Astronomia

Por que a cauda de um cometa aponta para longe do Sol, mesmo quando o cometa se afasta dele?

Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026

A cauda de um cometa não é um rastro deixado para trás: é gás e poeira empurrados pelo Sol. A luz solar pressiona a poeira, e o vento solar, que sopra a cerca de 500 km/s, arrasta o gás ionizado. Por isso a cauda aponta para longe do Sol, e um cometa que se afasta segue com a cauda à frente, como se andasse de ré.

Um cometa é um núcleo de gelo e poeira com alguns quilômetros de diâmetro. Perto do Sol, o gelo vira gás e forma a coma, uma atmosfera que pode se estender por centenas de milhares de quilômetros. A pressão da luz solar e o vento solar empurram esse material para longe do Sol. O resultado são duas caudas: uma de poeira, larga e curva, e uma de gás ionizado, estreita e quase reta. As duas apontam para fora, e a posição do cometa na órbita só muda a direção em que ele anda, não a direção em que o Sol sopra.

O cometa que anda de ré

Depois de passar perto do Sol, o cometa volta ao frio com a cauda apontada para a frente. Em fevereiro de 1998, o Hale-Bopp já se afastava, a cerca de 640 milhões de km do Sol, e ainda exibia uma cauda apontando para longe dele.

A cauda não é um rastro

A imagem intuitiva é a de um meteoro riscando o céu, com a luz ficando atrás. No cometa é outra coisa. O material da cauda foi liberado pelo núcleo, mas depois é empurrado pelo Sol. Por isso a cauda aponta para longe da estrela, qualquer que seja o sentido em que o cometa se move. Quando o cometa se afasta, o Sol continua empurrando, e a cauda fica à frente do núcleo.

A cauda azul: gás ionizado

A radiação ultravioleta do Sol arranca elétrons de moléculas da coma, principalmente de CO, e cria íons de CO+. O vento solar, a cerca de 500 km/s e carregando o campo magnético do Sol, varre esses íons. Como a velocidade é enorme, a cauda fica quase alinhada com a direção oposta ao Sol. O CO+ espalha mais o azul, e a cauda tem esse tom.

A cauda branca: poeira

Os grãos de poeira sentem a pressão da luz solar, que compensa parte da gravidade do Sol sobre eles. Cada grão segue então uma órbita ligeiramente diferente da do núcleo, e o conjunto se abre em leque e se curva. Essa cauda é difusa e branca ou levemente rosada, e é a que costuma aparecer curva nas fotos de cometas brilhantes.

Como se descobriu o vento solar

Em 1951, Ludwig Biermann concluiu que a luz do Sol não bastava para explicar a força sobre as caudas de gás, que exigia uma corrente de partículas vinda do Sol. A confirmação direta veio em 1962: a Mariner 2, a caminho de Vênus, mediu um vento solar contínuo, com correntes rápidas e lentas que se repetem a cada 27 dias.

Como sabemos

Mecanismo e números conferidos em páginas da NASA, ESA e de um astrofísico (UCLA); texto limitado ao que as fontes dizem.

Fontes

  1. NASA — Comets: Facts
    consultada em 11/10/2026
  2. David Jewitt, University of California, Los Angeles — The Cometary Tail
    consultada em 11/10/2026
  3. ESA (Rosetta) — Comets: an overview
    consultada em 11/10/2026
  4. NASA — Hale-Bopp: A Continuing Tail (APOD, 20 de fevereiro de 1998)
    consultada em 11/10/2026
  5. NASA Goddard — Heliosphere (Sun-Earth Day 2006)
    consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão

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