Grandes descobertas

Bactérias que adubam a soja: como o Brasil dispensou o adubo nitrogenado

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

A soja precisa de cerca de 80 kg de nitrogênio para cada tonelada de grão. No Brasil, essa quantidade vem de bactérias do gênero Bradyrhizobium, colocadas nas sementes antes do plantio, que captam o nitrogênio do ar em associação com as raízes. A pesquisa começou nos anos 1950 e as estirpes foram selecionadas nos anos 1960.

O nitrogênio é o nutriente que a soja exige em maior quantidade, e o ar é feito sobretudo de nitrogênio, mas a planta não consegue usá-lo sozinha. Bactérias conhecidas como rizóbios conseguem. Na soja, elas vivem em associação com as raízes, que formam nódulos, e entregam à planta o nitrogênio capturado da atmosfera. Johanna Döbereiner e Ruy Jardim Freire começaram a estudar o processo nos anos 1950. Nos anos 1960, a Embrapa selecionou estirpes e os inoculantes passaram a ser usados em larga escala. Com isso, a cultura dispensa o adubo nitrogenado químico, o que tornou a soja economicamente viável no país.

Prêmio de US$ 500 mil

Em 2025, a microbiologista brasileira Mariangela Hungria, da Embrapa, recebeu o Prêmio Mundial da Alimentação, de US$ 500 mil, por cerca de 40 anos de pesquisa sobre bactérias que substituem fertilizantes químicos.

Por que o nitrogênio limita a soja

Segundo a Embrapa, o nitrogênio é o nutriente de que a soja precisa em maior quantidade: cerca de 80 kg para cada tonelada de grão. Como a atmosfera é rica em nitrogênio mas a planta não o aproveita diretamente, a oferta desse elemento define o quanto a lavoura pode produzir. Em muitas culturas, a solução é o adubo químico. Na soja brasileira, a solução veio de microrganismos.

Quem descobriu e quando

A pesquisa brasileira sobre fixação biológica de nitrogênio começou nos anos 1950 com Johanna Döbereiner e Ruy Jardim Freire. Nos anos 1960, a Embrapa selecionou estirpes de bactérias e os inoculantes passaram a ser usados em larga escala. O resultado, segundo a revista Pesquisa FAPESP, foi dispensar o adubo nitrogenado químico e tornar a soja economicamente viável no país.

O trabalho continua

Mariangela Hungria passou a pesquisar soja no Paraná em 1991 e recebeu o Prêmio Mundial da Alimentação em 2025. Em 2014, a coinoculação com Azospirillum brasilense, bactéria que promove o crescimento das plantas, elevou em 16% o rendimento médio da soja em comparação com o uso só de Bradyrhizobium, segundo a Pesquisa FAPESP.

A tecnologia resiste a mudanças no manejo

Em estudo de Hungria e colegas, publicado em 2013, a eficiência da simbiose foi comparada em seis locais e três safras entre soja transgênica com glifosato e soja convencional com outros herbicidas. Os dois sistemas tiveram eficiência simbiótica comparável, com pequenos efeitos em alguns locais. A produtividade foi maior com glifosato e soja transgênica em três dos seis locais.

Como sabemos

Fatos centrais confirmados em Embrapa e FAPESP; valores de economia em dólares e detalhes bioquímicos ficaram de fora por não terem sido abertos na fonte.

Fontes

  1. Pesquisa FAPESP — Os primeiros inoculantes
    consultada em 06/10/2026
  2. Embrapa — Tema: Fixação biológica de nitrogênio
    consultada em 06/10/2026
  3. Associated Press (reproduzido por UNB) — Food grown with fewer chemicals: a Brazilian scientist wins $500,000 for showing the way
    consultada em 06/10/2026
  4. Embrapa Soja — Soja: dados econômicos
    consultada em 06/10/2026
  5. Pesquisa FAPESP — Perfil de Mariangela Hungria
    consultada em 06/10/2026
  6. Embrapa (Hungria et al., 2013) — Effects of glyphosate-resistant gene and herbicides on biological nitrogen fixation symbiotic efficiency and grain productivity of soybean in Brazil
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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