História do Brasil
Bertha Lutz, cientista do Museu Nacional, foi peça-chave na conquista do voto feminino no Brasil, em 1932
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026
Bertha Lutz nasceu em São Paulo, em 1894, filha do cientista Adolfo Lutz, e se formou na Sorbonne em 1918. Em 1919 passou em concurso do Museu Nacional e fundou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, origem da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, de 1922. O Código Eleitoral de 24 de fevereiro de 1932 reconheceu o voto das mulheres alfabetizadas, e o Senado a aponta como crucial nessa conquista.
A Federação, que Bertha liderou até 1942, entregou ao Senado, em 1927, um abaixo-assinado pelo voto feminino. O Código Eleitoral de 1932, decreto 21.076, também criou a Justiça Eleitoral. Em 1933 ela fundou a Liga Eleitoral Independente, e em 1934, com a nova Constituição, as mulheres ganharam igualdade política. Bertha disputou a Câmara naquele ano, ficou como primeira suplente e assumiu a cadeira em julho de 1936, com a morte do titular, até o fechamento do Congresso pelo Estado Novo, em novembro de 1937. No mandato, defendeu igualdade salarial e licença-maternidade de três meses. Em 1945, foi a única mulher a integrar a comissão brasileira na conferência de São Francisco, que produziu a Carta da ONU.
A segunda mulher no serviço público federal
Ao passar no concurso do Museu Nacional, Bertha foi a segunda mulher a ingressar no serviço público federal, segundo a Câmara. Chefiou a seção de botânica do museu até a aposentadoria compulsória, em 1964.
Uma formação científica em Paris
Bertha Maria Júlia Lutz nasceu em São Paulo, em 2 de agosto de 1894, filha do médico e cientista Adolfo Lutz e da inglesa Amy Fowler Lutz. Estudou em Paris e, em 1918, concluiu na Sorbonne cursos em áreas como botânica, zoologia, embriologia, química e biologia. De volta ao Brasil, passou no concurso para secretária do Museu Nacional, em 1919, e foi a segunda mulher a ingressar no serviço público federal. No museu, chegou a chefiar a seção de botânica.
Da Liga à Federação
Em 1919, Bertha fundou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher e, em 1922, a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que presidiu até 1942. No mesmo ano foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana de Mulheres. Representou as brasileiras em conferências pan-americanas e participou de entidades internacionais pelo sufrágio feminino. Em 1927, a Federação entregou ao Senado um abaixo-assinado pedindo o voto das mulheres.
1932: o voto e o que ele limitava
Em 24 de fevereiro de 1932, o Decreto 21.076 instituiu o Código Eleitoral, que criou a Justiça Eleitoral e reconheceu às mulheres alfabetizadas, com mais de 21 anos, o direito de se alistar como eleitoras. O Senado considera Bertha crucial na conquista, mas o decreto foi assinado por Getúlio Vargas, fruto de uma campanha com muitas lideranças. Em 1934, a Constituição reconheceu a igualdade política plena, e o voto feminino passou a ser facultativo, com exceção das funcionárias públicas.
Deputada e delegada
Candidata em 1934, Bertha ficou como primeira suplente e assumiu a cadeira em julho de 1936, com a morte do titular. Defendeu igualdade salarial, licença-maternidade de três meses e redução da jornada. O mandato terminou em novembro de 1937, quando o Estado Novo fechou o Legislativo. Em 1945 integrou a comissão brasileira na conferência de São Francisco, e em 1975 foi delegada à Conferência Mundial da Mulher, no México. Morreu em 16 de setembro de 1976. O Diploma Bertha Lutz, do Senado, existe desde 2001.
Como sabemos
Datas biográficas e políticas conferidas em CPDOC/FGV, Câmara e Senado; a presença em São Francisco depende de uma só fonte, marcada na nota.
- Fato estabelecido: Bertha Lutz nasceu em São Paulo em 2 de agosto de 1894, filha de Adolfo Lutz e da inglesa Amy Fowler Lutz, e morreu em 16 de setembro de 1976, no Rio de Janeiro. [1] [4]
- Fato estabelecido: Formou-se na Universidade de Paris (Sorbonne) em 1918, em áreas como botânica, zoologia, embriologia e biologia. [1] [4]
- Fato estabelecido: Em 1919 passou em concurso para secretária do Museu Nacional e foi a segunda mulher a ingressar no serviço público federal. [1] [2] [4]
- Fato estabelecido: Fundou em 1919 a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher e, em 1922, a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que liderou até 1942. [1] [2]
- Fato estabelecido: Em 1922 foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana de Mulheres, representou as brasileiras em conferências internacionais, integrou entidades como a Aliança Internacional pelo Sufrágio Feminino e, em 1975, foi delegada à Conferência Mundial da Mulher da ONU, no México. [2] [1] [4]
- Fato estabelecido: A Constituição de 1934 reconheceu a igualdade política plena das mulheres, e o voto feminino passou a ser facultativo, exceto para funcionárias públicas. [3]
- Fato estabelecido: Em 1927 a Federação protocolou no Senado um abaixo-assinado pelo voto feminino. [3]
- Fato estabelecido: O Decreto 21.076, de 24 de fevereiro de 1932 (Código Eleitoral), reconheceu o direito de voto às mulheres alfabetizadas maiores de 21 anos e criou a Justiça Eleitoral. [3]
- Consenso científico: O Senado considera Bertha Lutz crucial na conquista do voto feminino, instituído em 1932. [5]
Avaliação institucional do Senado; o voto foi concedido por decreto assinado por Getúlio Vargas, como resultado de uma campanha de várias lideranças. - Fato estabelecido: Em 1933 fundou a Liga Eleitoral Independente, e, nas eleições de 1934, candidatou-se à Câmara pelo Partido Autonomista, ficando como primeira suplente. [1] [2]
- Fato estabelecido: Assumiu a cadeira de deputada federal em julho de 1936, após a morte do titular Cândido Pessoa, e ficou até novembro de 1937, quando o Estado Novo dissolveu o Legislativo. [1] [2]
- Fato estabelecido: Como deputada, defendeu igualdade salarial entre os sexos, licença-maternidade de três meses e redução da jornada de trabalho. [5] [2] [4]
- Evidência forte: Em 1945 foi a única mulher na comissão brasileira à Conferência de São Francisco, que produziu a Carta das Nações Unidas. [4]
Informação de um único verbete universitário (NEAMP, PUC-SP); não consegui segunda fonte aberta. - Fato estabelecido: Chefiou a seção de botânica do Museu Nacional até a aposentadoria compulsória, em 1964. [4]
- Fato estabelecido: Em 2001, o Senado criou o Diploma Bertha Lutz, concedido anualmente a pessoas que se destacam na defesa dos direitos da mulher. [5]
Fontes
- CPDOC, Fundação Getulio Vargas (Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro) — Berta Maria Júlia Lutz
consultada em 04/10/2026 - Câmara dos Deputados — A conquista do voto feminino: Bertha Lutz
consultada em 04/10/2026 - Câmara dos Deputados — Veja a cronologia do voto feminino no Brasil
consultada em 04/10/2026 - NEAMP, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo — Bertha Maria Júlia Lutz
consultada em 04/10/2026 - Senado Notícias, Senado Federal — Bertha Lutz
consultada em 04/10/2026
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