: amostra, viés e o salto aos hominíneos

Os autores só acompanham machos adultos como focais e esperam, por isso, subestimar a caça das fêmeas. A comunidade tem cerca de 30 indivíduos e vive numa savana específica, então o resultado não vale automaticamente para outras populações. A ideia de que a técnica ajuda a entender hominíneos primitivos é hipótese por analogia, e os próprios autores pedem atenção à variação dentro da espécie. Para outros casos, ver as escolhas de pedras por macacos-prego e a reanálise de Nim Chimpsky, em que uma alegação marcante foi reexaminada.

Como sabemos

Os números de 2007 vêm do resumo do artigo, os de 2015 do texto integral aberto; objeções de autor nomeado não puderam ser documentadas.

Em debate: Os próprios autores traçam a fronteira entre 'lança' e 'sonda' e entre 'caça' e 'forrageio com vareta'; a escolha do rótulo é uma definição, não uma medição. Nas fontes abertas consultadas não foi encontrada crítica publicada de autor nomeado a esse rótulo, e este artigo não inventa uma. As objeções apresentadas são as que os próprios autores registram: relatos anteriores de Mahale, sucesso baixo, amostra com machos adultos como focais e salto aos hominíneos.

Fontes

  1. Current Biology — Savanna chimpanzees, Pan troglodytes verus, hunt with tools
    Pruetz, J. D.; Bertolani, P. · 2007 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1016/j.cub.2006.12.042
  2. Royal Society Open Science — New evidence on the tool-assisted hunting exhibited by chimpanzees (Pan troglodytes verus) in a savannah habitat at Fongoli, Sénégal
    Pruetz, J. D.; Bertolani, P.; Boyer Ontl, K.; Lindshield, S.; Shelley, M.; Wessling, E. G. · 2015 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1098/rsos.140507
  3. Animal Diversity Web, Museum of Zoology, University of Michigan — Galago senegalensis (Senegal galago)
    Ballenger, L. · 2001 · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 17; conferência de trechos automatizada)

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