Astronomia

Chariklo, um centauro de cerca de 250 km, tem dois anéis: foram achados pela sombra de uma estrela em 2013

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Sistema Solar

Em 3 de junho de 2013, uma estrela passou por trás de Chariklo, um centauro (pequeno corpo do Sistema Solar externo) de cerca de 250 km de diâmetro. Telescópios na América do Sul registraram quedas rápidas de brilho antes e depois da ocultação principal, que se explicam por dois anéis estreitos, de cerca de 7 km e 3 km de largura. O resultado saiu na Nature em 2014.

Chariklo é um centauro: um pequeno corpo de órbita instável, entre Saturno e Urano, que cruza as órbitas dos planetas gigantes. Não é um asteroide do cinturão principal, embora comunicados institucionais o chamem de asteroide em sentido informal; nunca se viu atividade cometária nele. Está a mais de um bilhão de quilômetros e ocupa cerca de 0,025 segundo de arco (conta nossa), por isso nenhum telescópio o mostra como disco. Até 2013, anéis só eram conhecidos em torno de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Os de Saturno estão em outro artigo; aqui interessa como se achou o sistema de Chariklo.

O gelo que sumiu e voltou

Entre 1997 e 2008, a banda do gelo de água no espectro de Chariklo foi sumindo, e em 2013 voltou a ser detectável. Os autores ligam isso à inclinação dos anéis, vistos de lado em 2008.

Por que a sombra de uma estrela serve

A 250 km de diâmetro e a mais de um bilhão de quilômetros, Chariklo ocupa cerca de 0,025 segundo de arco (conta nossa) e, mesmo nos melhores telescópios, é um ponto de luz. Pela ocultação, o brilho da estrela cai quando o corpo passa à frente. Foi assim que se acharam os anéis de Urano (1977) e os arcos de Netuno (1984). [a4][a5]

O que a curva de luz mostrou

A curva do telescópio dinamarquês tem uma queda central, de Chariklo, e dois eventos menores de cada lado. Esses eventos são os anéis; entre eles, o vão de cerca de 9 km não bloqueou luz mensurável. As profundidades ópticas são de cerca de 0,4 e 0,06 e os raios de órbita, de cerca de 391 e 405 km. O anel interno, mais largo, contém bem mais material do que o externo. [a7][a9]

Limites da medida

O contorno de Chariklo foi ajustado com apenas duas cordas, e os eventos secundários, em geral, não foram resolvidos individualmente: só o telescópio dinamarquês separou os dois anéis. O artigo aponta duas soluções possíveis para a orientação do polo dos anéis, e a que explica o brilho de 1997 a 2008 é a preferida, não a única possível. [a4][a8][a10]

De onde vêm os anéis: hipóteses

O artigo lista quatro cenários, todos com um disco de detritos: um impacto, a ruptura por rotação, a colisão de dois satélites ou um satélite retrógrado desfeito pela maré. Como anéis assim se espalhariam em poucos milhares de anos, eles seriam jovens ou estariam confinados, talvez por satélites pastores ainda não vistos. Nenhuma dessas ideias foi demonstrada. [a11][a12][a13]

A parte brasileira

O ESO identifica Felipe Braga-Ribas, do Observatório Nacional, como autor principal e quem planejou a campanha. Segundo o artigo, ele e colegas do ON e do Valongo acharam a estrela candidata e prepararam a previsão, e a equipe incluiu a UEPG e o Polo Astronômico de Foz do Iguaçu. O ON afirma que a descoberta abriu um campo de estudos de anéis em corpos pequenos. [a14][a15]

Como sabemos

Números e método vêm do artigo original (versão no arXiv) e do comunicado do ESO, conferidos por trecho; a origem dos anéis aparece como hipótese.

Fontes

  1. Nature 508, 72-75 (versão no arXiv) — A ring system detected around the Centaur (10199) Chariklo
    Braga-Ribas, F.; Sicardy, B.; Ortiz, J. L. et al. · 2014 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1038/nature13155
  2. European Southern Observatory (ESO) — First Ring System Around Asteroid: Chariklo found to have two rings (eso1410)
    ESO · 2014-03-26 · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  3. Observatório Nacional (MCTI) — Pesquisadores do ON participam de descoberta de mais anéis no Sistema Solar
    Observatório Nacional · 2017-10-11 · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 18; conferência de trechos automatizada)

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