História da África
A guerra de independência da Argélia (1954–1962) pôs fim a 132 anos de domínio francês
Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Na noite de 31 de outubro para 1º de novembro de 1954, a Frente de Libertação Nacional (FLN) lançou uma onda de ataques pela Argélia e começou a guerra contra um domínio francês que vinha desde a conquista de 1830. O conflito terminou com os acordos de Évian, um referendo e a independência, proclamada em 5 de julho de 1962. Historiadores estimam cerca de 300 mil a 400 mil mortos argelinos; a versão oficial argelina de 1971 fala em cerca de 1 milhão.
A França ocupou a Argélia a partir de 1830 e governou o país por 132 anos. A guerra começou na noite de 31 de outubro para 1º de novembro de 1954, data que a Argélia celebra como a da Revolução; o Estado argelino chama o conflito de Revolução nacional ou guerra de Libertação. Na Batalha de Argel, em 1957, o exército francês desmantelou as redes da FLN com prisões, tortura e desaparecimentos. Os acordos de Évian (18 de março de 1962) previram cessar-fogo e referendo; os argelinos votaram pela independência em 1º de julho, e ela foi proclamada em 5 de julho.
A praça que passou a se chamar Maurice Audin
Em 1963, no primeiro ano da Argélia independente, a Place Maréchal Lyautey, em Argel, foi rebatizada Place Maurice Audin, em homenagem ao matemático francês que desapareceu em 1957. Só em 2018 a França reconheceu oficialmente que ele morreu sob tortura.
Uma guerra que se lembra de dois modos
Para a Argélia, o 1º de novembro de 1954 é a data da Revolução e o 5 de julho de 1962, a da independência; o Estado ergueu o Memorial do Mártir em Argel, inaugurado em 1982. Na França, uma lei de 1999 passou a falar em guerra da Argélia, e o país tem três datas de lembrança, entre elas o 19 de março, dia do cessar-fogo. As duas memórias não coincidem, nem na data do fim da guerra.
Argel, 1957
Segundo a historiadora Raphaëlle Branche, o exército francês adotou a tortura de forma gradual. Na Batalha de Argel, uma operação de cerca de oito meses desmantelou as redes nacionalistas e deixou pelo menos 3 mil desaparecidos. Dois casos ficaram simbólicos: o do matemático Maurice Audin, preso em 11 de junho de 1957, e o do advogado Ali Boumendjel, morto em 23 de março de 1957 em um suposto suicídio.
O reconhecimento francês
Em 2018, Macron reconheceu que a morte de Audin foi possibilitada por um sistema legalmente instituído que favorecia desaparecimentos e permitia a tortura, e abriu os arquivos sobre os desaparecidos. Em 2021, disse a netos de Boumendjel que ele foi torturado e assassinado. Em 2000, Paul Aussaresses já tinha admitido a ordem de matá-lo. Não houve pedido formal de desculpas em 2021.
Quanto custou
As fontes francesas somam cerca de 500 mil mortos, entre eles cerca de 400 mil argelinos; Branche cita 300 mil como estimativa confiável, e a versão argelina de 1971 fala em cerca de 1 milhão. Em 1962, cerca de 650 mil pessoas teriam saído da Argélia, de um milhão de franceses lá residentes, e entre 15 mil e 30 mil harkis morreram. Nenhum desses totais é contagem definitiva.
Como sabemos
Datas e reconhecimentos oficiais conferidos em documento da presidência francesa, no Ministério da Educação francês e em enciclopédia acadêmica; os números de mortos estão marcados como estimativa ou controverso.
Em debate: Número de mortos: o governo argelino de 1971 falou em cerca de 1 milhão (um décimo da população); historiadores trabalham com cerca de 300 mil a 400 mil mortos argelinos, e as fontes francesas somam cerca de 500 mil mortos no total. Não há contagem definitiva.
Em debate: Total de soldados franceses mortos: cerca de 30 mil segundo o Éduscol; mais de 23 mil segundo Branche. As fontes divergem.
Em debate: Data de fim da guerra: a França comemora o cessar-fogo de 19 de março; para a Argélia, a data é 5 de julho.
- Fato estabelecido: A França conquistou a Argélia a partir de 1830 e a dominou por 132 anos, até 1962. [2] [3]
- Fato estabelecido: Na noite de 31 de outubro para 1º de novembro de 1954, uma onda de ataques reivindicados pela FLN atingiu grande parte do território argelino e marcou o início da guerra. [1] [3]
- Fato estabelecido: O Estado argelino chama o conflito de Revolução nacional ou guerra de Libertação; 1º de novembro é a festa da Revolução e 5 de julho, a da independência; o Memorial do Mártir, em Argel, foi inaugurado em 1982; a França, por lei de 1999, passou a chamar o conflito de guerra da Argélia e comemora o cessar-fogo em 19 de março. [1]
- Consenso científico: O exército francês adotou gradualmente a tortura como método de obtenção de informação. [2]
- Estimativa: Na Batalha de Argel, em operação de cerca de oito meses que desmantelou as redes nacionalistas, pelo menos 3 mil pessoas desapareceram. [2]
Número mínimo apresentado por Raphaëlle Branche; o total real é desconhecido. - Fato estabelecido: Maurice Audin, matemático e militante comunista, foi preso em 11 de junho de 1957 em sua casa em Argel; em 1963, a Place Maréchal Lyautey, em Argel, foi rebatizada Place Maurice Audin. [4] [1]
- Fato estabelecido: Em 13 de setembro de 2018, Macron reconheceu que Audin foi torturado e executado ou morreu sob tortura, e que isso foi possibilitado por um sistema legalmente instituído que favorecia desaparecimentos e permitia a tortura; também determinou a abertura de arquivos do Estado sobre os desaparecidos. [4]
- Fato estabelecido: Ali Boumendjel, advogado e dirigente nacionalista, morreu em 23 de março de 1957, depois de preso durante a Batalha de Argel; a versão oficial francesa foi de suicídio, e em 2000 Paul Aussaresses admitiu ter ordenado que um subordinado o matasse e disfarçasse o crime. [5]
- Fato estabelecido: Em março de 2021, Macron declarou a netos de Boumendjel, em nome da França, que ele foi torturado e assassinado, sem formalizar um pedido de desculpas. [5]
- Fato estabelecido: Os acordos de Évian foram assinados em 18 de março de 1962 entre a França e o GPRA e previram cessar-fogo no dia seguinte e referendo de autodeterminação. [1]
- Fato estabelecido: Os argelinos votaram pela independência em referendo em 1º de julho de 1962, e a independência foi proclamada em 5 de julho. [3] [2]
- Estimativa: A maioria das fontes francesas aponta cerca de 500 mil mortos na guerra, provavelmente 400 mil argelinos (civis e combatentes), 4 mil civis franceses, 30 mil soldados franceses e entre 15 mil e 30 mil harkis. [1]
Faixas de fontes oficiais francesas (Éduscol); os totais são estimativas e não há contagem definitiva. - Em debate: Em 1971, o presidente Houari Boumédiène disse que a Argélia perdeu um décimo de sua população, cerca de 1 milhão; historiadores sugerem cerca de 300 mil mortos argelinos como estimativa confiável. [1] [2]
A versão oficial argelina e as estimativas de historiadores divergem; sucessores de Boumédiène falaram em centenas de milhares. O post registra os dois lados com atribuição. - Estimativa: Cerca de 650 mil pessoas teriam deixado a Argélia em 1962, de um milhão de franceses da Argélia. [1]
Número apresentado como estimativa (condicional) pelo Éduscol.
Fontes
- Éduscol, Ministério da Educação Nacional da França — Guerre d'Algérie. 1962 : fin de la guerre et paroxysme de la violence dans la guerre d'Algérie ? (cadrage historique, fiche 2)
consultada em 05/10/2026 - Encyclopedia of Modern Europe: Europe Since 1914 (via Encyclopedia.com) — Algerian War
consultada em 05/10/2026 - CVCE.eu, Universidade de Luxemburgo — Chronology of events in Algeria (1954–1962)
consultada em 05/10/2026 - Presidência da República Francesa (Élysée) — Déclaration du Président de la République sur la mort de Maurice Audin
consultada em 05/10/2026 - France 24 — Guerre d'Algérie : Ali Boumendjel a été « torturé et assassiné » par l'armée française, admet l'Élysée
consultada em 05/10/2026
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