Arqueologia
Çatalhöyük: uma grande aldeia neolítica de casas coladas, sem ruas, com entrada pelo teto
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Çatalhöyük, na Anatólia central, foi uma aldeia neolítica grande e densa: o monte leste foi ocupado de cerca de 7400 a 6000 a.C., por 3.500 a 8.000 pessoas, segundo estimativas, em 13,5 hectares. As casas de tijolo de barro ficavam coladas umas às outras, sem ruas entre elas; os moradores andavam pelos telhados e entravam pelos buracos do teto. Nas paredes havia pinturas, relevos e crânios de touro com chifres.
O monte leste tem 21 m de altura e 18 níveis de ocupação, que duraram cerca de 1.400 anos, até o povoado se mudar para o monte oeste, na margem oposta do rio, no início do sexto milênio a.C. O sítio foi escavado por James Mellaart entre 1961 e 1965, que mostrou que aldeias antigas existiam fora do Crescente Fértil, e desde 1993 por uma equipe liderada por Ian Hodder. Mellaart via santuários com a Deusa Mãe e o touro, mas as novas escavações indicam que esses espaços eram casas. Os moradores enterravam mortos sob o piso, reformavam o reboco de paredes e pisos muitas vezes e, ao abandonar uma casa, enchiam-na de terra limpa antes de reconstruir sobre ela.
Lixo entre as casas, e não ruas
Entre os grupos de casas havia lixeiras de até 5 m de largura e mais de 1 m de altura, formadas por camadas finíssimas. Análises microscópicas dessas lixeiras, feitas por pesquisadores da Universidade de Reading e colegas, revelam a rotina diária: cinzas, restos de fogueiras e plantas usadas como combustível.
Uma aldeia tardia e densa
Çatalhöyük é posterior aos primeiros assentamentos sedentários do Oriente Médio, dos milênios XII a IX a.C., e às primeiras plantas domesticadas, do 9º milênio a.C. Mesmo assim, é dos exemplos mais detalhados de uma aldeia neolítica grande, com 3.500 a 8.000 pessoas em 13,5 hectares. O monte leste acumulou 18 níveis em cerca de 1.400 anos. Depois, a população se mudou para o monte oeste, do outro lado do rio, no início do sexto milênio a.C.
Casas coladas, entrada pelo teto
Nos relatórios do projeto, Ian Hodder descreve uma cidade sem ruas: as casas ficavam coladas e as pessoas andavam sobre os telhados e entravam por buracos no teto. Dentro das casas, marcas de escada e plataformas junto ao pé da escada mostram o ponto de acesso. A Área 4040 também revelou grupos de casas alinhadas, separados por espaços que os arqueólogos chamam de ruas ou vielas, e lixeiras grandes entre os edifícios.
Santuários ou casas
Mellaart reconstruiu nos anos 1960 santuários com pinturas, instalações e esculturas, e o tema do touro e da deusa-mãe marcou a leitura do Neolítico do Oriente Médio. As escavações de Hodder, desde 1993, analisaram microvestígios nos pisos e mostraram que esses supostos santuários eram usados como casas. A imagem feminina é só uma parte de um conjunto variado, em que traços de mãe e de deusa são difíceis de achar. O simbolismo, para ele, faz parte de cultos domésticos.
Memória em reboco e em crânios
O projeto documentou sequências extraordinárias de rebocos em pisos, paredes e relevos. Há indícios de enterro de mortos sob o piso das casas e de crânios desenterrados e recirculados antes de serem postos em depósitos de fundação ou de abandono. Ao deixar uma casa, os moradores a enchiam de terra limpa antes de reconstruir. Para Hodder, essa atenção à continuidade das casas e à memória ajudou a sustentar a vida sedentária e a domesticação de plantas e animais.
Como sabemos
Datas, arquitetura e interpretação das casas vêm do diretor das escavações (Hodder) e de relatórios do projeto; população e práticas de enterro são estimativas ou interpretações apresentadas como tal.
Em debate: Função das casas ricamente decoradas: Mellaart as interpretou como santuários e propôs um culto à Deusa Mãe; as escavações recentes, com análise de resíduos de piso, indicam que eram casas, e que a imagem feminina é só uma parte de um repertório diverso.
Em debate: População: as estimativas variam de 3.500 a 8.000 habitantes, e a densidade e o tamanho dependem de quantas casas eram ocupadas ao mesmo tempo.
Em debate: Ruas: o quadro geral é de casas coladas sem ruas e com entrada pelo teto, mas partes do monte mostram espaços entre grupos de casas descritos como vielas.
- Evidência forte: O monte leste de Çatalhöyük foi datado de cerca de 7400 a 6000 a.C. (datas calibradas). [1]
- Evidência forte: O monte leste tem 21 m de altura e 18 níveis de ocupação, e durou cerca de 1.400 anos, até o povoado se mudar para o monte oeste, no início do sexto milênio a.C. [1]
- Estimativa: O povoado tinha densidade muito alta, com 3.500 a 8.000 pessoas em 13,5 hectares. [1] [2]
A população é estimada; Hodder dá o intervalo de 3.500 a 8.000 (e fala em até 8.000 no relatório de 2008). - Consenso científico: Não havia ruas: as pessoas andavam sobre os telhados e entravam nas casas por buracos no teto. [2]
É a descrição geral de Hodder; na Área 4040, porém, as escavações mostraram grupos de casas separados por espaços descritos como ruas ou vielas, e há lixeiras entre as construções. - Fato estabelecido: Em casas escavadas foram achados marcas de escada e plataformas ligadas ao pé da escada, que serviam de ponto de acesso ao edifício. [2]
- Fato estabelecido: Os moradores faziam pinturas, relevos e esculturas dentro das casas, e Mellaart achou crânios de touro com chifres cobertos de reboco. [2]
- Fato estabelecido: O sítio foi escavado por James Mellaart entre 1961 e 1965, e mostrou que povoados antigos existiam fora do Crescente Fértil. [1]
- Evidência forte: Mellaart reconstruiu santuários com pinturas e instalações complexas e via temas do touro e da deusa-mãe; as novas escavações, desde 1993, indicam que os supostos santuários eram casas, e que as imagens femininas são só uma pequena parte de um conjunto diverso. [1]
Interpretação de Hodder, baseada em análise de resíduos de piso; a leitura anterior de Mellaart segue citada na literatura. - Interpretação: Há indícios de que mortos eram enterrados sob o piso das casas e de que crânios eram desenterrados e recirculados antes do enterro final em depósitos de fundação e de abandono. [1]
Hodder diz 'some evidence'; a prática é uma interpretação sobre evidência parcial. - Evidência forte: Paredes e pisos foram replastrados muitas vezes, e, ao abandonar uma casa, enchia-se o espaço com terra limpa antes de reconstruir. [1]
- Evidência forte: A economia neolítica se baseava em ampla gama de plantas domesticadas e selvagens. [1]
- Fato estabelecido: Entre e dentro dos grupos de edifícios há lixeiras extensas, de até 5 m de largura e mais de 1 m de altura, formadas por muitas camadas finas. [3]
- Fato estabelecido: Çatalhöyük surgiu muito depois dos primeiros assentamentos sedentários do Oriente Médio, dos milênios XII a IX a.C., e depois das primeiras plantas domesticadas, do 9º milênio a.C. [1]
Fontes
- Annual Review of Anthropology — Çatalhöyük in the Context of the Middle Eastern Neolithic
consultada em 04/10/2026 - Çatalhöyük Research Project — Çatalhöyük 2008 Archive Report
consultada em 04/10/2026 - Antiquity (Universidade de Reading) — The microstratigraphy of middens: capturing daily routine in rubbish at Neolithic Çatalhöyük, Turkey
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
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