História do Brasil

Anita Garibaldi, de Laguna, combateu ao lado de Giuseppe Garibaldi no Brasil e na Itália

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Ana Maria de Jesus Ribeiro nasceu em 1821 no litoral de Santa Catarina, na região de Laguna. Em 1839, quando os farroupilhas tomaram Laguna, conheceu o italiano Giuseppe Garibaldi e embarcou com ele em outubro. Participou de combates da Guerra dos Farrapos, casou-se com Garibaldi em Montevidéu, em 1842, e o seguiu para a Itália, onde morreu em 4 de agosto de 1849, perto de Ravena, durante a retirada depois da queda de Roma. Por ter lutado nos dois países, ficou conhecida como Heroína dos Dois Mundos.

Filha de um tropeiro e comerciante de Laguna, Ana Maria casou-se aos 14 anos com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar, que depois se alistou no exército imperial. A Revolução Farroupilha, que opôs a província do Rio Grande do Sul ao governo imperial entre 1835 e 1845, chegou a Santa Catarina em 1839, com a República Juliana. Garibaldi, a serviço da república gaúcha, participou da tomada do porto de Laguna. Anita o seguiu, passou pelo batismo de fogo em Imbituba e, em 15 de novembro, fez cerca de uma dúzia de travessias numa pequena lancha para trazer munição durante a batalha naval de Laguna. O casal teve filhos, entre eles Menotti, nascido em 1840 em Mostardas (RS). Em 1847, Anita viajou com os filhos para a Itália.

A fuga depois de Curitibanos

Em 12 de janeiro de 1840, na batalha de Curitibanos, Anita foi presa pelas tropas imperiais. Segundo o historiador Adilcio Cadorin, ela obteve permissão para procurar o corpo do marido, supostamente morto, tomou um cavalo num descuido dos guardas, atravessou a nado o rio Canoas e reencontrou Garibaldi em Vacaria, oito dias depois.

Laguna e o primeiro casamento

Ana Maria de Jesus Ribeiro era filha de Bento Ribeiro da Silva, tropeiro e comerciante de Laguna, de família açoriana, e de Maria Antônia de Jesus. Segundo a Alesc, com a morte do pai ela foi obrigada, aos 14 anos, a casar com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar, em 30 de agosto de 1835. O casamento durou cerca de três anos, até o marido se alistar no exército imperial. O local exato de nascimento é debatido: a Treccani escreve Morinhos.

A República Juliana e o encontro

A Revolução Farroupilha, guerra republicana contra o governo imperial, começou em 20 de setembro de 1835 no Rio Grande do Sul. Em 1839 as tropas de David Canabarro chegaram a Laguna com Garibaldi, então com 32 anos, para formar a República Juliana. Foi ali que ele conheceu Anita, e a Alesc registra, a partir das memórias dele, que a viu de longe e a procurou. Em outubro de 1839 ela embarcou no navio do italiano e, depois do batismo de fogo em Imbituba, participou da batalha naval de Laguna, em 15 de novembro.

Curitibanos, Mostardas e Montevidéu

Em 12 de janeiro de 1840, em Curitibanos, Anita foi presa e fugiu. Em 16 de setembro nasceu Menotti, em Mostardas (RS); doze dias depois, segundo a Alesc, o exército imperial cercou a casa, e ela fugiu a cavalo com o recém-nascido e se escondeu por quatro dias num bosque. A Treccani diz que ela casou com Garibaldi em Montevidéu, em 16 de junho de 1842, depois da morte do primeiro marido. O casal teve quatro filhos, segundo o Plenarinho da Câmara.

A Itália e a morte

Em dezembro de 1847 Anita embarcou com os filhos Menotti, Ricciotti e Teresita para a Itália. Foi a Roma em 26 de junho de 1849, combateu ao lado de Garibaldi e, depois da queda da cidade, seguiu-o na retirada, durante a qual morreu em 4 de agosto de 1849, perto de Ravena. Segundo a Alesc, Brasil, Uruguai e Itália celebraram o bicentenário de seu nascimento, em reconhecimento de uma trajetória que une esses países.

Como sabemos

Cronologia principal conferida em Treccani, Câmara e Alesc, mas local de nascimento, causa da morte e detalhes de episódios vêm de relatos que divergem.

Em debate: O local e a data de nascimento não são fixados com certeza: a Câmara dos Deputados e a Alesc dão Laguna e 1821, a Alesc registra 30 de agosto, e a Enciclopédia Treccani escreve “Morinhos, cerca de 1821”.

Em debate: A causa da morte aparece como febre tifoide na Câmara dos Deputados e como esgotamento durante a retirada na Treccani.

Em debate: O episódio da fuga depois de Curitibanos depende de relato narrativo apoiado em memórias de Garibaldi, e os detalhes (a conversa com o comandante, a travessia a nado) devem ser lidos como tradição historiográfica.

Fontes

  1. Enciclopedia Treccani (Istituto della Enciclopedia Italiana) — Garibaldi, Anita
    consultada em 04/10/2026
  2. Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) — A saga da heroína brasileira
    consultada em 04/10/2026
  3. Plenarinho, Câmara dos Deputados — Anita Garibaldi
    consultada em 04/10/2026
  4. TV Câmara, Câmara dos Deputados — Anita Garibaldi (Construtores do Brasil)
    consultada em 04/10/2026
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