Oceanografia

Atol das Rocas: feito sobretudo por algas calcárias e vermetídeos, não por corais, no Atlântico Sul

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

O Atol das Rocas, a 230 km da costa do Rio Grande do Norte, é descrito na literatura científica como o único atol do Atlântico Sul. Ao contrário da maioria dos atóis, não foi construído sobretudo por corais, mas por algas vermelhas calcárias, caramujos vermetídeos e foraminíferos incrustantes, sobre um monte vulcânico submarino. Em sondagem, a camada recifal holocênica tem 12 m de espessura e a datação mais antiga, de coral, é de 4,86 mil anos.

Um atol é um recife em anel que cerca uma laguna rasa. O das Rocas fica no Atlântico equatorial, a 230 km da costa nordeste do Brasil segundo um artigo e a 266 km de Natal segundo outro; as referências de distância diferem. É um dos menores atóis do mundo, com eixos de 3,35 por 2,49 km. Os construtores do recife são organismos que depositam calcário: algas vermelhas calcárias crustosas, caramujos vermetídeos (moluscos de concha tubular que se fixam na rocha), foraminíferos incrustantes (organismos unicelulares com concha calcária) e, em papel menor, corais. A estrutura se apoia num monte vulcânico submarino de topo achatado, um guyot, que sobe de 4.000 m de profundidade.

Um atol que a maré quase afoga

As marés das Rocas variam até 3,8 m. Na maré cheia o recife fica quase todo submerso e só as ilhas de areia continuam emersas; na vazante, quase todo ele aparece, e o mergulho dentro do atol se concentra nessa hora.

O monte que sustenta o recife

O recife cresce na parte oeste de um monte vulcânico submarino de topo achatado, um guyot, que sobe de cerca de 4.000 m de profundidade e integra uma cadeia de montes na Zona de Fratura de Fernando de Noronha. Ninguém obteve amostras desse monte. Sua composição é inferida por comparação com Fernando de Noronha, da mesma zona de fratura, cujas rochas vulcânicas têm de 1,7 a 12,3 milhões de anos. O recife em si é bem mais novo: seus corais datados têm até 4,86 mil anos.

Quem constrói, em ordem de importância

Na descrição estrutural de Gherardi e Bosence (2001), relatada por Pereira e colaboradores (2013), as algas vermelhas calcárias formam o arcabouço principal, sobretudo Porolithon cf. pachydermum. Entram depois, como construtores secundários, vermetídeos, o foraminífero Homotrema rubrum, acervulinídeos, tubos de vermes poliquetas e corais. Um levantamento de 2008 achou algas calcárias, corais, vermetídeos e Homotrema. Já a areia das ilhas e poças vem de esqueletos desses mesmos grupos.

Como sabemos: sísmica, testemunho e datação

A espessura e a idade do recife vêm de um levantamento sísmico e de sondagem com testemunhos, feitos por Kikuchi e Leão (1997) e relatados por Pereira e colaboradores (2013). Acharam três camadas: a superior, holocênica, tem 12 m e é de algas calcárias, vermetídeos, foraminíferos e corais; a inferior tem velocidade sísmica típica de basalto. A datação mais antiga, de coral, é de 4,86 mil anos. Isso é um mínimo: o início do recife pode ser anterior, e a taxa de 1,5 a 3,2 m por milênio é suposta.

Aves e tartarugas nas ilhas de areia

Na maré cheia só as ilhas de areia ficam emersas. Segundo um artigo de 2024, o atol abriga a maior colônia de aves marinhas do Atlântico Sul, e ele cita mais de 143 mil aves das cinco espécies mais abundantes que nidificam ali, número de Schulz-Neto que não conferimos. O estudo amostrou 267 aves de sete espécies. Tartarugas-verdes também desovam no atol, mas análises de ovos de 2017 e 2018 não definiram onde as fêmeas se alimentam.

Como sabemos

Geologia e datações vêm de segunda mão (artigo de 2013 que relata estudos anteriores); autoria dos construtores e dados de aves e tartarugas têm fonte direta, mas a contagem de aves também é citada.

Em debate: Autores do passado trataram Rocas como banco emerso ou quase-atol; Soares e colaboradores (2009) argumentam que a morfologia basta para classificá-lo como atol, e os artigos de 2013 e 2015 lidos o tratam como atol.

Fontes

  1. PLoS ONE — Between-Habitat Variation of Benthic Cover, Reef Fish Assemblage and Feeding Pressure on the Benthos at the Only Atoll in South Atlantic: Rocas Atoll, NE Brazil
    Longo, G. O.; Morais, R. A.; Martins, C. D. L. et al. · 2015 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0127176
  2. Anais da Academia Brasileira de Ciências — Detrital carbonate sedimentation of the Rocas Atoll, South Atlantic
    Pereira, N. S.; Manso, V. A. V.; Macedo, R. J. A.; Dias, J. M. A.; Silva, A. M. C. · 2013 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1590/S0001-37652013000100005
  3. Biotemas (Universidade Federal de Santa Catarina) — Reef Bioconstructors of Rocas Atoll, Equatorial South Atlantic
    Soares, M. O.; Meirelles, C. A. O.; Lemos, V. B. · 2011 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.5007/2175-7925.2011v24n2p37
  4. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária — Toxoplasma gondii antibodies in tropical seabirds from the Rocas Atoll Biological Reserve, Brazil
    Mariani, D. B.; Gennari, S. M.; Soares, H. S. et al. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1590/S1984-29612024052
  5. Marine Pollution Bulletin — Trace elements and stable isotopes in egg yolk of green turtles on Rocas Atoll, Brazil
    Resumo indexado no PubMed (Marine Pollution Bulletin) · 2021 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1016/j.marpolbul.2020.111821
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 13; conferência de trechos automatizada)

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