Zoologia

A caravela-portuguesa não é uma água-viva: é uma colônia de indivíduos especializados

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

A caravela-portuguesa (Physalia physalis) parece uma água-viva, mas é um sifonóforo, grupo de cnidários da classe Hydrozoa. Cada exemplar é uma colônia de corpos especializados, os zooides: um flutuador cheio de gás que funciona como vela, zooides de captura com tentáculos, zooides que se alimentam e estruturas reprodutivas. Nenhum deles vive sozinho; juntos, funcionam como um só organismo.

Os zooides da caravela são homólogos a animais de vida livre, mas aqui crescem ligados e divididos em tarefas. O desenvolvimento começa com um primeiro zooide alimentador, o protozooide, e a colônia cresce por brotamento. O flutuador deixa a colônia na superfície e o vento a empurra; por isso são encontradas encalhadas em praias, inclusive no litoral brasileiro. Os tentáculos podem chegar a cerca de 30 m, e as células urticantes mantêm potência mesmo em exemplares encalhados. Se a caravela é um organismo ou muitos depende da definição de indivíduo que se adota: cada zooide tem origem de animal individual, mas nenhum sobrevive fora da colônia.

Colônias com lateralidade

Em estudo de 2019, colônias de Physalia physalis mostraram ser destras ou canhotas, conforme a posição dos tentáculos definida cedo no desenvolvimento. O flutuador de juvenis estudados media de 8 a 10 cm.

Quatro tipos de zooide

A colônia reúne quatro tipos de zooide: o pneumatóforo, que é o flutuador; os dactilozooides, com os tentáculos; os gastrozooides, que se alimentam; e os gonozooides, ligados à reprodução. Cada tipo faz uma parte do trabalho e depende dos outros para sobreviver. O conjunto lembra um corpo com órgãos, mas cada peça tem origem em um animal que, em outros grupos, vive sozinho.

Vela e vento

O flutuador é uma bolha de gás que mantém a colônia na superfície e serve de vela. Sem motor próprio, a caravela vai para onde vento e correntes a levam. Por isso é encontrada encalhada em praias, inclusive no litoral brasileiro. Em juvenis estudados, o flutuador media de 8 a 10 cm.

Como a colônia cresce

O desenvolvimento começa com o protozooide, o primeiro zooide alimentador. A colônia cresce por brotamento, em grupos de três: um zooide com tentáculo, um gastrozooide e um gonodendro. Os pesquisadores observaram ainda que as colônias podem ser destras ou canhotas, conforme a posição dos tentáculos definida cedo no desenvolvimento.

No Brasil

A espécie é conhecida em águas brasileiras, mas só em 2007 exemplares do litoral do país foram descritos em detalhe, com morfologia, cnidoma, microscopia eletrônica e histologia, por pesquisadores da USP. O trabalho também discutiu a possível sinonímia com Physalia utriculus, questão de classificação que a literatura trata separadamente.

Como sabemos

Fatos centrais confirmados em artigo revisado por pares (Scientific Reports 2019), na redescrição brasileira (2007) e no Animal Diversity Web.

Fontes

  1. Scientific Reports (Munro, Vue, Behringer, Dunn) — Morphology and development of the Portuguese man of war, Physalia physalis
    consultada em 06/10/2026
  2. Animal Diversity Web, Universidade de Michigan — Physalia physalis (Portuguese Man-of-War)
    consultada em 06/10/2026
  3. Iheringia, Série Zoologia (Bardi e Marques, USP) — Taxonomic redescription of the Portuguese man-of-war, Physalia physalis, from Brazil
    consultada em 06/10/2026
  4. GelAvista, IPMA (Portugal) — Espécies: caravela-portuguesa
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 5 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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