Ciências da Terra
O buraco na camada de ozônio: frio polar, cloro dos CFCs e um tratado que funcionou
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
O buraco de ozônio da Antártida é uma perda sazonal na camada que filtra o ultravioleta, medida desde 1985. No inverno, um vórtice de ventos isola o ar polar e o esfria até formarem nuvens de gelo na estratosfera. Sobre elas, o cloro vindo dos CFCs passa a uma forma ativa. Quando o Sol volta, em outubro, ele destrói ozônio. O Protocolo de Montreal, de 1987, tirou 98% dessas substâncias de uso.
O ozônio estratosférico absorve radiação ultravioleta. Na Antártida, o ar do inverno fica preso no vórtice polar e esfria a ponto de formar nuvens estratosféricas polares, mesmo com o ar fino e seco. Nas partículas dessas nuvens, o cloro liberado dos CFCs deixa os compostos estáveis em que ficava guardado, ácido clorídrico e nitrato de cloro, e vira cloro molecular. Com o retorno da luz solar, a molécula se parte e cada átomo de cloro pode destruir milhares de moléculas de ozônio. O bromo reforça o efeito. O buraco cresce a partir de agosto e atinge a maior área entre meados de setembro e o início de outubro. Seu tamanho varia de ano para ano conforme a temperatura.
Um limite que não existia antes de 1979
Os cientistas chamam de buraco a região em que a coluna de ozônio fica abaixo de 220 unidades Dobson. A NASA afirma que esses valores não eram observados antes de 1979, o que ajuda a separar a perda causada por gases humanos da variação natural.
Por que a Antártida
O ingrediente central é o frio. No inverno antártico, o vórtice polar mantém o ar isolado e tão gelado que nuvens se formam na estratosfera, apesar da pouca umidade. São essas nuvens que convertem o cloro guardado em formas ativas. Como a luz solar só retorna na primavera, o cloro ativado espera no escuro e age quando o Sol volta, em outubro.
Décadas de medições
A estação de Halley mede ozônio com espectrofotômetro Dobson desde 1956-1957. Essa série longa permitiu a Farman, Gardiner e Shanklin mostrar, em 1985, a queda de primavera. Em 1986, satélites da NASA mostraram que o fenômeno cobria toda a região antártica, e não apenas o ponto de medição.
Da hipótese à prova
Entre 1986 e 1988, o trabalho de Susan Solomon apontou o papel das nuvens estratosféricas polares. Expedições de avião no fim dos anos 1980 trouxeram a evidência que ligou o cloro derivado dos CFCs à perda de ozônio. O tratado veio antes, em 1987, quando o mecanismo ainda estava sendo fechado.
Recuperação em curso
Com 98% das substâncias controladas eliminadas frente a 1990, o ozônio mostra tendência positiva. A avaliação de 2022 projeta retorno a valores anteriores a 1980 a partir de cerca de 2040 e mais tarde nos polos. A Emenda de Kigali, sobre os HFCs, busca evitar até 0,5 °C de aquecimento até 2100.
Como sabemos
Mecanismo, cronologia da descoberta e do tratado confirmados em NASA, British Antarctic Survey, PNUMA e DLR; projeções tratadas como estimativa.
- Fato estabelecido: No inverno antártico, o vórtice polar, um turbilhão de ventos estratosféricos, mantém o ar isolado e extremamente frio, e nele se formam nuvens estratosféricas polares. [1]
- Consenso científico: Nas partículas dessas nuvens, compostos estáveis de cloro, como ácido clorídrico e nitrato de cloro, são convertidos em formas ativas, como o cloro molecular. [1]
- Consenso científico: Com a volta da luz solar na primavera, a radiação ultravioleta quebra o cloro molecular e libera átomos de cloro, que destroem ozônio em reações catalíticas; um átomo pode destruir milhares de moléculas. [1]
- Consenso científico: O bromo amplifica a destruição de ozônio. [1]
- Fato estabelecido: O buraco é definido como a região com coluna de ozônio abaixo de 220 unidades Dobson, valores não observados antes de 1979. [1]
- Fato estabelecido: O buraco cresce a partir de agosto e atinge a maior área entre meados de setembro e o início de outubro; a variação anual de tamanho depende da temperatura. [6]
- Fato estabelecido: O Halley Bay Observatory, do British Antarctic Survey, começou a medir ozônio com espectrofotômetro Dobson em 1956-1957, durante o Ano Geofísico Internacional. [2] [3]
- Fato estabelecido: Em 1985, Farman, Gardiner e Shanklin publicaram na Nature a primeira descrição das perdas primaveris de ozônio sobre a Antártida. [2] [3]
- Fato estabelecido: Em 1986, instrumentos de satélite da NASA (TOMS e SBUV) confirmaram que o buraco era um fenômeno de escala regional sobre a Antártida. [2]
- Evidência forte: Entre 1986 e 1988, o trabalho de Susan Solomon destacou o papel das nuvens estratosféricas polares, e voos de aeronave no fim dos anos 1980 deram a evidência decisiva ligando o cloro derivado dos CFCs à perda de ozônio. [2]
- Fato estabelecido: Em 1912, exploradores antárticos já notaram nuvens estratosféricas incomuns, cujo significado só foi entendido depois. [2]
- Fato estabelecido: O Protocolo de Montreal foi adotado em 16 de setembro de 1987 e é um dos raros tratados com ratificação universal; as Partes eliminaram 98% das substâncias que destroem ozônio em relação aos níveis de 1990. [4]
- Fato estabelecido: A Emenda de Kigali, de 15 de outubro de 2016, incluiu os HFCs na lista de controle, com redução de 80 a 85% até o fim da década de 2040. [4]
- Estimativa: A avaliação científica OMM/PNUMA de 2022 projeta valores de ozônio anteriores a 1980 a partir de cerca de 2040, e mais tarde nas regiões polares; o ozônio segue 1 a 5% abaixo do período 1964-1980. [5]
Projeção que depende da implementação plena e contínua do Protocolo de Montreal.
Fontes
- NASA Goddard Space Flight Center — Why Does the Ozone Hole Form Over Antarctica? (NASA Ozone Watch)
consultada em 06/10/2026 - NASA Goddard Space Flight Center — History of the Ozone Hole (NASA Ozone Watch)
consultada em 06/10/2026 - British Antarctic Survey — The Ozone Hole
consultada em 06/10/2026 - PNUMA (OzonAction) — About the Montreal Protocol
consultada em 06/10/2026 - DLR, Centro Aeroespacial Alemão — Ozone layer on the way to recovery: WMO/UNEP report published
consultada em 06/10/2026 - NASA Goddard Space Flight Center — Antarctic ozone meteorology (NASA Ozone Watch)
consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão