Zoologia

Camarão-mantis tem 12 canais de cor, mas em testes distingue cores com menos precisão que humanos

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Sentidos dos animais

Ter mais canais de cor não fez o camarão-mantis distinguir mais tons. Ele tem até 12 classes de fotorreceptor para cor, no visível e no ultravioleta, mas em um experimento só separou luzes com 15 a 25 nm de diferença, enquanto humanos chegam a 1–2 nm em algumas faixas. Mais canais não significam mais precisão: o sistema parece funcionar de outro jeito, ainda em debate.

O olho composto do camarão-mantis (um estomatópode) tem duas metades periféricas separadas por uma faixa central, a banda média, com 2 a 6 fileiras de omatídios (as unidades do olho composto). Nas espécies de seis fileiras, as quatro dorsais analisam cor: cada omatídio tem receptores em camadas, um para ultravioleta e outros para comprimentos de onda curtos e longos, com filtros que estreitam a sensibilidade. Somam oito classes no visível e até quatro no ultravioleta. A maioria dos outros animais tem de dois a quatro tipos. O olho também tem receptores para luz polarizada, linear e circular, que são um sistema à parte e não entram na conta das cores. A pergunta é se mais canais dão mais cores.

Por que tantos canais?

Streets et al. lembram que um sistema oponente precisa de cerca de quatro sensibilidades para decodificar quase toda a informação de cor da Terra. As 12 do camarão-mantis cobrem de pouco abaixo de 300 a mais de 700 nm, o que levou à ideia de outro tipo de processamento.

Como sabemos: treinar com comida e comparar luzes

Para saber se o animal vê cor, os pesquisadores o treinam a associar uma cor à comida e testam se ele escolhe a cor certa entre cinzas de brilho variado. No teste de comprimentos de onda, o animal vê duas luzes e precisa escolher a recompensada. O resultado de 15 a 25 nm vem de um único projeto, com luzes pareadas e recompensa de comida; os autores da revisão avisam que outra tarefa poderia dar resultado diferente.

Código de barras ou canais oponentes

Na maior parte dos animais, a cor sai da comparação entre receptores: um canal excita e o outro inibe o mesmo neurônio. No camarão-mantis, uma hipótese é que cada cor seja lida pelo receptor que a detecta, como num código de barras, o que explicaria a discriminação grosseira e simplificaria a decisão. Mas a anatomia do lobo óptico sugere quatro canais oponentes, e a ligação do ultravioleta complica o quadro. Os autores falam em trabalho em andamento.

O azul pouco saturado e o efeito do cativeiro

Em 1996, Odontodactylus scyllarus não distinguiu um azul pouco saturado de cinzas, o que sustentava o código de barras. Streets et al. repetiram o desenho com Haptosquilla trispinosa, e os animais separaram bem os azuis dos cinzas, mas o desempenho caiu com meses em luz artificial. Os autores dizem que o resultado de 1996 pode ter vindo do cativeiro, da luz do laboratório ou da espécie, e que a questão não foi resolvida.

Reconhecer pela forma, e o que isso não prova

Em Y-maze, Neogonodactylus oerstedii treinado com alvos coloridos de formas diferentes reconheceu o alvo pela forma, mas não pela cor acima do acaso. Só 20 dos 78 animais treinados chegaram ao teste, e o teste de pistas em conflito deu P = 0,054. A forma pode ter ofuscado o aprendizado da cor, e os autores citam que, debaixo d'água, a forma é mais estável que a cor. Isso não mostra que o animal não vê cor.

Como sabemos

Os números centrais vêm de uma revisão e de dois estudos abertos lidos na íntegra; o mecanismo de processamento da cor segue em debate.

Em debate: A hipótese do código de barras (cada cor é um padrão de receptores ativados) e a de canais oponentes (comparação entre receptores) seguem em debate. Os testes de comportamento apoiam discriminação grosseira; a anatomia do lobo óptico sugere oponência.

Fontes

  1. Philosophical Transactions of the Royal Society B — Colour vision in stomatopod crustaceans
    Cronin, T. W.; Porter, M. L.; Bok, M. J.; Caldwell, R. L.; Marshall, J. · 2022 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rstb.2021.0278
  2. Journal of Experimental Biology — Colour vision in stomatopod crustaceans: more questions than answers
    Streets, A.; England, H.; Marshall, J. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1242/jeb.243699
  3. Journal of Experimental Biology — Mantis shrimp identify an object by its shape rather than its color during visual recognition
    Patel, R. N.; Khil, V.; Abdurahmonova, L.; Driscoll, H.; et al. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1242/jeb.242256
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 3; conferência de trechos automatizada)

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