Ecologia

Ararinha-azul: da extinção na natureza à volta à Caatinga, ainda com ajuda humana

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

O último macho de ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) foi achado em 1990 e monitorado até outubro de 2000, quando deixou de ser detectado em Curaçá, na Bahia. A espécie sobreviveu em cativeiro. Em 2022, 20 aves nascidas em cativeiro foram soltas em duas áreas protegidas do sertão baiano. Em outubro de 2025, 11 viviam soltas, mas dependiam de alimentação diária: a espécie ainda é tecnicamente extinta na natureza.

A ararinha-azul desapareceu da Caatinga pelo efeito somado de captura para o comércio de aves e perda de habitat. Sobraram aves em criadores, sobretudo na Alemanha. Em março de 2020, 52 delas chegaram ao Brasil. Em 2018 já haviam sido criadas em Curaçá duas unidades de conservação, que somam 119.800 hectares. A soltura de 2022 usou um protocolo de pares: as aves aprenderam a se alimentar e a se proteger vendo maracanãs selvagens durante a aclimatação e saíram juntas. O resultado mistura avanço e risco: houve reprodução na natureza, mas também surto de circovírus em 2025 e disputa entre os órgãos e as organizações envolvidas.

Maracanãs como professoras

Na soltura das primeiras oito ararinhas, em 2022, foram soltas junto oito maracanãs (Primolius maracana) selvagens. As ararinhas nascidas em cativeiro aprenderam a forragear e a se orientar observando essas aves.

Primeiro, um lugar para voltar

A última região de ocorrência da espécie é Curaçá, no norte da Bahia. Ali foram criadas, em 2018, duas unidades que somam 119.800 hectares. A mata ciliar degradada por manejo inadequado do gado e pelo clima é o alvo da restauração, com meta de pelo menos 15.000 hectares nas áreas protegidas.

Aves de cativeiro aprendem a ser selvagens

As aves vieram de criação na Alemanha e foram selecionadas por idade (3 a 7 anos) e genética, para preservar diversidade. Na aclimatação, aprenderam a forragear e a se orientar observando maracanãs selvagens, e foram soltas em pares, em um protocolo apresentado como inédito.

O que os números mostram

A sobrevivência acumulada foi de 58,3% até junho de 2023. Ao menos seis casais se formaram no primeiro ano. Os primeiros filhotes, de 2023, morreram antes de voar, e em maio de 2024 dois filhotes finalmente voaram. A análise de viabilidade pede 10 a 20 aves soltas por ano durante 20 anos.

Um projeto ainda em disputa

Em 2025, sete aves testaram positivo para circovírus, que causa a doença do bico e das penas e não tem cura. ICMBio e organizações parceiras discordam sobre testar e capturar aves soltas. Todas as aves livres dependem de alimentação diária, então o status oficial de extinta na natureza permanece.

Como sabemos

Fatos históricos e números de 2022 a 2025 vêm de artigo científico e reportagens; falta o dado atual de 2026 e a data exata da primeira soltura.

Em debate: O ICMBio sustenta que o vírus provavelmente veio com aves importadas da Alemanha e quer testar as aves soltas. A ACTP e a BlueSky dizem que o vírus circula no Brasil há mais de 30 anos e que capturar aves soltas seria sinal de fracasso. Em 8 de outubro de 2025 a Justiça negou o pedido da BlueSky contra a captura.

Fontes

  1. ((o))eco — De volta à natureza: ararinhas-azuis são reintroduzidas no sertão baiano 20 anos após serem extintas do local
    consultada em 06/10/2026
  2. Conservation Biology (PMC) — Coexistence and habitat restoration planning for the reintroduction of Spix's macaw
    consultada em 06/10/2026
  3. Mongabay — For 'extinct' Spix's macaw, successful comeback is overshadowed by uncertainty
    consultada em 06/10/2026
  4. Mongabay — Virus outbreak deepens rift over return of Spix's macaw to Brazil
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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