Grandes descobertas

O gráfico de Humboldt de 1807 mostrou plantas por altitude no Chimborazo, mas muitos dados vieram do Antisana

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Em 1807, Alexander von Humboldt publicou um quadro dos Andes equatoriais: o Chimborazo e o Cotopaxi em corte, com plantas dispostas por altitude e colunas de medidas ao lado. Foi uma das imagens mais influentes da ecologia. Em 2019, pesquisadores mostraram que as plantas acima do limite das árvores vieram sobretudo do Antisana, não do Chimborazo, e que o desenho é em parte uma construção intuitiva.

Em junho de 1802, Humboldt, o botânico Aimé Bonpland e Carlos Montúfar, com carregadores indígenas, tentaram subir o Chimborazo, no Equador, e chegaram a cerca de 5.600 m antes de uma nevasca os fazer recuar. De volta à Europa, Humboldt transformou as anotações em um quadro, o Naturgemälde (Tableau physique), publicado em 1807 junto ao ensaio sobre a geografia das plantas. A figura reúne o perfil dos vulcões, nomes de plantas por altitude, o limite da neve perpétua e colunas de dados. A ideia central: a vegetação depende de condições físicas que mudam com a altura, e a natureza é uma rede de relações, não um catálogo de espécies isoladas.

Um quadro que o próprio autor refez

O número de plantas acima de 3.900 m no quadro mudou entre as edições: 17 em 1807, 23 em 1817 e 32 em 1824, com quase nenhuma sobreposição de gêneros. Humboldt revisou a lista ao longo dos anos.

A tentativa de subida

Em junho de 1802, Humboldt, Bonpland e Montúfar tentaram alcançar o cume do Chimborazo com carregadores indígenas. Chegaram a cerca de 5.600 m, segundo o Deutsches Historisches Museum, e uma nevasca os fez voltar. O episódio ficou famoso, mas os dados botânicos de altitude do quadro vieram em grande parte de outra expedição, ao Antisana.

O que o quadro organiza

O Naturgemälde reúne em uma só página o perfil dos vulcões, plantas por altitude, o limite da neve perpétua e colunas de medidas. A novidade era ligar vegetação e condições físicas em uma figura única, em vez de listar espécies separadas. Em 1807 saiu em Paris, junto ao ensaio sobre a geografia das plantas, e em edição alemã.

O que a revisão de 2019 mudou

Pesquisadores consultaram cadernos, etiquetas de herbário e publicações posteriores. Concluíram que a faixa acima das árvores é um esquema construído, com erros de altitude, e que os dados vieram principalmente do Antisana. Isso não derruba a ideia de zonação por altitude; ajuda a ler o quadro como conceito, e não como registro exato.

Humboldt e a mudança climática

O quadro serviu de linha de base para medir mudança. Em 2017, a nova amostragem no Antisana encontrou plantas acima do limite da neve de 1802 e um deslocamento de cerca de 11 m por década, no ritmo observado em outros lugares. Os autores usam o resultado para discutir a subida das plantas com o aquecimento, não para provar uma causa isolada.

Como sabemos

Os fatos sobre o quadro e a revisão de 2019 vêm de fonte primária aberta (PNAS/PMC), mas a analogia com latitude e a altitude exata da subida têm base fraca.

Em debate:

Fontes

  1. PNAS / PubMed Central (Moret, Muriel, Jaramillo, Dangles) — Humboldt's Tableau Physique revisited
    consultada em 06/10/2026
  2. Deutsches Historisches Museum — Chimborazo e crocodilo (histórias de objetos, exposição Wilhelm e Alexander von Humboldt)
    consultada em 06/10/2026
  3. Science Friday — From Atop an Ecuadorian Peak, an Epiphany About Nature (excerto de The Invention of Nature)
    consultada em 06/10/2026
  4. CNRS / IRD (resumo do estudo de 2019) — Relire le Tableau physique de Humboldt à l'heure du changement climatique
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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