Ecologia

Branqueamento de corais: o que acontece dentro do coral quando a água esquenta

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Um coral branqueado não está morto: está sem as microalgas que o alimentam. Sob estresse, o coral expulsa seus simbiontes (zooxantelas), perde a cor e fica privado de sua principal fonte de nutrição. Se a água esfria e as algas voltam em semanas ou meses, ele pode se recuperar. Se o estresse persiste, ele morre, e a falta de nutrição pesa nisso.

Corais construtores de recifes vivem em parceria com microalgas que habitam suas células. Pela fotossíntese, as algas repassam ao coral grande parte do carbono e dos aminoácidos de que ele precisa, algo decisivo em águas pobres em nutrientes. O branqueamento ocorre quando o coral expele esses simbiontes sob estresse. O tecido, transparente, deixa ver o esqueleto de carbonato de cálcio, e o coral parece branco. O estresse se acumula ao longo de semanas a meses, e não de uma vez. A NOAA mede esse acúmulo em graus-semana de aquecimento: com 4 °C-semana há risco de branqueamento; com 8 °C-semana, branqueamento amplo com mortalidade dos corais sensíveis ao calor é provável.

Comer ajuda a sobreviver ao calor

Em experimento com o coral Stylophora pistillata, colônias aquecidas até 31 °C e sem alimento morreram após 8 dias de calor. As alimentadas com microrganismos fixadores de nitrogênio sobreviveram e cresceram até 48% mais que as não alimentadas.

Uma parceria em células

Corais construtores de recifes abrigam microalgas, as zooxantelas, dentro de suas células. As algas fazem fotossíntese e repassam ao coral grande parte do carbono e dos aminoácidos que ele usa. Em águas tropicais pobres em nutrientes, essa troca sustenta um ecossistema inteiro. O coral também se alimenta de zooplâncton, mas, em condições normais, o aporte das algas pesa muito na nutrição do animal.

O que é o branco

O branqueamento acontece quando o coral expele os simbiontes por estresse. As algas dão cor ao tecido; sem elas, ele fica pálido ou branco e deixa ver o esqueleto. O fenômeno vai de manchas pequenas a mortandade em massa. O coral branco, portanto, está vivo e em risco, mas não necessariamente condenado.

Quanto calor e por quanto tempo

Não é um valor único de temperatura. A NOAA soma o calor acima do normal nas últimas 12 semanas e expressa em °C-semana. Com 4 °C-semana há risco de branqueamento. Com 8 °C-semana, é provável o branqueamento amplo, com morte dos corais sensíveis ao calor. A duração conta tanto quanto a intensidade: o estresse se acumula por semanas a meses.

Recuperar ou morrer de fome

Sem as algas, o coral perde a principal fonte de nutrição. Se as condições voltam ao normal e os simbiontes retornam, alguns corais se recuperam em poucos meses. Se o estresse continua, a morte vem. Em laboratório, colônias aquecidas sem alimento morreram em 8 dias, enquanto as que comeram microrganismos sobreviveram, o que mostra o peso da nutrição na resistência.

Como sabemos

Mecanismo geral e limiares confirmados em três fontes; a linha de causa e consequência entre fome e morte se apoia em um experimento de laboratório.

Fontes

  1. Corals of the World — Algal symbiosis and mass bleaching
    consultada em 06/10/2026
  2. NOAA Coral Reef Watch — Degree Heating Weeks (5 km)
    consultada em 06/10/2026
  3. PubMed Central — Ingestion of Diazotrophs Makes Corals More Resistant to Heat Stress
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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