Ecologia

Banhados do Sul: alagados que armazenam água e abrigam aves e peixes anuais, drenados para a lavoura

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Os seis biomas do Brasil

Banhados são áreas alagadas de modo permanente ou temporário, com alta diversidade biológica. No Rio Grande do Sul, a literatura os associa ao armazenamento de água e ao controle de cheias, e o Taim e a Lagoa do Peixe têm importância internacional para aves migratórias. Nas poças temporárias da região vivem peixes anuais, cujos embriões resistem à seca. Entre 1985 e 2021, a Planície Costeira perdeu 188 km² de áreas úmidas, ligados sobretudo à agropecuária.

"Banhado" é o nome regional, no Rio Grande do Sul, de um tipo de área úmida: terreno de solo saturado ou inundado por tempo suficiente para sustentar plantas adaptadas à oscilação da água, como as macrófitas aquáticas (plantas visíveis a olho nu que vivem total ou parcialmente na água). Na Planície Costeira do estado, onde há a maior ocorrência de áreas úmidas, os banhados se ligam a lagoas como a Mirim e a Mangueira. Funcionam como reservatório: a água que chega com as chuvas fica retida e é liberada aos poucos. Isso sustenta uma fauna que depende de a água subir e baixar, de aves a peixes cujo ciclo de vida acompanha as estações. É um contraste com o Pantanal, bem maior e tropical.

Peixes que vivem um ano e deixam ovos na lama

Os peixes anuais do gênero Austrolebias reproduzem-se na estação chuvosa. Os embriões ficam enterrados no fundo lamacento da poça seca, e todos os adultos morrem na seca. Eclodem quando a chuva volta.

O que torna um terreno um banhado

Os critérios usados combinam hidrologia (área inundada de forma permanente ou periódica, com solo saturado), solo (saturado ou inundado o bastante para sustentar macrófitas) e vegetação adaptada à variação do nível da água. Um estudo de um único banhado em Estrela, RS, fora do Pampa, com 1.420 m de extensão, listou 145 espécies de plantas em 44 famílias; serve de exemplo da riqueza vegetal, não de medida para todos.

Como sabemos: de onde vêm os números de perda

A perda de 188 km² vem do cruzamento de mapas anuais de cobertura da terra do MapBiomas, feitos com imagens de satélite de 30 m de resolução, entre 1985 e 2021. O método tem limite declarado pelos autores: campos úmidos, campos secos e banhados são confundidos nas imagens, e o MapBiomas subestimou a conversão para lavoura. Já o efeito da irrigação no Taim vem de simulação, não de medição, e é preliminar.

Aves, peixes e o ciclo da água

No Taim e na Lagoa do Peixe, as áreas úmidas têm valor internacional para aves migratórias. Os peixes anuais mostram outro modo de depender da água: o adulto vive uma estação, e o embrião atravessa a seca enterrado na lama da poça. Se a poça fosse drenada, o ciclo não se completaria; isso é consequência lógica do ciclo descrito, não um resultado medido nas fontes lidas.

Drenagem, arroz e conflito pela água

A lavoura de arroz irrigado alterna fases alagadas e secas e, quando alagada, serve de habitat para plâncton, peixes, anfíbios e aves aquáticas, segundo a Embrapa. Isso não a torna um banhado. No Taim, as lavouras tiram água da Lagoa Mangueira e geram conflito com a manutenção do banhado. A drenagem para lavoura aparece nas fontes como o principal modo de perda.

Como sabemos

Definição, perda de área e ciclo dos peixes anuais têm fontes abertas lidas; as funções hidrológicas vêm de revisões de literatura e não de medição em banhados do Pampa.

Fontes

  1. Geo UERJ — Mudanças da cobertura e uso da terra nas áreas úmidas da região geomorfológica Planície Costeira – RS
    Belloli, T. F.; Guasselli, L. A.; Cunha, C. S.; Korb, C. C. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.12957/geouerj.2024.79462
  2. Pesquisas, Botânica (Instituto Anchietano de Pesquisas, Unisinos) — Composição florística de um banhado no município de Estrela/Rio Grande do Sul
    Spellmeier, J.; Périco, E.; Freitas, E. M. · 2009 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  3. Universidade Federal de Santa Maria; XXIII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos — Avaliação da influência da irrigação nos níveis do Banhado do Taim por meio de modelagem hidrológica
    Bulé, B. P.; Tassi, R.; Perius, C. F.; Paula, S. C. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  4. Frontiers in Genetics — Living in Temporary Ponds Loading Giant Genomes: The Neotropical Annual Killifish Genus Austrolebias as New Outstanding Model
    García, G. et al. · 2022 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.3389/fgene.2022.903683
  5. Embrapa Clima Temperado — Guia de identificação de peixes associados a lavouras de arroz irrigado do extremo sul do Rio Grande do Sul
    Pagel, I. A.; Sosinski, L. T. W. · 2016 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 12; conferência de trechos automatizada)

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