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Bi Sheng fez tipos móveis de argila na China na década de 1040, mais de quatro séculos antes de Gutenberg

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Entre 1041 e 1048, o artesão Bi Sheng fez na China um tipo de argila cozida para cada caractere. As peças eram arrumadas numa placa, serviam para imprimir uma página e depois eram desmontadas para compor outra. Conhecemos o método pela descrição do estudioso Shen Kuo, no Mengxi Bitan. É a primeira invenção de tipos móveis de que se tem notícia, mais de 400 anos antes da Bíblia de Gutenberg. Depois vieram os tipos de madeira e, na Coreia, os de metal.

Segundo Shen Kuo, Bi Sheng fez um tipo de argila para cada caractere e o queimou para endurecer. Para imprimir, dispunha as peças sobre uma placa de ferro coberta com uma mistura de resina e cinza; com a placa aquecida, uma tábua alisava a superfície. Os tipos eram frágeis, e a técnica não se firmou na China: a escrita tem um número enorme de caracteres, e gravar a página inteira em um bloco de madeira saía mais barato. Wang Zhen testou tipos de madeira por volta de 1297. Na Coreia, o metal fundido entrou em uso no início do século XIII, e o Jikji, de julho de 1377, é o livro mais antigo conservado impresso com tipos de metal, 78 anos antes da Bíblia de Gutenberg. Se a técnica asiática chegou à Europa continua sem resposta.

Por que a China não adotou os tipos móveis em massa

A invenção de Bi Sheng não substituiu a impressão em blocos de madeira na China. Como o chinês escrito usa um número enorme de caracteres, manter um estoque de peças pesava, e gravar a página inteira em um bloco saía mais barato. Segundo Derk Bodde, o uso geral dos tipos móveis só veio nas últimas décadas.

Como funcionava o método de Bi Sheng

O método chegou até nós pela descrição de Shen Kuo. Bi Sheng fazia uma peça de argila para cada caractere e a queimava para endurecer. Na hora de imprimir, arrumava as peças numa placa de ferro coberta com resina e cinza. Aquecida a placa, uma tábua alisava os tipos, e a página ficava pronta para receber a tinta. Depois, as peças podiam ser desmontadas e usadas de novo, em outro texto.

Madeira na China

A argila cozida era frágil. Por volta de 1297, o funcionário Wang Zhen, da dinastia Yuan, introduziu tipos de madeira, mais duráveis. Mesmo assim, os tipos móveis não se espalharam na China. Segundo as fontes, o grande número de caracteres da escrita chinesa pesava, e imprimir com o bloco da página inteira saía mais barato. Derk Bodde também cita atitudes sociais e artísticas. A impressão em blocos de madeira continuou dominante.

Metal na Coreia e o Jikji

Na Coreia, tipos de metal fundido passaram a ser usados no início do século XIII, e acredita-se que a primeira fonte foi fundida na década de 1230. A UNESCO observa que livros coreanos antigos citam impressões em metal anteriores, mas o Jikji, de julho de 1377, é a mais antiga evidência física conservada. Foi impresso no templo de Heungdeok-sa, em Cheongju. A Biblioteca Nacional da França guarda o segundo volume, o único que sobrevive.

E a Europa?

A Bíblia de Gutenberg é de cerca de 1455, 78 anos depois do Jikji e mais de quatro séculos depois de Bi Sheng. Derk Bodde escreveu que nenhuma prova certa liga a invenção chinesa à de Gutenberg, mas que a ligação não é impossível. É uma questão aberta: pode ter havido transmissão ou invenção separada, e as fontes consultadas não permitem afirmar uma coisa nem a outra.

Como sabemos

Datas e descrição técnica vêm de universidade, enciclopédia acadêmica, BnF e UNESCO; transmissão à Europa e datas exatas ficam sinalizadas como incertas.

Em debate: Não há prova certa de que os tipos móveis asiáticos tenham chegado à Europa e inspirado Gutenberg, nem de que a invenção europeia foi inteiramente independente. A fonte consultada diz que a ligação não é impossível; o post trata o assunto como questão em aberto.

Em debate: As datas de Bi Sheng variam entre as fontes: 1041 a 1048 ou 1041 a 1049. A data de Wang Zhen também varia (cerca de 1297 para os tipos de madeira; 1313 para o tratado agrícola que os descreve).

Fontes

  1. Asia for Educators, Columbia University — Printing & Movable Type, em China in 1000 CE: Song Dynasty
    consultada em 05/10/2026
  2. Asia for Educators, Columbia University — China's Gifts to the West
    consultada em 05/10/2026
  3. Berkshire Publishing, Encyclopedia of China Publishing History — Bi Sheng (990-1052)
    consultada em 05/10/2026
  4. Bibliothèque nationale de France — "Jikji", a treasure of the world of printing
    consultada em 05/10/2026
  5. UNESCO, Memória do Mundo — Baegun hwasang chorok buljo jikji simche yojeol, vol. II (Second volume of the Anthology of Great Buddhist Priests' Zen Teachings)
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Capa trocada na conferência: imagem de abertura ligada ao assunto do título
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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