Geografia
Rios e bacias do Brasil: 12 regiões hidrográficas, e a Amazônica leva cerca de três quartos da vazão média
Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026
O território brasileiro está dividido em 12 regiões hidrográficas desde a Resolução 32/2003 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. A Amazônica ocupa 45% do território e tem vazão média de 132.145 m³/s, 74% da média nacional (179.516 m³/s, segundo a ANA em 2015); em disponibilidade hídrica, que considera a estiagem, chega a 81%. Regiões do semiárido ou muito povoadas dispõem de bem menos.
Bacia hidrográfica é a área de terreno cuja água escoa para um mesmo rio. No Brasil, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos chama de região hidrográfica uma bacia, ou um grupo de bacias contíguas, com características naturais, sociais e econômicas parecidas, para facilitar o planejamento da água. A vazão é o volume de água que passa por uma seção do rio por segundo (m³/s). Há duas medidas diferentes: a vazão média natural de longo período, que mostra quanto a bacia produz em média, e a disponibilidade hídrica, que é a água com que se pode contar mesmo nas estiagens. Misturar as duas é a principal fonte de confusão ao comparar regiões.
O rio que tem metade fora de casa
A região hidrográfica Amazônica só conta a parte brasileira da bacia. A ANA registra que os 2,2 milhões de km² da bacia fora do país contribuem com mais 86.321 m³/s de vazão média, que não entram no número de 132.145 m³/s.
Como o país foi dividido
A Resolução nº 32 do CNRH, de 15 de outubro de 2003, instituiu a Divisão Hidrográfica Nacional. Sete das 12 regiões correspondem a um rio: Amazônica, Tocantins/Araguaia, Parnaíba, São Francisco, Paraná, Uruguai e Paraguai. As outras cinco, as Atlânticas (Nordeste Ocidental, Nordeste Oriental, Leste, Sudeste e Sul), juntam rios que deságuam direto no oceano. Para rios que cruzam fronteiras, como Amazonas, Paraná, Uruguai e Paraguai, a região cobre só o trecho brasileiro. O IBGE e a ANA mantêm ainda níveis menores de recorte dentro de cada região.
Onde está a maior parte da vazão
A região Amazônica tem cerca de 3.870 mil km², 45% do território. Recebe em média 2.205 mm de chuva por ano, cerca de 25% acima da média nacional (1.761 mm). A ANA estima sua vazão média em 132.145 m³/s, 74% da nacional, e sua disponibilidade superficial em 73.748 m³/s, 81% da do país. Em um relatório anterior, a agência resume: cerca de 80% da disponibilidade hídrica brasileira está nessa região, que tem o menor contingente populacional e baixas demandas.
O contraste com o restante do país
A água fica longe de quem mais a usa. A região do Paraná tem 10% do território e 6,6% da vazão média, mas 31% da demanda de água do país. No Atlântico Nordeste Oriental, em grande parte no semiárido, a vazão média é de 774 m³/s, mas a disponibilidade, contando a vazão regularizada por reservatórios, é de 91,5 m³/s, 0,1% da nacional. As regiões com menos chuva (São Francisco, Atlântico Leste, Nordeste Oriental e Parnaíba) ficam entre 1.003 e 1.064 mm por ano. O rio São Francisco é tratado em outro artigo.
Como sabemos: vazão média, vazão natural e disponibilidade
Os números vêm de relatórios da ANA, que combinam chuva e vazões em pontos de monitoramento. A vazão natural é a que a bacia produziria sem interferência humana; como ela varia entre estações e anos, a média não diz quanta água está disponível. Por isso a agência usa a vazão de estiagem, a que o rio supera em 95% do tempo, mais a regularizada por reservatórios. Limites: são estimativas, mudam um pouco entre edições (o total nacional foi 179.938 m³/s em 2013 e 179.516 m³/s em 2015) e as regiões hidrográficas somam áreas muito diferentes.
Como sabemos
Números oficiais da ANA e normas do CNRH/IBGE lidos nos documentos; estimativas variam entre edições e a página inicial da pauta (ANA) exige login.
- Fato estabelecido: A Divisão Hidrográfica Nacional, em regiões hidrográficas, foi instituída pela Resolução nº 32, de 15 de outubro de 2003, do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH). [3] Art. 1º [4] 1. Introdução
Contexto: Território brasileiro; norma vigente desde a publicação, que o IBGE e a ANA adotam como base comum de recortes hidrográficos. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Pela resolução, região hidrográfica é o espaço territorial brasileiro formado por uma bacia, um grupo de bacias ou sub-bacias contíguas, com características naturais, sociais e econômicas homogêneas ou similares. [3] Art. 1º, parágrafo único
Contexto: Definição legal usada para planejar e gerenciar recursos hídricos; não é uma definição física de bacia. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A divisão tem 12 regiões hidrográficas: sete correspondem à bacia de um rio (ou à parte brasileira dela) e cinco reúnem rios que deságuam direto no Atlântico. [3] Anexo II (Uruguai)
Contexto: Contagem nossa a partir do Anexo II: Amazônica, Tocantins/Araguaia, Parnaíba, São Francisco, Paraná, Uruguai e Paraguai (rios); Atlântico Nordeste Ocidental, Nordeste Oriental, Leste, Sudeste e Sul (rios que deságuam direto no Atlântico). · Limitações: A Amazônica inclui também rios da Ilha de Marajó e do Amapá, e Amazonas, Paraná, Uruguai e Paraguai entram só com a parte em território brasileiro. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: A Região Hidrográfica Amazônica tem área aproximada de 3.870 mil km², 45% do território nacional; a bacia Amazônica inteira abrange cerca de 6 milhões de km² em sete países. [2] Região Hidrográfica Amazônica, introdução
Contexto: A região hidrográfica se limita ao território brasileiro; a bacia continental é maior. · Áreas aproximadas, como a própria ANA as apresenta. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Segundo a ANA, a vazão média da Região Hidrográfica Amazônica é de 132.145 m³/s, 74% da vazão média nacional (179.516 m³/s). [2] RH Amazônica, texto de caracterização
Contexto: Vazão média natural de longo período, só da parte brasileira da bacia; o total nacional também considera só o território brasileiro. · Limitações: A edição de 2013 do relatório da ANA traz total nacional de 179.938 m³/s (73,4% para a Amazônica, cálculo nosso: 132.145 ÷ 179.938); a diferença vem de revisões em bacias. Os percentuais variam pouco com a edição. · Estimativa hidrológica da ANA, não uma medição direta de todo o território. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: A disponibilidade hídrica superficial da Região Amazônica é de 73.748 m³/s, 81% da disponibilidade superficial do país (91.071 m³/s). [2] RH Amazônica, texto de caracterização
Contexto: Disponibilidade é a vazão de estiagem (permanência de 95%) mais a regularizada por reservatórios, não a vazão média. · Limitações: A edição de 2013 traz 73.748 de 91.271 m³/s no país (80,8%, cálculo nosso); a ANA diz 'cerca de 80%'. · Estimativa com base nas séries da rede de monitoramento da ANA e em estudos de disponibilidade. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Cerca de 80% da disponibilidade hídrica do Brasil está na Região Amazônica, onde há o menor contingente populacional e valores reduzidos de demandas consuntivas (usos que retiram água e não a devolvem por inteiro). [1] 1. Disponibilidade hídrica, abertura
Contexto: Relatório Conjuntura 2013 (dados de 2012). · O texto da ANA diz 'cerca de'; a definição entre parênteses é nossa explicação do termo. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: A bacia Amazônica tem 2,2 milhões de km² fora do Brasil, que contribuem com mais 86.321 m³/s de vazão média, valor que não entra nos 132.145 m³/s da região brasileira. [1] Tabela 1.3, nota
Contexto: Soma 132.145 + 86.321 = 218.466 m³/s para a bacia inteira seria cálculo nosso, não número da ANA, e não foi usada no texto. · Limitações: Há pequenas diferenças entre edições do relatório. · Estimativa da ANA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: No Brasil, a chuva média anual (1961-2007) é de 1.761 mm, de cerca de 500 mm no semiárido nordestino a mais de 3.000 mm na Amazônia; a região hidrográfica Amazônica recebe 2.205 mm, cerca de 25% acima da média nacional. [1] 1.1.1 Precipitação média no País [2] RH Amazônica, texto de caracterização
Contexto: Médias do período 1961-2007 calculadas pela ANA/INMET. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: As regiões com menos chuva são São Francisco (1.003 mm), Atlântico Leste (1.018 mm), Atlântico Nordeste Oriental (1.052 mm) e Parnaíba (1.064 mm). [1] 1.1.1 Precipitação média no País
Contexto: Médias anuais de 1961 a 2007. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A vazão natural é a que se origina na bacia sem interferência humana; a média dela não representa bem a disponibilidade de água, porque a descarga dos rios é sazonal e varia de um ano para outro. [1] 1.2.1 Disponibilidade hídrica e vazões médias
Contexto: Metodologia da ANA para os relatórios de conjuntura. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Para estimar a disponibilidade superficial, a ANA soma a vazão de estiagem (a que o rio iguala ou supera em 95% do tempo) nos trechos sem regularização e a vazão regularizada pelos reservatórios com 100% de garantia. [1] 1.2.1 Disponibilidade hídrica e vazões médias
Contexto: Método de ANA (2007) usado nas edições de 2009 a 2013 do relatório. · Limitações: Vazão com permanência de 95% = valor igualado ou superado em 95% do tempo; a explicação entre parênteses é nossa. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: A Região Hidrográfica do Paraná ocupa cerca de 10% do território, tem 6,6% da vazão média nacional e responde por 31% da demanda total de água do país. [2] RH Paraná, caracterização
Contexto: Demanda total estimada com ano-base 2010, segundo a ANA. · Demanda estimada, não medida. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: No Atlântico Nordeste Oriental, a vazão média é de 774 m³/s, mas a disponibilidade superficial, contando a vazão regularizada por reservatórios, é de 91,5 m³/s, 0,1% da do país. [2] RH Atlântico Nordeste Oriental, caracterização
Contexto: Região em grande parte no semiárido; rios intermitentes. · Estimativa da ANA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A divisão em regiões hidrográficas tem subdivisões: o IBGE e a ANA organizam três níveis de recortes (macro, meso e microrregiões hidrográficas), do mais amplo ao mais detalhado. [4] 2.1 Distribuição
Contexto: Base DHN250 (2021), parceria IBGE e ANA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
- Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) — Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2013, capítulo 1: Disponibilidade Hídrica
Agência Nacional de Águas (ANA) · 2013 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 - Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) — Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil: regiões hidrográficas brasileiras (edição especial)
Agência Nacional de Águas (ANA), Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos · 2015 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 - Conselho Nacional de Recursos Hídricos / Ministério do Meio Ambiente (cópia no site do CEIVAP) — Resolução CNRH nº 32, de 15 de outubro de 2003 (Divisão Hidrográfica Nacional)
Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) · 2003 · Fonte histórica primária · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 - IBGE, Diretoria de Geociências — Divisão Hidrográfica Nacional DHN250: documentação técnica
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) · 2021 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 19; conferência de trechos automatizada)