Zoologia

Nanocristais mudam a cor do camaleão; em camaleões-anões, a mudança acompanha sinais sociais, não camuflagem

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Comunicação animal

No camaleão-pantera, a mudança rápida de cor vem de uma rede de nanocristais de guanina na pele, cujo espaçamento muda e desloca a cor refletida; não é só pigmento se espalhando. Em 21 linhagens de camaleões-anões sul-africanos, a capacidade de mudar de cor acompanhou sinais de disputa e corte mais visíveis, e não a variação do fundo. A camuflagem existe, mas não foi o principal fator associado a essa capacidade.

Cor animal vem de dois mecanismos. Pigmentos absorvem parte da luz e ficam em células chamadas cromatóforos; mudar de cor, nesse caso, é espalhar ou concentrar o pigmento. Cor estrutural vem da geometria: arranjos regulares de materiais com índices de refração diferentes refletem só certos comprimentos de onda. Os iridóforos são células da pele cheias de cristais de guanina, uma molécula que reflete bem a luz. Teyssier e colegas (2015) mostraram que, no camaleão-pantera (Furcifer pardalis, de Madagascar), o espaçamento desses cristais muda e com ele a cor. Já Stuart-Fox e Moussalli (2008) perguntaram para que serve a mudança, comparando camaleões-anões do sul da África.

Duas camadas de iridóforos, duas tarefas

Sob a camada que muda de cor, o camaleão-pantera tem outra, de cristais maiores e menos organizados. Ela não mudou de cor nos testes e reflete muito infravermelho próximo, o que pode reduzir o calor absorvido do sol.

Por que pigmento não explica tudo

Por muito tempo, a mudança de cor do camaleão foi atribuída ao pigmento que se espalha ou se concentra em células da derme. Isso existe: o camaleão-pantera tem melanina e outro pigmento escuro que modulam o brilho da pele. Mas, nos vídeos de machos em disputa, a cor deslizou do azul para o verde e para o vermelho, e os autores consideram isso difícil de explicar só por pigmento. A pista foi uma segunda camada de explicação: a estrutura da pele.

Como sabemos: vídeo, microscópio, osmose e simulação

A equipe de Teyssier filmou machos em disputa e mediu a cor quadro a quadro. Fez cortes finos da pele de animais calmos e excitados e fotografou os cristais com microscópio eletrônico. Depois tirou amostras de pele excitada e as colocou em soluções cada vez mais concentradas, o que encolhe a rede e leva a cor de volta ao azul, mesmo fora do animal. Por fim, simulou o cristal fotônico no computador e obteve cores parecidas com as medidas. Cada passo tem limites: a amostra é pequena e o controle que ajusta os cristais no animal vivo não foi identificado.

A camada de baixo e o infravermelho

Sob a camada que muda de cor há outra de iridóforos, com cristais maiores e desordenados, presente em todos os camaleões-pantera estudados e em três outras espécies. Ela não mudou de cor visível nos testes, mas reflete bastante o infravermelho próximo; pelas contas dos autores, isso barraria cerca de 45% da energia solar nessa faixa. Se isso ajuda o animal a se proteger do calor é hipótese, e os próprios autores dizem que a função ancestral pode ter sido outra.

Sinalizar ou se esconder: o teste com camaleões-anões

Camuflagem e sinal social são duas explicações para a evolução da mudança de cor, e uma cor pode servir às duas. Por isso Stuart-Fox e Moussalli compararam 21 linhagens de camaleões-anões e perguntaram qual fator acompanha a capacidade de mudar. A resposta foi o contraste dos sinais de disputa e corte, e não a variação do fundo. É uma associação num gênero sul-africano, não prova de causa; testes com dados diretos de predação ainda seriam necessários.

Como sabemos

O mecanismo (nanocristais) vem de um estudo em uma espécie, com experimento e modelo; a ideia de sinalização vem de uma comparação entre camaleões-anões, que mostra associação e não prova a causa.

Fontes

  1. Nature Communications — Photonic crystals cause active colour change in chameleons
    Teyssier, J.; Saenko, S. V.; van der Marel, D.; Milinkovitch, M. C. · 2015 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/ncomms7368
  2. PLoS Biology — Selection for social signalling drives the evolution of chameleon colour change
    Stuart-Fox, D.; Moussalli, A. · 2008 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pbio.0060025
  3. Frontiers in Physiology — Dynamic Skin Patterns in Cephalopods
    How, M. J.; Norman, M. D.; Finn, J.; Chung, W.-S.; Marshall, N. J. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.3389/fphys.2017.00393
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 14; conferência de trechos automatizada)

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