Biologia

Armillaria: o fungo gigante do Oregon e a pergunta sobre o que é um indivíduo

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

No leste do Oregon, nos Estados Unidos, uma única colônia genética do fungo Armillaria ostoyae ocupa cerca de 965 hectares (9,65 km²) de floresta, segundo um levantamento publicado em 2003. A distância máxima entre amostras dela é de cerca de 3,8 km. Quase tudo fica sob o solo, entre raízes de árvores. É uma das maiores áreas já atribuídas a um só indivíduo genético, mas "indivíduo" aqui é um critério dos pesquisadores.

Pesquisadores mapearam a doença de raízes causada por Armillaria em cerca de 16.100 hectares de floresta de coníferas nas Montanhas Azuis, no nordeste do Oregon. Isolaram o fungo de árvores doentes e compararam geneticamente as amostras: acharam cinco colônias distintas de A. ostoyae. A maior, de cerca de 965 hectares, foi tratada como um só indivíduo porque as amostras eram geneticamente idênticas. Como o corpo do fungo é uma rede de filamentos no solo, não existe um "tronco" para medir: o tamanho vem de mapear onde a identidade genética se repete. O mesmo critério já havia sido usado em 1992, em Michigan, com outra espécie do gênero.

A idade é um intervalo, não um número

Os autores calcularam a idade da colônia do Oregon com três estimativas de velocidade de expansão do fungo em florestas de coníferas. O resultado vai de 1.900 a 8.650 anos, uma diferença de mais de quatro vezes.

Medir pelo DNA, não pela vista

Árvores e animais têm um corpo que se vê. Um fungo de Armillaria vive como rede de filamentos entre solo e raízes, e só os cogumelos de outono aparecem. Para saber o que é um indivíduo, os pesquisadores coletam amostras em muitos pontos e comparam marcadores genéticos. Onde a identidade se repete, o mapa dessa colônia ganha contorno. No Oregon, essa conta cobriu cerca de 965 hectares.

Um intervalo de 1.900 a 8.650 anos

Ninguém contou anéis nesse fungo. A idade foi calculada dividindo a distância entre amostras pela velocidade com que a colônia se expande, e a velocidade varia conforme o solo e o clima. Por isso o artigo original apresenta uma faixa ampla. Esse é um bom exemplo de estimativa honesta: o número é útil como ordem de grandeza, e não como data de nascimento.

Quando a estimativa muda

O caso de Michigan mostra como esses números se movem. Em 1992, o indivíduo foi descrito com no mínimo 15 hectares. Em 2018, com 248 amostras e sequenciamento do genoma, o estudo falou em cerca de 75 hectares e 2.500 anos. A espécie era a mesma, mas houve mais amostras e novas técnicas, e o tamanho cresceu.

Indivíduo é uma definição

Chamar a colônia de um só organismo depende do critério. Se vale a identidade genética, ela é um indivíduo. Se se exige continuidade física comprovada de todo o micélio, a conclusão é mais difícil de verificar. Outras colônias, como o choupo Pando em Utah, levantam a mesma pergunta em plantas, com outro tipo de corpo.

Como sabemos

Números centrais vêm do resumo do artigo original (Ferguson et al., 2003) e de artigos de Smith e Anderson; idade e peso são tratados como estimativas.

Em debate: Identidade genética em todos os pontos amostrados é o critério usado para falar em um só organismo. Isso não prova, por si só, que todo o micélio seja uma massa contínua e conectada hoje. A literatura também reconhece a continuidade fisiológica direta como outro critério, e os limites do conceito para fungos seguem em debate.

Fontes

  1. Canadian Journal of Forest Research (Ferguson, Dreisbach, Parks, Filip, Schmitt) — Coarse-scale population structure of pathogenic Armillaria species in a mixed-conifer forest in the Blue Mountains of northeast Oregon
    consultada em 06/10/2026
  2. Nature, 1992 (Smith, Bruhn, Anderson); Michigan Technological University — The fungus Armillaria bulbosa is among the largest and oldest living organisms
    consultada em 06/10/2026
  3. Proceedings of the Royal Society B, 2018 (Anderson et al.), via Europe PMC — Clonal evolution and genome stability in a 2500-year-old fungal individual
    consultada em 06/10/2026
  4. Tom Volk, Universidade de Wisconsin-La Crosse — The Humongous Fungus - Ten Years Later
    consultada em 06/10/2026
  5. David Moore, Universidade de Manchester — 21st Century Guidebook to Fungi, cap. 14.4 Armillaria (Basidiomycota)
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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