História da África
As cabeças de latão de Ifé, achadas em 1938, mostram governantes iorubás com um naturalismo que surpreendeu a Europa
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Em 1938, durante obras para uma casa em Ifé, no sudoeste da atual Nigéria, apareceram 17 cabeças de latão e cobre e a metade superior de uma figura. São retratos de grande naturalismo, fundidos pela técnica da cera perdida e datados, conforme a fonte, entre os séculos XII e XV. A coroa de contas de uma delas sugere ligação com um ooni, o soberano de Ifé, mas a identificação e a função exatas continuam incertas.
Ifé é, na tradição oral dos iorubás, o lugar onde a vida e a civilização começaram, e seu soberano, o ooni, é visto como descendente dos deuses criadores. Como cidade, começou a se desenvolver por volta de 800 e, entre 1100 e 1400, prosperou como centro comercial, com acesso às redes do rio Níger. Sua arte inclui terracota, pedra, latão e cobre. Quando as obras chegaram ao público europeu, o modelado realista foi comparado ao da Grécia e de Roma, e houve quem se recusasse a aceitar que africanos as tivessem feito. Hoje as cabeças de Ifé são vistas como uma das maiores realizações da arte africana.
A Atlântida de Ifé
O estranhamento europeu foi tão grande que se chegou a propor que Ifé fosse a Atlântida perdida. Antes disso, em 1910, o etnólogo alemão Leo Frobenius viu uma cabeça de latão em Ifé e, por não aceitar que africanos a tivessem feito, atribuiu-a a uma suposta raça superior de fora da África.
Ifé, cidade de origem
Para os iorubás, Ifé é a cidade onde os deuses criaram o mundo, e o ooni, seu governante, é visto como descendente deles. A cidade surgiu como cidade-Estado por volta de 800 e, entre 1100 e 1400, foi um centro comercial ligado às redes do Níger. A arte local é variada: terracota, pedra, latão e cobre. Entre essas obras, as representações humanas se destacam pelo estilo naturalista, que o museu australiano chama de único na África.
Como foram feitas
As cabeças foram fundidas pela técnica da cera perdida: o artista modelava a figura em cera, cobria-a de argila e, ao aquecer o molde, a cera escorria e o metal fundido tomava o seu lugar. O material, segundo o Museu Britânico, é um latão com bastante chumbo, liga de cobre e zinco. O resultado é uma superfície lisa e proporções realistas, o que explica a reação de espanto de quem as viu pela primeira vez.
Do olhar racista ao reconhecimento
Em 1910, Leo Frobenius passou cerca de três semanas em Ifé, viu a Cabeça de Olokun e pressionou o sacerdote a vendê-la. Mesmo admirando a obra, atribuiu-a a uma raça superior fora da África, ideia típica do pensamento europeu da época. Em 1938, os achados de Wunmonije fizeram alarde no Ocidente, e a mesma lógica reapareceu: comparou-se o modelado à Grécia e a Roma, e propôs-se até a Atlântida. Uma exposição de 1948 no Museu Britânico ajudou a mudar o olhar.
Quem são e quando são
Pesquisas descreveram as cabeças como retratos de ooni, e não de deuses, segundo a National Geographic. O museu australiano, citando o Museu Britânico, lembra que a identificação e a função das cabeças seguem incertas, embora a coroa de contas sugira um ooni. As datas oscilam entre 1200 e 1400, no século XIV ou início do XV, ou entre os séculos XII e XV. A faixa larga mostra que a cronologia de Ifé ainda depende de estilo e comparação, e não de datas precisas por peça.
Como sabemos
A descoberta, a técnica e a recepção europeia são bem documentadas; datas e identidade das cabeças são estimativas e interpretações, sinalizadas no texto.
Em debate: Datação: as peças são situadas ora entre 1200 e 1400, ora no século XIV ou início do XV, ora entre os séculos XII e XV.
Em debate: Quem as cabeças representam e para que serviam: a coroa de contas sugere ooni, e a National Geographic fala em retratos de governantes; o Western Australian Museum, apoiado em texto do Museu Britânico, diz que a identificação e a função seguem incertas.
- Fato estabelecido: Em 1938, em Wunmonije Compound, em Ifé, uma cabeça de latão foi achada por acaso, em obras de uma casa, junto com 16 outras cabeças de latão e cobre e a metade superior de uma figura de latão. [1]
- Fato estabelecido: As cabeças são de latão (liga de zinco com muito chumbo) fundido pela técnica da cera perdida. [1] [2]
- Estimativa: A datação varia: 1200–1400 (Western Australian Museum), século XIV a início do XV (Museu Britânico) e séculos XII–XV (National Geographic). [1] [2] [3]
As faixas diferem porque as peças não foram datadas por escavação controlada; as estimativas combinam estilo e técnica. - Estimativa: Ifé começou a se desenvolver como cidade-Estado por volta de 800 e, entre 1100 e 1400, foi centro comercial com acesso às redes do rio Níger. [1]
Cronologia de síntese de museu; a National Geographic situa a fundação por volta do século XI. - Fato estabelecido: Na tradição oral iorubá, Ifé é o lugar onde a vida e a civilização começaram, e o ooni é visto como descendente dos deuses criadores. [1]
Trata-se de tradição oral, registrada como tal. - Fato estabelecido: O modelado naturalista das figuras de Ifé foi comparado ao da arte da Grécia e de Roma antigas quando apresentado ao mundo ocidental, e chegou-se a sugerir que Ifé fosse a Atlântida. [1]
- Interpretação: A identificação e a função das cabeças seguem incertas; a coroa de contas de uma delas, a cabeça de latão do museu australiano e do Museu Britânico, sugere ligação com um ooni. [1]
A National Geographic afirma que estudos mostraram que as cabeças representam ooni, e não deuses; o museu australiano mantém a incerteza. - Fato estabelecido: Em 1910, Leo Frobenius viu uma cabeça de latão em Ifé, a chamada Cabeça de Olokun, atribuiu-a a uma raça superior fora da África e foi forçado a devolvê-la. [3]
- Fato estabelecido: Uma exposição de 1948 no Museu Britânico recebeu comentário de publicação londrina de que a arte africana merecia ser posta ao lado da melhor da Itália e da Grécia. [3]
- Fato estabelecido: Ifé produziu também cabeças de terracota além das de latão. [3]
Fontes
- Western Australian Museum (texto sobre peça do Museu Britânico) — Ife head
consultada em 04/10/2026 - The British Museum (registro em British Museum Images) — The Ife Head (Af1939,34.1)
consultada em 04/10/2026 - National Geographic — Nigerian Treasures: Ife heads
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 3 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +1 imagem(ns)
- Versão 2 · 05/10/2026 — Galeria: 1 imagem(ns) real(is) de pessoas e lugares (Wikidata/Commons)
- Versão 1 · 05/10/2026 — migração da versão 0.3 (lotes 001 a 003)