História do Brasil

Em 25 de junho de 1822, Cachoeira reconheceu Dom Pedro como regente e virou base da resistência baiana

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026

No dia 25 de junho de 1822, a Câmara da vila de Cachoeira, no Recôncavo baiano, reconheceu a autoridade do príncipe regente D. Pedro, enquanto Salvador estava em poder de tropas portuguesas. A decisão foi seguida de confrontos nos dias seguintes e fez da vila a base de uma campanha que só acabaria em Salvador, em 2 de julho de 1823, com a saída definitiva das tropas portuguesas.

Cachoeira, na margem esquerda do Paraguaçu, ligava a Baía de Todos os Santos ao interior; o Iphan a descreve como uma das cidades mais ricas e populosas do país até meados do século XIX, graças ao açúcar e ao tabaco. Com Salvador ocupada, os partidários da independência fugiram para lá. Desde 9 de junho uma canhoneira portuguesa subia o rio para espionar; ao ouvir os festejos pela aclamação, tomou-os por ataque e atirou. Os combates se estenderam por três dias e, em 28 de junho, uma canhoneira portuguesa foi tomada no Paraguaçu. O exército baiano era amador, de pouco mais de 500 homens, e a guerra foi de guerrilha. A cidade ganhou o título de Heroica em 1837, e seu conjunto, de cerca de 670 edificações, foi tombado pelo Iphan em 1971.

O tambor-mor do quadro

No quadro de Antônio Parreiras que ilustra este post, Manoel Soledade, um homem negro, tambor-mor, representa, segundo a curadoria da Câmara dos Deputados, o primeiro sangue cachoeirano derramado na guerra. Fora esse registro, pouco se sabe de sua vida em fontes de fácil acesso.

A vila do Paraguaçu

Segundo o Iphan, a freguesia de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira foi criada em 1693. A cana-de-açúcar e o tabaco sustentaram sua economia, e o porto fazia a ligação entre o Recôncavo e o sertão, movimentando também gado e ouro. Tão rica era a vila que, em 1756, o rei de Portugal a taxou numa quantia vultosa para recuperar Lisboa, quase destruída pelo terremoto. Até meados do século XIX, diz o Iphan, era uma das cidades mais ricas e populosas do país.

Salvador ocupada

A exposição da Câmara dos Deputados lembra que, depois dos conflitos de Salvador, os partidários da independência foram obrigados a fugir para as cidades do Recôncavo, sobretudo Cachoeira, onde se organizou a resistência. Para o historiador João José Reis, citado pela EDUFBA, o conflito dividia o espaço: Salvador nas mãos dos portugueses e o Recôncavo nas dos baianos. Madeira de Melo mandou uma canhoneira rio acima, para espionar a vila, a partir de 9 de junho.

Os dias de junho

Em 25 de junho, a Câmara de Cachoeira reconheceu a autoridade do príncipe regente. Os festejos foram tomados por ataque pela canhoneira, que atirou, e os confrontos se estenderam até 28 de junho, quando uma canhoneira portuguesa foi tomada no Paraguaçu, segundo o Tribunal de Justiça da Bahia. O exército brasileiro era amador, de pouco mais de 500 homens, e a luta foi de guerrilha contra tropas portuguesas de mais de 3.000.

Depois da guerra

A guerra durou cerca de um ano e cinco meses e terminou em Salvador, em 2 de julho de 1823. A Câmara dos Deputados registra estimativas de 750 mortos brasileiros e 2.500 portugueses, com mais mortes por doença e fome do que por bala. Cachoeira recebeu o título de Heroica em 1837 e foi sede do governo na Sabinada. O Iphan tombou seu conjunto em 1971, com cerca de 670 edificações, ao lado de São Félix, na outra margem.

Como sabemos

Datas e papel de Cachoeira conferem em Iphan, Câmara dos Deputados, TJBA e EDUFBA, mas há variações de narrativa (nome do governo, pioneirismo, números), declaradas no texto.

Em debate: Pioneirismo: os primeiros conflitos da guerra na Bahia ocorreram em Salvador, antes de junho de 1822, e Cachoeira é apresentada como ponto de partida do movimento no Recôncavo e da resistência organizada; o texto trata Cachoeira como base e não como o início de toda a guerra.

Em debate: As cifras de combatentes e mortos são cálculos aproximados, não estatísticas.

Fontes

  1. Iphan, Conjuntos Urbanos Tombados — Cachoeira (BA)
    consultada em 04/10/2026
  2. Câmara dos Deputados, exposição virtual (curadoria de Ricardo Oriá) — 2 de Julho: Independência do Brasil na Bahia
    consultada em 04/10/2026
  3. Tribunal de Justiça do Estado da Bahia — Símbolo da luta pela independência, Cachoeira será sede do TJBA
    consultada em 04/10/2026
  4. EDUFBA, Universidade Federal da Bahia — A insurgente Vila da Cachoeira: poder, imprensa e tensões sociais na Independência do Brasil na Bahia
    consultada em 04/10/2026
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