Zoologia
A arara-azul caiu a cerca de 2.500 aves e voltou a crescer com um projeto de ninhos artificiais
Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
No fim dos anos 1980, a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), o maior papagaio capaz de voar, somava cerca de 2.500 aves na natureza. Segundo estimativa da BirdLife, cerca de 10.000 tinham sido capturadas ilegalmente para o comércio de animais só naquela década. Desde 1990, o Projeto Arara Azul, da bióloga Neiva Guedes, monitora ninhos no Pantanal e já instalou mais de 500 ninhos artificiais. Hoje a população é estimada entre 4.300 e 6.500 aves.
A espécie depende de poucas coisas. Cerca de 95% dos ninhos ficam em ocos de manduvi (Sterculia apetala), e só árvores com mais de 60 anos têm cavidades grandes o bastante. A comida principal é a palmeira acuri. Como os ocos são disputados por outras espécies e se perdem, o projeto instalou ninhos artificiais a partir de 1992. Os autores atribuem ao projeto o aumento de cerca de 2.500 aves, no início, para cerca de 6.000 em 2018. As fontes consultadas, porém, não medem à parte o efeito dos ninhos artificiais, ao lado da educação ambiental e da fiscalização contra a captura. A IUCN a lista como Vulnerável; a lista brasileira de 2018, como Em Perigo. Incêndios e agrotóxicos elevaram a mortalidade de filhotes em 2019 e 2020.
Três meses e meio no ninho
Em 30 anos de monitoramento no Pantanal, os filhotes de tamanho normal levaram em média 107 dias para deixar o ninho, com massa final média de cerca de 1,18 kg. Segundo Guedes, de cada 100 ovos postos, só 25 resultam em filhote que sai do ninho.
Dois especialistas em uma ave
A arara-azul-grande não migra, é monogâmica e depende de uma árvore e de uma palmeira. Cerca de 95% dos ninhos estão em ocos de manduvi, e só árvores com mais de 60 anos produzem cavidades grandes o bastante, de modo que casais e outras espécies competem por elas. No Pantanal, a palmeira acuri é a principal fonte de alimento. Desmatamento e fogo afetam essa palmeira, segundo os autores.
A captura dos anos 1980
Na década de 1980, cerca de 10.000 aves teriam sido capturadas ilegalmente para o comércio de animais de estimação, segundo estimativa atribuída à BirdLife. O Instituto Arara Azul registra que a espécie entrou nos anos 1980 no Apêndice I da CITES e na lista brasileira de fauna ameaçada. A perda de habitat e a coleta de penas para souvenires aparecem entre as causas do declínio. Os autores dizem que educação ambiental e fiscalização reduziram as apreensões.
O projeto e os ninhos artificiais
A bióloga Neiva Guedes encontrou as araras em novembro de 1989 e iniciou o projeto em 1990. Os ninhos artificiais vieram em 1992, como alternativa de emergência à falta de cavidades: mais de 17 espécies, entre abelhas, falcões e tucanos, competem pelos ocos. Entre 1991 e 2021, o estudo monitorou 473 ninhos naturais e 415 artificiais. O instituto informa mais de 500 ninhos artificiais instalados, que outras espécies também ocupam.
O que ainda pesa sobre a espécie
O artigo de 2024 cita a melhora de Em Perigo para Vulnerável na IUCN, mas a lista brasileira de 2018 ainda a classifica como Em Perigo. Cerca de 5.000 das 6.500 aves estimadas vivem no Pantanal. Em 2019 e 2020, incêndios e envenenamento por agroquímicos elevaram a mortalidade de filhotes e jovens. A análise genética de 54 aves achou quatro grupos geneticamente distintos, e as populações do Pantanal conectam as demais.
Como sabemos
Números e ecologia vêm de artigos revisados e do Instituto Arara Azul, mas o efeito isolado dos ninhos artificiais e o status IUCN atual não foram confirmados direto na fonte primária.
Em debate: O peso dos ninhos artificiais na recuperação não está isolado nas fontes: o Projeto Arara Azul combina ninhos artificiais, monitoramento, educação ambiental e fiscalização.
Em debate: As estimativas populacionais variam conforme a fonte e o ano (de cerca de 4.300 a 6.500 aves) e a contagem inicial é datada de 1980 ou 1987, conforme a publicação.
- Fato estabelecido: A arara-azul-grande é o maior papagaio capaz de voar. [2]
Descrição dos autores; o kakapo, mais pesado, não voa. - Estimativa: Em 1987, estimava-se cerca de 2.500 araras-azuis-grandes selvagens. [1]
Estimativa de campo; outra publicação dos mesmos autores usa 2.500 em 1980. - Estimativa: Estima-se que cerca de 10.000 aves foram capturadas ilegalmente para o comércio de animais de estimação na década de 1980. [3]
Valor atribuído pelo artigo à BirdLife International (2016). - Fato estabelecido: O Projeto Arara Azul foi iniciado em 1990 pela bióloga Neiva Guedes, que encontrou as araras em novembro de 1989. [4]
- Fato estabelecido: Mais de 500 ninhos artificiais foram instalados pelo projeto no Pantanal, desde 1992. [4]
Número informado pelo próprio Instituto Arara Azul. - Fato estabelecido: Os ninhos artificiais foram criados para suprir a falta de cavidades, por competição entre espécies e perda de ninhos naturais. [4]
- Estimativa: A população selvagem é estimada entre 4.300 e 6.500 aves. [3]
Faixa de censos; cerca de 5.000 das 6.500 estariam no Pantanal. - Fato estabelecido: Cerca de 95% dos ninhos são feitos em ocos de manduvi (Sterculia apetala), e só árvores com mais de 60 anos produzem cavidades grandes o bastante. [2]
- Fato estabelecido: A palmeira acuri é a principal fonte de alimento da espécie no Pantanal. [2] [3]
- Estimativa: O projeto elevou a população de cerca de 2.500 aves, no início, para cerca de 6.000 em 2018, segundo seus autores. [1] [2]
Atribuição dos autores ao projeto como um todo; o efeito isolado dos ninhos artificiais não foi medido nas fontes abertas. - Fato estabelecido: A IUCN lista a espécie como Vulnerável e a lista brasileira (ICMBio, 2018) como Em Perigo. [3]
Citação da avaliação IUCN de 2016 no artigo; a ficha da IUCN não abriu (erro 403). - Evidência forte: Em 2019 e 2020, incêndios e envenenamento por agroquímicos aumentaram a mortalidade de filhotes e jovens no Pantanal. [2]
- Fato estabelecido: Entre 1991 e 2021 foram monitorados 473 ninhos naturais e 415 ninhos artificiais. [2]
- Fato estabelecido: Os filhotes de tamanho normal levaram em média 107 dias para deixar o ninho, com massa final média de 1.177,5 g. [2]
- Estimativa: Segundo Guedes, de cada 100 ovos postos, só 25% resultam em filhote que deixa o ninho. [2]
Estimativa atribuída a Guedes pelo artigo.
Fontes
- Scientific Reports (Nature Portfolio) — Organophosphate poisoning of Hyacinth Macaws in the Southern Pantanal, Brazil
consultada em 05/10/2026 - Scientific Reports (Nature Portfolio) — Growth model analysis of wild hyacinth macaw (Anodorhynchus hyacinthinus) nestlings based on long-term monitoring in the Brazilian Pantanal
consultada em 05/10/2026 - Evolutionary Applications (Wiley) — Prioritizing Conservation Areas for the Hyacinth Macaw in Brazil From Low-Coverage Genomic Data
consultada em 05/10/2026 - Instituto Arara Azul — Projeto Arara Azul / Ninhos artificiais
consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
- Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão