Ecologia

Campos de altitude do Itatiaia e da Mantiqueira: gramíneas, geada e ilhas de mata acima de 1.800 m

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Os seis biomas do Brasil

Acima do limite da floresta, entre 1.800 e 2.300 m no Itatiaia, a vegetação é de campo: gramíneas e arbustos que enfrentam geada, neblina, fogo anual e uma estação seca. Só o parque nacional tem cerca de 500 espécies de plantas com flores nesses campos, e pequenas ilhas de mata se espalham pelos campos.

Os campos de altitude (highland grasslands) são formações de cimo de montanha, dominadas por gramíneas, nas terras altas do Sudeste, na Serra do Mar e na Serra da Mantiqueira. O Itatiaia é o caso mais estudado. Lá o frio e a umidade andam com uma estação seca: o planalto tem média anual de 14,4 °C, geada em 56 dias do ano, neblina em 218 e cerca de 2.000 a 2.200 mm de chuva, com menos de 50 mm por mês de junho a agosto. O fogo, em geral de origem humana, passa todo ano. Esse conjunto filtra quem consegue viver ali.

Vento e animais polinizando a mesma flor

Num campo de altitude do Itatiaia, o pólen de 23 de 63 espécies polinizadas por animais foi carregado também pelo vento, e em 7 delas vento e animais ajudaram a formar sementes, segundo um estudo de 2025.

Um clima de montanha em plena zona tropical

O Itatiaia fica a cerca de 22° de latitude sul, mas o planalto tem média anual de 14,4 °C, geada em média 56 dias por ano a 2.200 m e neblina em 218 dias. Chove de 2.000 a 2.200 mm, quase tudo no verão. Esse arranjo (frio, neblina, seca de inverno e fogo) ajuda a explicar por que o limite da floresta fica entre 1.800 e 2.300 m e por que o campo domina acima dele. Os valores vêm de medições citadas por estudos de campo; outro estudo no mesmo parque cita 2.400 mm.

Quem vive ali: plantas com flores e seus polinizadores

Há cerca de 500 espécies de angiospermas nos campos do parque. No parque inteiro, entre as espécies com ambiente conhecido, 320 angiospermas ocorrem só em campos e 32 samambaias e licófitas também. Muitas flores têm formas simples e visitantes variados (abelhas, moscas, beija-flores), e em parte delas o vento também leva o pólen. Aqui há sobretudo plantas e insetos: não achei fonte aberta lida sobre aves, anfíbios e mamíferos próprios dos campos.

Ilhas de mata e bambu entre os campos

Pequenos bosques, as ilhas de árvores, aparecem espalhados pelo campo. Num estudo com dez delas a cerca de 2.200 m, as plantas lenhosas mostraram traços de quem tolera estresse, como seca e geada. Nas ilhas com bambu a diversidade foi menor. A origem dessas ilhas é debatida: menos fogo no passado ou avanço de árvores com o clima mais úmido e quente do Holoceno (hipóteses, segundo a literatura citada pelos autores).

Como sabemos algo sobre os climas frios do passado

Este estudo não mediu o clima glacial no Itatiaia. O que existe são modelos: simulações de nicho para duas borboletas de montanha indicam que, nos períodos glaciais, elas ocupavam altitudes menores que hoje. A ideia geral é que espécies de frio ficam presas nos topos nos períodos quentes. Outra hipótese, de ancestrais andinos que chegaram por corredores em fases frias e úmidas, vem de uma filogenia preliminar de outro grupo de borboletas. São indícios por modelagem e filogenia, não medição direta do passado.

Como sabemos

Clima, altitude e flora têm fonte aberta lida; a fauna (só insetos) e o passado climático rendem só estudos pontuais e hipóteses.

Em debate: Podem ser restos de uma fase com menos fogo ou avanço de árvores com o clima mais úmido e quente do Holoceno; f1 apresenta as duas como hipóteses, sem decidir.

Fontes

  1. Ecology and Evolution — Functional assembly of tropical montane tree islands in the Atlantic Forest is shaped by stress tolerance, bamboo presence, and facilitation
    Christmann, T. et al. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1002/ece3.7824
  2. Annals of Botany — High frequency of ambophily in a Brazilian campos de altitude
    Pacheco, A.; Bergamo, P. J.; Freitas, L. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1093/aob/mcae176
  3. Biodiversity Data Journal — Using online databases to produce comprehensive accounts of the vascular plants from the Brazilian protected areas: The Parque Nacional do Itatiaia as a case study
    Moreira, M. M. et al. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.3897/bdj.8.e50837
  4. Ecology and Evolution — Montane diversification as a mechanism of speciation in neotropical butterflies
    de Moraes Magaldi, L. et al. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1002/ece3.11704
  5. Ecology and Evolution — Lithobiomes Heterogeneity and Geographic Distance Shape the Landscape Genomics Within Brazilian Mountain Systems
    Cabrini, M. et al. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1002/ece3.72476
  6. Neotropical Entomology — Uncovered Diversity of a Predominantly Andean Butterfly Clade in the Brazilian Atlantic Forest: a Revision of the Genus Praepedaliodes
    Pyrcz, T. W. et al. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1007/s13744-017-0543-x
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 10; conferência de trechos automatizada)

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