História da África

Askia Muhammad assumiu o poder em 1493 e, em 35 anos de governo, levou o Império Songhai ao auge

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Muhammad Ture, conhecido como Askia Muhammad, derrubou a dinastia dos Sunni em 1493 e fundou a dinastia dos Askia, com capital em Gao, no atual Mali. Em 1496, fez a peregrinação a Meca e, no Egito, recebeu o título de representante do califado em seus domínios. Governou um império que ia do litoral atlântico, a oeste, até Aïr, no atual Níger, ao norte, e foi afastado do poder em 1528 pelo filho Musa.

Antes dele, Sonni Ali Ber (1464–1492) havia expandido o Songhai com campanhas contra tuaregues, fulas e mossis. Depois de sua morte, Muhammad Ture tomou o poder e foi proclamado askia. Ele dividiu o império em vice-reinos, fez de Gao a capital e apoiou os estudiosos de Tombuctu, que com Gao se tornou centro intelectual e religioso do Oeste africano. A prosperidade do império vinha do controle das rotas transaarianas e do comércio de ouro e sal, como acontecera com Gana e Mali antes. A dinastia durou até a invasão marroquina de 1591. Seu túmulo, uma pirâmide de barro de 17 metros em Gao, é Patrimônio Mundial desde 2004.

Uma pirâmide de barro no Sahel

Conta-se que Askia, ao passar pelas pirâmides do Egito, decidiu erguer um túmulo piramidal em Gao. A UNESCO lembra que a forma também pode vir de tradições saarianas de túmulos em montículo, e que se discute se ele foi enterrado ali: em Gao, a crença geral é que seu corpo está em outro lugar.

Do Sunni ao Askia

O Songhai já era grande sob Sonni Ali Ber, que reinou de 1464 a 1492 e combateu tuaregues, fulas e mossis nas fronteiras do império. Com a morte dele, Muhammad Ture tomou o poder e inaugurou a dinastia dos Askia. As fontes discordam sobre a ligação entre os dois: sobrinho, para a UNESCO, general e primeiro-ministro, para a EBSCO. Segundo esta última, a disputa teve forte componente religioso, pois a comunidade muçulmana urbana pressionava por mais atenção ao direito islâmico.

A peregrinação de 1496

Em 1496, Askia Muhammad partiu para Meca. Pelo caminho, no Egito, foi nomeado representante do califado em seus domínios, o que reforçou seu prestígio entre os muçulmanos. Consultou ainda estudiosos, entre eles al-Maghili, sobre como governar segundo a lei islâmica. Segundo a EBSCO, ao voltar ele introduziu o direito islâmico, mas manteve práticas tradicionais no palácio, o que mostra um governante que equilibrava duas fontes de legitimidade.

Governar um império

Askia dividiu o império em cinco vice-reinos, com governantes nomeados, e fez de Gao a capital. A UNESCO descreve um império que ia do Atlântico a Aïr e ao limite da floresta, apoiado no controle das rotas do Saara e do comércio de ouro e sal. Foi sucessor de Gana e do Mali. Sob seu reinado, o Songhai e Tombuctu formaram o centro intelectual e religioso da África Ocidental, com laços comerciais e culturais com o norte da África, a Europa e o Oriente Médio.

O fim do reinado e a memória

Em 1528, Askia Muhammad foi afastado do poder pelo filho Musa, depois de ficar quase cego. A data de sua morte é 1529, para a UNESCO, ou 1538, para a EBSCO. A dinastia que ele fundou durou até 1591, quando o Marrocos invadiu o Songhai. Sua história chegou a nós por duas vias: crônicas em árabe escritas em Tombuctu nos séculos XVI e XVII e uma epopeia oral songhai, recitada por griôs, que a Universidade Columbia registra em seu projeto sobre epopeias do mundo.

Como sabemos

O marco de 1493, a peregrinação de 1496 e o túmulo são bem documentados; origem familiar, data da morte e circunstâncias do afastamento variam entre fontes e são apresentadas como tal.

Em debate: Origem familiar: a UNESCO fala em sobrinho de Sonni Ali; a EBSCO, em general e primeiro-ministro.

Em debate: Data da morte: 1529 (UNESCO) ou 1538 (EBSCO).

Em debate: Se foi deposto à força ou convidado a abdicar, por ter ficado quase cego na velhice.

Em debate: Se o túmulo guarda seu corpo: em Gao se acredita que não.

Em debate: Data do túmulo (1495, segundo a UNESCO) frente à peregrinação, situada em 1496 por outras fontes.

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre / ICOMOS — Tomb of Askia (Mali), No 1139: avaliação e proposta de inscrição
    consultada em 04/10/2026
  2. Columbia University, projeto World Epics — The Epic of Askia Mohammed
    consultada em 04/10/2026
  3. EBSCO Research Starters (Salem Press) — Reign of Mohammed I Askia
    consultada em 04/10/2026
  4. Encyclopedia of Islam and the Muslim World (via Encyclopedia.com) — Askiya Muhammad (r. 1493–1529)
    consultada em 04/10/2026
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