Zoologia
O celacanto, tido como extinto havia mais de 60 milhões de anos, foi achado vivo na África do Sul em 1938
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026
Em 22 de dezembro de 1938, Marjorie Courtenay-Latimer, curadora do Museu de East London, na África do Sul, examinou um peixe azul-aço de cerca de 1,5 m, de nadadeiras carnudas, vindo de uma rede de pesca. Em fevereiro de 1939, o ictiólogo J. L. B. Smith o identificou como um celacanto, grupo cujo fóssil mais recente conhecido tinha 66 milhões de anos. Smith o batizou Latimeria chalumnae, em homenagem a ela e ao rio Chalumna.
Por décadas, os celacantos foram conhecidos só por fósseis: os mais antigos têm até 409 milhões de anos, e o mais recente conhecido, 66 milhões. Smith anunciou o achado à revista Nature em 18 de março de 1939. O espécime de 1938 ficou como único conhecido por 14 anos, até 1952, quando um segundo foi pescado nas ilhas Comores por Ahmadi Abdulla. Os pescadores locais já chamavam o peixe de gombessa e relatavam capturar dois ou três por ano em pescarias noturnas. Em 1997, Arnaz e Mark Erdmann viram um peixe diferente num mercado da Indonésia, que foi descrito como segunda espécie, Latimeria menadoensis, em 1999. Os celacantos vivos chegam a 2 m e 100 kg, vivem entre 90 e 300 m de profundidade e podem durar cerca de 100 anos.
Quem já conhecia o peixe
Para a ciência, o celacanto reapareceu em 1938. Nas Comores, porém, pescadores já o conheciam pelo nome de gombessa e o pescavam. Em 1952, foi um pescador comorense, Ahmadi Abdulla, quem pescou o segundo celacanto vivo conhecido pela ciência e reivindicou a recompensa oferecida.
A tarde em East London
Marjorie Courtenay-Latimer nasceu em 1907 e assumiu a curadoria do Museu de East London em 1931, sem formação específica. Mantinha contato com pescadores locais para receber exemplares incomuns. Em 22 de dezembro de 1938, um dos barcos trouxe um peixe azul de cerca de 1,5 m, de nadadeiras fortes como membros e cauda curta. Ela levou o peixe de táxi ao museu e mandou uma carta, com um desenho, ao ictiólogo J. L. B. Smith, que estava fora.
Smith e o nome
Smith viu a carta no início de janeiro e, ao examinar o peixe em fevereiro de 1939, o reconheceu como um peixe de nadadeiras lobadas, grupo julgado extinto havia mais de 60 milhões de anos. Em 18 de março de 1939 anunciou o achado à Nature. O gênero Latimeria homenageia Courtenay-Latimer, e o epíteto chalumnae vem do rio Chalumna, onde o peixe foi pescado. O animal de 1938 ficou por 14 anos como único exemplar conhecido.
O que os fósseis dizem
Fósseis de celacantos têm até 409 milhões de anos, e o mais recente conhecido, segundo o Natural History Museum, tem 66 milhões. O Australian Museum cita 80 milhões e propõe uma explicação: os celacantos antigos viviam em ambientes favoráveis à fossilização, enquanto os atuais vivem em águas profundas ao redor de ilhas vulcânicas, onde fósseis dificilmente se formam. É uma hipótese, e a diferença entre as duas datas mostra que a conta não é simples.
Um peixe vivo e conhecido
Os celacantos modernos chegam a 2 m e 100 kg e vivem entre cerca de 90 e 300 m de profundidade, em cavernas e saliências de recifes. Têm nadadeiras pares lobadas e uma articulação craniana móvel. Em 1952, Ahmadi Abdulla pescou um nas Comores, onde o peixe era conhecido como gombessa. Em 1997 apareceu uma segunda espécie, na Indonésia, a cerca de 10 mil km de distância, descrita em 1999.
Como sabemos
A data e os protagonistas do achado de 1938 coincidem em três fontes; só a idade do fóssil mais recente varia entre fontes e vem com ressalva.
Em debate: A data da 'extinção' aparente varia: o Natural History Museum de Londres cita o fóssil mais recente com 66 milhões de anos, enquanto o Australian Museum fala em cerca de 80 milhões. A diferença depende de quais fósseis são aceitos e de como são datados. O ano do achado da segunda espécie na Indonésia também varia (1997, 1998 ou 1999, conforme se conte a observação, a coleta ou a descrição formal).
- Fato estabelecido: Em 22 de dezembro de 1938, Marjorie Courtenay-Latimer, curadora do Museu de East London, na África do Sul, achou um peixe azul-aço de cerca de 1,5 m, de nadadeiras carnosas, numa rede de pesca. [1] [3]
- Fato estabelecido: J. L. B. Smith visitou o espécime em fevereiro de 1939 e o reconheceu como um celacanto. [1] [3]
- Fato estabelecido: Smith o batizou Latimeria chalumnae, em homenagem à descobridora e ao rio Chalumna. [3]
- Fato estabelecido: Smith anunciou a descoberta na Nature em 18 de março de 1939. [3]
- Estimativa: O fóssil de celacanto mais recente conhecido tem 66 milhões de anos, e há fósseis de até 409 milhões de anos. [1]
A Australian Museum cita extinção há cerca de 80 milhões de anos; outras fontes citam 65 ou 66 milhões. - Fato estabelecido: O segundo celacanto vivo foi pescado em 1952 nas ilhas Comores por Ahmadi Abdulla, e os pescadores locais chamavam o peixe de gombessa e relatavam pegar dois ou três por ano. [1]
- Fato estabelecido: O espécime de 1938 foi o único conhecido por 14 anos. [3]
- Fato estabelecido: Em 1997, Arnaz e Mark Erdmann acharam em mercado da Indonésia um celacanto geneticamente distinto, descrito em 1999 como Latimeria menadoensis. [1] [2]
A Australian Museum data o achado da segunda população em 1998; o NHM data a observação de 1997 e a descrição de 1999. - Estimativa: Celacantos vivos chegam a cerca de 2 m e 100 kg, vivem entre cerca de 90 e 300 m de profundidade, em águas abaixo de 18 °C, e podem viver cerca de 100 anos. [1] [2]
A longevidade de cerca de 100 anos é estimativa citada pelo NHM. - Hipótese: A lacuna fóssil se explicaria porque celacantos antigos viviam em ambientes favoráveis à fossilização, enquanto as populações atuais vivem onde fósseis dificilmente se formam. [2]
Explicação apresentada pelo Australian Museum; não é a única hipótese e não foi testada diretamente.
Fontes
- Natural History Museum, Londres — Coelacanths: the fish that 'outdid' the Loch Ness Monster
consultada em 04/10/2026 - The Australian Museum — Coelacanth, Latimeria chalumnae Smith, 1939
consultada em 04/10/2026 - Linda Hall Library — Marjorie Courtenay-Latimer (Scientist of the Day)
consultada em 04/10/2026
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