Zoologia
A capivara é o maior roedor do mundo e vive em grupos ao redor da água
Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
A capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) é o maior roedor vivo: um adulto costuma medir cerca de 1,2 m de comprimento e pesar de 35 a 66 kg. Os dedos são parcialmente unidos por membranas, e olhos, orelhas e narinas ficam no alto da cabeça, de modo que ela observa o entorno quase toda submersa. Pode ficar debaixo d'água por até cerca de cinco minutos e vive em grupos de uns dez indivíduos, sempre onde há água por perto.
Os grupos têm em média cerca de dez adultos de ambos os sexos, mas variam de 3 a 30 animais, com hierarquia de dominância entre os machos; em época de chuva, zoológicos citam até 40 juntos. A espécie só ocorre onde a água é de fácil acesso: campos alagados, margens de brejos e matas de baixada. Come sobretudo capim e plantas aquáticas. Na Estação Ecológica do Taim, no Rio Grande do Sul, a análise de 172 amostras de fezes ao longo de um ano achou 17 espécies de plantas, com gramíneas em 52,9% das amostras. O nome vem do tupi e costuma ser traduzido como 'comedor de capim'.
Ela come as próprias fezes, só de um tipo
Em estudo da ESALQ/USP, seis capivaras fêmeas em cativeiro, observadas por 96 horas seguidas, praticaram 243 atos de cecotrofia, a ingestão de fezes macias formadas no ceco. A passagem do alimento pelo intestino foi tão lenta quanto a do coelho e mais lenta que a do cateto, que não faz isso.
O maior roedor vivo
Segundo o Animal Diversity Web, a capivara pesa de 35 a 66 kg, mede cerca de 1,2 m e chega a cerca de 60 cm de altura no ombro; as fêmeas são um pouco maiores que os machos. O zoológico de San Diego dá faixas mais amplas, de 27 a 79 kg. Em um estudo da ESALQ/USP, as fêmeas adultas criadas em cativeiro pesavam em média cerca de 56 kg. As diferenças entre as fontes mostram que o peso muda entre indivíduos, populações e condições de vida.
Corpo de beira d'água
As patas têm quatro dedos na frente e três atrás, parcialmente unidos por membranas, úteis para nadar e para andar em terreno encharcado. Olhos, orelhas e narinas ficam perto do alto da cabeça, o que permite ao animal enxergar e respirar com o corpo quase todo na água. As fontes dizem que ela pode ficar submersa por até cerca de cinco minutos, o que ajuda a fugir de predadores. É um limite máximo, não o tempo comum de mergulho.
Grupos, capim e cecotrofia
Os grupos reúnem em média cerca de dez adultos de ambos os sexos, com variação de 3 a 30, territórios e hierarquia entre os machos. Elas vivem onde há água fácil de alcançar e comem capim e plantas aquáticas: no Taim, plantas aquáticas foram 87% das espécies identificadas nas fezes. O nome tupi é traduzido como 'comedor de capim'. A cecotrofia, comprovada em capivaras da ESALQ/USP, coincide com uma passagem do alimento mais lenta pelo intestino, como no coelho.
Capivara, carrapato e febre maculosa
O carrapato-estrela (Amblyomma sculptum) transmite aos humanos a bactéria da febre maculosa brasileira e tem a capivara como hospedeira primária em quase todo o Sudeste. No Pantanal, onde as capivaras quase não entram nas matas de terra firme, elas raramente são parasitadas por ele. Em áreas alteradas de São Paulo, passam o dia nas matas e saem à noite para comer, e por isso ficam ao alcance do carrapato. Segundo o pesquisador Marcelo Labruna, da USP, esse arranjo se deve provavelmente ao ambiente alterado, e muitos fatores ainda precisam ser esclarecidos.
Como sabemos
Os fatos centrais (tamanho, vida semiaquática, grupos, dieta, cecotrofia, carrapato) vêm de museu universitário, zoológico, dissertação da USP, artigo da Universidade Federal do Rio Grande e pesquisador da USP, com números tratados como estimativas.
Em debate: Peso e tamanho variam entre fontes e populações (35 a 66 kg no Animal Diversity Web; 27 a 79 kg no zoológico de San Diego), por isso o texto usa 'cerca de' e a faixa de uma fonte.
Em debate: O vínculo entre capivara e febre maculosa depende do ambiente: no Pantanal natural as capivaras raramente têm o carrapato-estrela, e a explicação de que o ambiente alterado pelo ser humano cria o cenário é uma hipótese apresentada como tal pelo pesquisador; os fatores que levam à predominância de A. sculptum nas áreas de febre maculosa ainda precisam ser esclarecidos.
- Fato estabelecido: A capivara é o maior roedor vivo. [1] [2]
- Estimativa: Um adulto pesa de cerca de 35 a 66 kg e mede cerca de 1,2 m de comprimento. [1] [2]
O Animal Diversity Web dá 35 a 66 kg e cerca de 1,2 m; o zoológico de San Diego dá 27 a 79 kg e 100 a 130 cm. O texto usa a faixa do primeiro; o peso varia entre indivíduos e populações. - Estimativa: A capivara chega a cerca de 60 cm de altura no ombro, e as fêmeas são um pouco maiores que os machos; as fêmeas adultas de cativeiro do estudo da ESALQ/USP pesavam em média 55,9 kg. [1] [3]
Valores médios; as fêmeas do estudo eram nascidas em cativeiro e não representam toda a espécie. - Fato estabelecido: As patas são parcialmente unidas por membranas (quatro dedos nas dianteiras e três nas traseiras). [1] [2]
- Fato estabelecido: Olhos, orelhas e narinas ficam perto do alto da cabeça. [2]
- Estimativa: A capivara pode ficar completamente submersa por até cerca de cinco minutos. [1] [2]
As duas fontes dizem 'até cinco minutos'; é um limite máximo, não o tempo típico de mergulho. - Estimativa: Vive em grupos de cerca de dez adultos de ambos os sexos, com variação de 3 a 30 indivíduos. [1]
O tamanho do grupo varia com o local e a estação. - Estimativa: Em época de chuva, até 40 capivaras podem ser vistas juntas. [2]
Informação do zoológico de San Diego, sem detalhar a região; por isso aparece como 'zoológicos citam'. - Evidência forte: Os grupos mantêm territórios e têm hierarquia de dominância entre os machos. [1]
- Fato estabelecido: A capivara só é encontrada onde a água é de fácil acesso: campos alagados, margens de brejos e matas de baixada. [1]
- Fato estabelecido: A capivara é herbívora e come sobretudo capim e plantas aquáticas. [1] [5]
- Evidência forte: Na Estação Ecológica do Taim (RS), 172 amostras de fezes ao longo de um ano revelaram 17 espécies de plantas, com gramíneas em 52,9% das amostras e plantas aquáticas em 87% das espécies identificadas. [5]
Resultado de uma reserva do extremo sul; a dieta muda com a região e a estação. - Consenso científico: A palavra capivara vem do tupi e significa 'comedor de capim'. [6]
A fonte aberta é a de um conselho profissional (CRMV-RS), que traz a etimologia em uma frase; a tradução 'comedor de capim' é a corrente nos dicionários, mas a forma tupi original é grafada de modos diferentes. - Fato estabelecido: Em estudo da ESALQ/USP (1999), seis capivaras fêmeas adultas em cativeiro foram observadas por 96 horas consecutivas e realizaram 243 atos de cecotrofia. [3]
- Fato estabelecido: A cecotrofia é a ingestão de fezes macias (cecotrofos) formadas no ceco, distintas das fezes normais. [3]
Descrição da dissertação, que usa o coelho como animal de comparação. - Evidência forte: A taxa de passagem do alimento foi de 8,43 %/hora na capivara, 9,34 no coelho e 11,79 no cateto (que não faz cecotrofia); capivara e coelho não diferiram entre si. [3]
Cinco fêmeas por espécie, em cativeiro; os autores atribuem a lentidão 'provavelmente' à cecotrofia. - Evidência forte: Em áreas antropizadas do estado de São Paulo, as capivaras passam a maior parte do dia dentro de matas e saem à noite para se alimentar. [4]
Resultado de monitoramento com colar GPS citado pelo pesquisador. - Evidência forte: Na maior parte do Sudeste, a capivara é hospedeira primária de todos os estágios do carrapato-estrela (Amblyomma sculptum), que transmite aos humanos a bactéria Rickettsia rickettsii, causadora da febre maculosa brasileira. [4]
- Hipótese: No Pantanal, as capivaras raramente são parasitadas por A. sculptum, embora seja o carrapato mais abundante da região; a hipótese do pesquisador é que o ambiente antropizado explique a diferença. [4]
O resumo diz que 'presume-se' que o papel de hospedeira preferencial em áreas antropizadas se deva ao ambiente alterado, onde as capivaras se refugiam nas matas de dia. - Estimativa: Onde circula R. rickettsii em áreas antropizadas de São Paulo, cerca de 90% a 99% dos carrapatos sobre capivaras são A. sculptum. [4]
Fontes
- Animal Diversity Web, Museu de Zoologia da Universidade de Michigan — Hydrochoerus hydrochaeris (capybara)
consultada em 05/10/2026 - San Diego Zoo Wildlife Alliance — Capybara
consultada em 05/10/2026 - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo — Determinação da ocorrência de cecotrofia em capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris hydrochaeris L. 1766)
consultada em 05/10/2026 - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo (resumo de palestra, Sibac) — Febre maculosa associada a capivaras: uma doença criada pelo homem
consultada em 05/10/2026 - Brazilian Archives of Biology and Technology; Universidade Federal do Rio Grande — Feeding habits of capybaras (Hydrochoerus hydrochaeris, Linnaeus 1766), in the Ecological Reserve of Taim (ESEC - Taim) - south of Brazil
consultada em 05/10/2026 - Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul — CRMV-RS presta homenagem à comunidade indígena
consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 5 imagem(ns) real(is) do Commons
- Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão