Botânica
Baobás gigantes: o carbono-14 mostrou troncos fundidos de mais de mil anos e o colapso de muitos dos maiores
Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026
Os anéis do baobá africano são tênues demais para contar, então a idade vem do carbono-14, medido em pequenas amostras de madeira. Em 2018, o grupo de Adrian Patrut relatou que 9 dos 13 baobás mais velhos e 5 dos 6 maiores do estudo morreram, ou perderam os troncos mais antigos, em cerca de 12 anos. A datação mostrou que muitos têm vários troncos fundidos, alguns com mais de mil anos. A causa das mortes não está esclarecida.
Baobá africano é Adansonia digitata. Em árvores de clima temperado, contar anéis dá a idade; no baobá, os anéis são tênues e há grandes ocos, então o método falha. O carbono-14 (14C) é um isótopo radioativo formado na atmosfera e absorvido pelas plantas na fotossíntese; depois de formada, a madeira deixa de receber carbono novo e o 14C decai, de modo que sua fração mede o tempo desde a formação. Como o 14C do ar variou no passado, o resultado é calibrado com uma curva de referência. O grupo de Adrian Patrut aplicou isso a amostras de poucos milímetros, tiradas com sonda, e interpretou o padrão de idades para reconstruir como esses baobás crescem.
Um indivíduo, cinco troncos
O Grootboom, na Namíbia, provavelmente o maior baobá africano conhecido, desabou em 2004. As datações indicaram que era uma árvore de cinco troncos, mas geneticamente um único indivíduo.
Por que os anéis não servem
Árvores de clima sazonal marcam o crescimento em anéis, mas o baobá africano forma anéis tênues, que podem deixar de se formar em partes do tronco, e tem grandes ocos internos. Por isso os autores consideram o radiocarbono o único método preciso para a idade dos baobás. Para a técnica dos anéis em outras árvores, veja o artigo sobre dendrocronologia.
O oco que não era oco
Num oco comum, a madeira mais velha fica perto do centro do tronco, dentro do oco. No Lebombo, as idades cresceram da parede do oco para dentro da madeira. Os autores interpretam isso como um "falso oco": o espaço entre cinco troncos fundidos em anel. A madeira mais velha de cada tronco fica perto desse espaço. É uma interpretação do grupo, apoiada nas datações.
Mortes recentes e causa em aberto
Em 2018, o mesmo grupo contou 9 dos 13 baobás mais velhos e 5 dos 6 maiores mortos ou com os troncos mais antigos colapsados em cerca de 12 anos, e disse que a causa ainda não estava clara. Em 2007, a queda do Grootboom coincidiu com uma doença de baobás pouco estudada na Namíbia, mas coincidência não prova causa. Nem o clima nem a doença ficam demonstrados pelas fontes que lemos.
Limites do método
A idade vale para o trecho de madeira amostrado, não para o indivíduo inteiro; cada baobá é uma amostra pequena; a interpretação de troncos fundidos vem de um grupo e não pode ser verificada abrindo a árvore, pois cortes invasivos não são permitidos nos monumentais. A calibração acrescenta incerteza de algumas décadas.
Como sabemos
Os resultados vêm de um mesmo grupo de pesquisa, e o artigo de 2018 foi lido só no resumo; a causa das mortes não é conhecida.
- Fato estabelecido: No estudo de 2018, 9 dos 13 baobás mais velhos e 5 dos 6 maiores indivíduos morreram ou tiveram os troncos mais antigos colapsados e mortos em cerca de 12 anos. [1] Resumo
Contexto: Baobás africanos datados pelo grupo de Adrian Patrut; o intervalo de 12 anos termina na época do artigo (2018). · Limitações: Só o resumo foi lido; o texto completo (Nature Plants) não foi acessível. Os grupos de 13 e 6 são os considerados pelo estudo, não todos os baobás do mundo. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Incerto: A causa dessas mortes ainda não está esclarecida, segundo o resumo do estudo de 2018. [1] Resumo
Contexto: Situação descrita em 2018. · Limitações: Qualquer explicação, incluindo mudança do clima, é hipótese dos autores ou de outros; o texto completo não foi lido e não afirmamos causa. · Causa não demonstrada na fonte lida. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: Os anéis de crescimento do baobá africano são tênues e não servem nem para datar árvores caídas, grandes e velhas. [2] Introdução
Contexto: Afirmação dos autores sobre Adansonia digitata. · Limitações: Os autores citam também que anéis podem deixar de se formar em partes do tronco e que há grandes ocos internos. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: O método do carbono-14 se baseia no decaimento beta do isótopo 14C, produzido na atmosfera superior por raios cósmicos. [4] Introdução
Contexto: Princípio geral do método, descrito em artigo em acesso aberto. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Plantas incorporam o carbono do ar pela fotossíntese, e o 14C da amostra é comparado ao da atmosfera, de onde vem a idade. [4] Introdução
Contexto: Princípio geral do método. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A idade em anos de radiocarbono precisa ser calibrada para virar idade em calendário, porque o 14C da atmosfera não foi constante; os estudos de baobá usam OxCal e a curva SHCal13. [4] Introdução [2] Métodos, Calibration
Contexto: Calibração do estudo do baobá Lebombo (curva SHCal13 do Hemisfério Sul). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Os autores datam pequenas amostras de madeira, tiradas sobretudo de ocos internos, por espectrometria de massa com acelerador (AMS), o que permite datar árvores em pé e vivas. [2] Introdução
Contexto: Método de amostragem do grupo, com sonda de incremento de 0,54 cm de diâmetro interno no caso do Lebombo. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Num oco comum, formado por remoção de madeira, a idade deveria diminuir da parede do oco para a parte externa do tronco. [2] Introdução
Contexto: Expectativa dos autores para ocos comuns, em que o centro do tronco (medula) estaria dentro do oco. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: No baobá Lebombo, em todas as sete amostras a idade aumentou com a profundidade na madeira, inclusive nas tiradas da parede do oco, o oposto do esperado para um oco comum. [2] Resultados, Dating results
Contexto: Uma árvore, Lebombo, em Moçambique, amostrada em 2014 (idades expressas em anos até 2014). · Limitações: Resultado de uma árvore; o mesmo grupo diz ter achado padrão semelhante em outras. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Interpretação: Os autores interpretam esses ocos como "falsos": espaços vazios entre vários troncos fundidos em anel, e não madeira removida de um tronco único. [2] Resumo
Contexto: Interpretação do grupo de Patrut a partir das datações; os cortes diretos da madeira não são permitidos pelas autoridades. · Limitações: Interpretação dos autores; "a única explicação realista" é afirmação deles, não de revisão independente. · Interpretação de um mesmo grupo de pesquisa. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A amostra mais velha do Lebombo deu 1425 ± 24 anos de radiocarbono (BP), o que corresponde à idade calibrada de 1355 ± 15 anos. [2] Resumo
Contexto: Segmento de madeira mais antigo de uma árvore, não a idade do indivíduo inteiro. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O Lebombo tem cinco troncos fundidos, com idades entre 900 e 1.400 anos. [2] Resumo
Contexto: Idades dos troncos pelo método dos autores; baobá do Lebombo, Moçambique, 2014. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O Grootboom, provavelmente o maior baobá africano conhecido, desabou no fim de 2004 no nordeste da Namíbia; seu segmento mais velho tinha idade calibrada de 1275 ± 50 anos. [3] Resumo
Contexto: Árvore datada depois de cair, em 2007. · Limitações: Só o resumo foi lido. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Interpretação: Morfologicamente o Grootboom era uma árvore de cinco troncos, mas geneticamente um único indivíduo, segundo os autores. [3] Resumo
Contexto: Resultado do estudo de 2007 sobre uma árvore. · Limitações: Só o resumo foi lido. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Hipótese: Os autores de 2007 notaram que o colapso do Grootboom coincidiu com a difusão de uma doença de baobás pouco estudada, que se tornou epidêmica na Namíbia; é coincidência apontada, não causa demonstrada. [3] Resumo
Contexto: Namíbia, 2004. · Limitações: Coincidência no tempo; o resumo não demonstra nexo causal. · Coincidência apontada pelos autores, sem demonstração de causa. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada
Fontes
- Nature Plants (Universidade Babes-Bolyai e outras) — The demise of the largest and oldest African baobabs
Patrut, A.; Woodborne, S.; Patrut, R. T.; Rakosy, L.; Lowy, D. A.; Hall, G.; von Reden, K. F. · 2018 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1038/s41477-018-0170-5 - PLOS ONE — African Baobabs with False Inner Cavities: The Radiocarbon Investigation of the Lebombo Eco Trail Baobab
Patrut, A.; Woodborne, S.; von Reden, K. F.; Hall, G.; Hofmeyr, M.; Lowy, D. A.; Patrut, R. T. · 2015 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0117193 - Tree Physiology — Radiocarbon dating of a very large African baobab
Patrut, A.; von Reden, K. F.; Lowy, D. A.; Alberts, A. H.; Pohlman, J. W.; Wittmann, R.; Gerlach, D.; Xu, L.; Mitchell, C. S. · 2007 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1093/treephys/27.11.1569 - PubMed Central (artigo em acesso aberto) — Extended dilation of the radiocarbon time scale between 40,000 and 48,000 y BP and the overlap between Neanderthals and Homo sapiens
2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 18; conferência de trechos automatizada)