História da África
Os "bronzes" do Benin são sobretudo de latão, e a maioria dos que estão em museus vem do saque britânico de 1897
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026
Os "bronzes do Benin" são milhares de placas, cabeças e objetos feitos pelos edo, na atual Nigéria, para a corte do obá, entre os séculos XVI e XIX. Em fevereiro de 1897, uma expedição militar britânica tomou Benin City e saqueou o palácio. As estimativas de objetos levados vão de 3 mil a cerca de 5 mil. Desde 2022, museus da Alemanha, dos Estados Unidos e do Reino Unido passaram a transferir à Nigéria a propriedade de parte do acervo.
O Reino do Benin, dos edo, tinha em Benin City o centro de seu poder, e o obá era o rei. As placas de latão, a imagem mais conhecida do conjunto, ornavam o palácio real e mostram obás, chefes de guerra e sacerdotes. Apesar do nome, o conjunto inclui marfim, couro e madeira, além do latão. Em 1897, forças britânicas atacaram a cidade e levaram milhares de objetos: alguns foram entregues a oficiais, outros vendidos em leilão ou a museus. Hoje há peças em coleções de vários países. O Museu Britânico mantém cerca de 900, e, segundo a National Geographic, está legalmente impedido de devolvê-las. Outras instituições decidiram agir de forma diferente.
O latão veio da Alemanha
Um estudo de 2023 na revista PLOS ONE analisou 67 manilhas, argolas de latão usadas como moeda no comércio atlântico, e concluiu que o metal dos bronzes do Benin veio sobretudo da Alemanha, da região do Reno, e chegou à África em navios europeus desde o século XV.
O que são os "bronzes"
O nome é inexato. Mais de 700 análises químicas reunidas pelo estudo da PLOS ONE mostram que a maioria das peças é de latão, uma liga de cobre e zinco, ou de latão com chumbo, às vezes com um pouco de estanho. Há ainda marfim, madeira e couro. As placas ornavam o palácio real de Benin City e registram a corte: obás, chefes de guerra, sacerdotes e mensageiros. A fundição por cera perdida segue viva: o Horniman encomendou a um artista do Benin, Osaru Obaseki, uma escultura nova feita com a mesma técnica das placas históricas.
Fevereiro de 1897
Em fevereiro de 1897, uma expedição militar britânica ocupou Benin City. A Museums Association registra o caso de um integrante da Marinha Real que acompanhou a incursão, participou do saque e depois vendeu peças ao fundador do Horniman. Segundo a National Geographic, o objetivo britânico era ampliar o alcance político e comercial na África Ocidental, pondo fim ao monopólio comercial do obá e exilando-o. As estimativas do número de objetos levados vão de mais de 3 mil a cerca de 5 mil; parte foi dada a oficiais, parte vendida em leilão ou a museus.
De onde veio o metal
O estudo de 2023 comparou a composição de 67 manilhas, argolas de latão usadas como moeda, com a dos bronzes do Benin. As manilhas portuguesas mais antigas, de modelo conhecido como tacoais, têm assinatura química compatível com minérios da região do Reno, na Alemanha, onde a produção de manilhas se concentrava entre Colônia e Aachen. Os autores concluem que a fonte principal do latão dos bronzes foi alemã. Os artistas edo transformaram metal europeu em obra de linguagem própria.
Devoluções
Em 2022, vários museus agiram. A Alemanha e a Nigéria assinaram um acordo para transferir mais de mil objetos; o Smithsonian votou devolver 29; o Horniman, de Londres, transferiu a propriedade de 72 em 28 de novembro, e seis foram fisicamente devolvidos, ficando os demais em empréstimo. O Museu Britânico, com cerca de 900 objetos do Benin, segue impedido por lei de devolvê-los, segundo a National Geographic. Um novo Museu Edo de Arte da África Ocidental, em Benin City, foi planejado para reunir o acervo.
Como sabemos
Fatos do saque e das restituições vêm de reportagens e comunicados de museus; a origem do latão vem de estudo revisado por pares, e as incertezas de datas e contagens estão declaradas.
Em debate: Datação do conjunto: fontes apontam séculos XIII–XVI, XV–XIX ou XVI–XIX, conforme considerem a tradição de fundição em latão ou apenas as peças preservadas; o texto usa as datas das peças conservadas.
Em debate: Número de objetos saqueados em 1897: as estimativas variam de mais de 3 mil a cerca de 5 mil, conforme o que se conta (placas, marfins, regalia).
Em debate: Restituição: o Museu Britânico alega impedimento legal; Alemanha, Smithsonian e Horniman transferiram propriedade. O debate sobre o destino do acervo e sobre onde ele ficará continua aberto.
- Consenso científico: Os bronzes do Benin são milhares de obras (placas, cabeças, figuras e outros objetos) datadas entre os séculos XVI e XIX, feitas pelo povo edo, na Nigéria. [1]
A National Geographic cita séculos XIII–XVI; o estudo da PLOS ONE e as legendas de museus apontam as peças conservadas sobretudo a partir do século XVI. - Consenso científico: A maioria das peças do Benin em museus da Europa e dos EUA vem da expedição britânica de 1897. [1]
- Fato estabelecido: A expedição militar britânica contra Benin City ocorreu em fevereiro de 1897 e envolveu saque. [3] [2]
- Estimativa: Foram levados milhares de objetos; as estimativas vão de mais de 3 mil a cerca de 5 mil. [2] [5]
A Smithsonian Magazine fala em "upwards of 3,000" e a National Geographic em cerca de 5 mil objetos, incluindo marfim e coral. - Fato estabelecido: Parte dos objetos foi dada a oficiais, parte vendida em leilão ou a museus. [2]
- Fato estabelecido: As placas de latão ornavam o palácio real de Benin City, e o conjunto inclui também marfim, couro e madeira. [2]
- Evidência forte: A maioria das análises químicas mostra que os bronzes são de latão ou latão com chumbo, às vezes com um pouco de estanho. [1]
- Evidência forte: O latão dos bronzes veio principalmente da Alemanha, provavelmente em manilhas, argolas em forma de ferradura usadas no comércio com a África, produzidas na região do Reno entre Colônia e Aachen. [1]
Conclusão de um estudo com 67 manilhas de naufrágios e de sítios em terra; os autores falam em fonte principal, não exclusiva. - Fato estabelecido: O Museu Britânico mantém cerca de 900 objetos do Benin e, segundo a National Geographic, está legalmente impedido de devolvê-los. [2] [5]
- Fato estabelecido: Em 2022, a Alemanha e a Nigéria assinaram um acordo que transferiu a propriedade de mais de mil objetos à Nigéria. [2] [5]
- Fato estabelecido: O Smithsonian votou, em 2022, devolver 29 bronzes do Museu Nacional de Arte Africana. [2]
- Fato estabelecido: Em 28 de novembro de 2022, o Horniman Museum, de Londres, transferiu à Nigéria a propriedade de 72 objetos do Benin; seis foram devolvidos fisicamente e os demais ficaram no museu em empréstimo. [3] [4]
Fontes
- PLOS ONE — German brass for Benin Bronzes: Geochemical analysis insights into the early Atlantic trade
consultada em 04/10/2026 - Smithsonian Magazine — London's Horniman Museum Will Return Stolen Benin Bronzes to Nigeria
consultada em 04/10/2026 - Museums Association (Museums Journal) — 'Tipping point for restitution': Horniman hands back first Benin bronzes
consultada em 04/10/2026 - Horniman Museum and Gardens — New Benin display at the Horniman includes returned 'bronzes' on loan
consultada em 04/10/2026 - National Geographic — The story of Nigeria's stolen Benin Bronzes, and the London museum returning them
consultada em 04/10/2026
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