Ciências da Terra

Para onde vai a luz do Sol que chega à Terra: o balanço de energia do planeta

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Tempo e clima

Em média, chegam ao topo da atmosfera cerca de 340 W/m² de luz solar. Perto de 29% disso volta ao espaço refletido por nuvens, partículas e superfícies claras; os outros 71% são absorvidos e, para a temperatura se manter, têm de sair como radiação infravermelha. O planeta esquenta quando absorve mais do que emite. Satélites indicam um saldo positivo de cerca de 1 W/m² entre 2013 e 2022.

Watt por metro quadrado (W/m²) mede potência por área: joules de energia por segundo em cada metro quadrado. De frente para o Sol, o topo da atmosfera recebe cerca de 1.360 W/m²; como a Terra é uma esfera que gira, a média sobre o planeta é um quarto disso, cerca de 340 W/m². Albedo é a fração da luz refletida. O que não é refletido aquece a superfície e a atmosfera, e o planeta devolve energia ao espaço como radiação infravermelha (calor). Se entra mais do que sai, o sistema acumula energia; se sai mais, esfria. Esse saldo é o desequilíbrio energético da Terra.

Meio petawatt de saldo

Um saldo de 0,9 W/m² parece pouco diante dos cerca de 240 W/m² que entram e saem. Somado sobre a Terra inteira, porém, é cerca de 0,5 petawatt (5 × 10¹⁴ W), segundo Trenberth e colegas.

Absorção e perdas no caminho

Dos 340 W/m², cerca de 29% são refletidos, cerca de 23% absorvidos na atmosfera e cerca de 48% na superfície. A superfície se livra desse calor por evaporação (cerca de 25% da energia solar incidente), convecção (cerca de 5%) e infravermelho líquido. O resultado: a maior parte do aquecimento ocorre na superfície, mas a maior parte do resfriamento para o espaço ocorre na atmosfera. O papel dos gases de efeito estufa nessa troca está no artigo sobre o efeito estufa.

O que mantém e o que quebra o equilíbrio

Como a emissão cresce com a quarta potência da temperatura, um planeta mais quente emite mais e tende a voltar ao equilíbrio. Esse equilíbrio é global: o equador absorve mais do que perde e os polos, o contrário, e vento e correntes oceânicas transportam o calor. Forçantes, como erupções, aerossóis ou gases de efeito estufa, mudam quanto entra ou sai e empurram o sistema para outro equilíbrio. A resposta da superfície leva tempo por causa do oceano.

Como sabemos: um sinal menor que o erro do instrumento

O saldo (cerca de 1 W/m²) é em torno de 0,4% dos fluxos que entram e saem. O CERES mede esses fluxos por satélite, mas seu saldo absoluto bruto chega a 4,3 W/m², maior que o esperado. Por isso se ancora o satélite em outro método: o aquecimento do oceano medido no local, onde vai cerca de 90% do calor. As variações e tendências são confiáveis, e o valor absoluto depende desse ajuste. Na superfície, a incerteza é maior, pois quase não há medição direta.

O desequilíbrio atual

O saldo positivo dobrou, de 0,5 ± 0,2 para 1,0 ± 0,2 W/m². O aumento veio de mais radiação solar absorvida (0,9 ± 0,3 W/m²), em parte compensado por mais infravermelho emitido (0,4 ± 0,25 W/m²). Menos nuvens baixas e médias aparecem como explicação principal nos dados, mas a contribuição de forçamento ou de variabilidade interna não foi descartada. Quanto a Terra esquenta por unidade de desequilíbrio é tema do artigo sobre sensibilidade climática.

Como sabemos

Os números centrais vêm de fontes abertas lidas na íntegra; os percentuais da NASA e o saldo atual dependem de ajustes e têm incerteza declarada.

Fontes

  1. NASA Earth Observatory — Climate and Earth’s Energy Budget
    NASA Earth Observatory · 2009 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. Bulletin of the American Meteorological Society (NCAR) — Earth's global energy budget
    Trenberth, K. E.; Fasullo, J. T.; Kiehl, J. · 2009 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1175/2008BAMS2634.1
  3. Surveys in Geophysics — Observational Assessment of Changes in Earth’s Energy Imbalance Since 2000
    Loeb, N. G.; Ham, S.-H.; Allan, R. P.; Thorsen, T. J.; Meyssignac, B.; Kato, S.; Johnson, G. C.; Lyman, J. M. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1007/s10712-024-09838-8
  4. Scientific Reports — Robust acceleration of Earth system heating observed over the past six decades
    Minière, A.; von Schuckmann, K.; Sallée, J.-B.; Vogt, L. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41598-023-49353-1
  5. Nature Geoscience — An update on Earth's energy balance in light of the latest global observations
    Stephens, G. L. et al. · 2012 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/ngeo1580
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 2; conferência de trechos automatizada)

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