Astronomia

Carrington 1859: a tempestade geomagnética considerada a mais intensa dos registros modernos

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Em 1º de setembro de 1859, os astrônomos britânicos Richard Carrington e Richard Hodgson viram, de forma independente, um clarão de luz branca sobre um grupo gigante de manchas solares. Cerca de 17 horas depois, a nuvem de plasma associada chegou à Terra e provocou a tempestade magnética de 2 de setembro. Houve auroras em latitudes baixas, como Havaí, Panamá e Santiago, e telégrafos danificados, com faíscas que causaram incêndios.

O clarão foi registrado entre 11h18 e 11h23 (UT) e foi seguido, no mesmo instante, por uma perturbação de cerca de 110 nT nos magnetômetros. A nuvem de plasma teria viajado a cerca de 2.300 km/s, o que explica o trajeto Sol-Terra em apenas 17 horas. Em Bombaim (hoje Mumbai), o campo magnético caiu cerca de 1.600 nT. No nordeste dos Estados Unidos, a aurora foi tão brilhante que dava para ler jornal à noite. Os telégrafos, a tecnologia elétrica em massa da época, falharam em vários lugares. Hoje o evento é a referência para o risco da meteorologia espacial. A intensidade exata da tempestade não é conhecida: as estimativas variam e o debate continua, inclusive sobre até que latitude a aurora chegou.

E o Brasil?

Em uma busca nos jornais da Biblioteca Nacional Digital, pesquisadores não encontraram nenhuma notícia de aurora vista no Brasil em 1859. Dois jornais brasileiros só noticiaram auroras vistas em Lisboa, Montreal e Nova York.

Do clarão à tempestade em 17 horas

O clarão de 1º de setembro e a tempestade magnética do dia seguinte foram ligados na época pela coincidência de horário. Hoje se entende que a causa foi uma ejeção de massa coronal, uma nuvem de plasma magnetizado que levou cerca de 17 horas para chegar, a uma velocidade estimada em cerca de 2.300 km/s.

Quão forte foi, de fato?

Não havia satélites nem índices modernos. A intensidade foi reconstruída a partir de magnetômetros, como o de Bombaim, e da latitude em que a aurora foi vista. Dois estudos chegam a latitudes magnéticas de cerca de 23 e cerca de 18 graus, e a diferença muda a estimativa de intensidade.

O que dizem os registros de gelo

Picos de nitrato no gelo foram propostos como marca de eventos solares extremos. Um estudo de 2015 concluiu que esses picos não servem como indicadores de eventos individuais de partículas solares, então o gelo não é uma régua confiável para 1859.

O risco hoje

A NOAA cita uma estimativa da Academia Nacional de Ciências dos EUA de cerca de 2 trilhões de dólares de prejuízo se um evento assim ocorresse hoje. O satélite DSCOVR, a cerca de 1 milhão de milhas da Terra, monitora o vento solar para dar aviso prévio.

Como sabemos

Fatos centrais bem documentados em artigos revisados, mas a intensidade exata segue em debate e a pesquisa com fontes foi limitada.

Em debate:

Fontes

  1. Space Weather (AGU) / Hayakawa et al., 2019 — Temporal and Spatial Evolutions of a Large Sunspot Group and Great Auroral Storms around the Carrington Event in 1859
    consultada em 06/10/2026
  2. Kyoto University / Hayakawa et al. — East Asian Observations of Low Latitude Aurora during the Carrington Magnetic Storm
    consultada em 06/10/2026
  3. NOAA NESDIS — When Solar Storms Attack: Space Weather and our Infrastructure
    consultada em 06/10/2026
  4. Journal of Geophysical Research: Atmospheres / Duderstadt et al., 2015 — Nitrate ions spikes in ice cores are not suitable proxies for solar proton events
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 3 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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