Astronomia

Angra dos Reis, caído em 1869, deu nome aos angritos: um grupo raro de rochas ígneas muito antigas

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

O meteorito de Angra dos Reis caiu no Brasil em 1869 e deu nome aos angritos, um grupo raro de meteoritos ígneos, com 22 amostras não pareadas segundo um estudo de 2022. Cerca de 90% dele é fassaíta, um piroxênio com alumínio e titânio. Foi datado em 4.556,60 ± 0,26 milhões de anos: não é o mais antigo do Sistema Solar, mas pertence a um grupo entre os mais antigos já datados, vindo de um corpo que se diferenciou.

Acondritos são meteoritos rochosos que, ao contrário dos condritos, vêm de corpos que passaram por fusão e se separaram em camadas, processo chamado diferenciação. Os angritos são um pequeno grupo deles, e o de Angra dos Reis dá nome ao conjunto. Foi coletado logo depois de uma queda observada, o que limitou a alteração pelo clima terrestre. Seu valor para a ciência vem de três coisas: o grupo é raro, é antigo e a maioria das amostras guarda a textura original, sem as brechas e o metamorfismo de choque comuns em outros acondritos basálticos. Fassaíta é um piroxênio (silicato de cálcio) com alumínio e titânio, e olivina e anortita são os outros minerais típicos do grupo.

O que dá nome ao grupo não é o mais típico

Angra dos Reis tem cerca de 90% de fassaíta. Sahara 99555, outro angrito, tem cerca de 28% de fassaíta, 35% de anortita e 36% de olivina, e textura diferente: o exemplar que batiza o grupo é incomum dentro dele.

Antigo, sim; o mais antigo, não

O grupo dos angritos está entre os mais antigos meteoritos datados, e a NASA os chama de rochas ígneas mais antigas conhecidas (cerca de 4,56 bilhões de anos). Mas o próprio Angra dos Reis, com 4.556,60 ± 0,26 milhões de anos, é o mais jovem dos angritos plutônicos listados num estudo de 2026. Os angritos se formaram até 4 milhões de anos depois das inclusões CAI, que são anteriores. Por isso o título fala do grupo, não do exemplar.

Um meteorito de um corpo que derreteu

Os angritos têm composições de oxigênio, cromo e titânio homogêneas, o que os autores de 2026 associam a uma fase de oceano de magma no corpo de origem, descrito como diferenciado. Condritos preservam a poeira original do Sistema Solar; os angritos mostram o que ocorreu depois que um corpo derreteu. A maioria deles guarda a textura original, sem choque, o que facilita ler essa história.

Como sabemos: mineralogia, textura e relógios isotópicos

A mineralogia vem de lâminas finas ao microscópio: Prinz e colegas (1977) concluíram que a fassaíta cristalizou de um magma pobre em sílica. A idade vem de relógios isotópicos, como o manganês-53 para cromo-53 e o urânio para chumbo, medidos em minerais separados. Limites: a idade absoluta depende das meias-vidas e da razão dos isótopos de urânio usadas, e o asteroide de origem dos angritos segue sem identificação.

O que ainda se discute

Os angritos têm muito menos elementos voláteis, como o potássio, do que outros meteoritos ígneos. Os estudos de 2022 e 2024 propõem evaporação e recondensação parcial num oceano de magma, e o de 2026 acrescenta o efeito de um impacto. Qual processo responde pela maior parte da perda é uma questão aberta, e Angra dos Reis entra como amostra de referência por ter sido coletado logo após a queda.

Como sabemos

Classificação, mineralogia e idade têm fonte aberta lida, mas a queda e o artigo de 1977 só têm resumos e o "mais antigo e raro" do título foi corrigido para o grupo.

Em debate: Evaporação num oceano de magma com recondensação parcial (estudos de 2022 e 2024) ou também o efeito de um impacto (estudo de 2026): as explicações diferem e o assunto segue em debate.

Fontes

  1. NASA Technical Reports Server (NTRS) — Studies of Brazilian meteorites. III - Origin and history of the Angra dos Reis achondrite
    Prinz, M.; Keil, K.; Hlava, P. F.; et al. · 1977 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1016/0012-821X(77)90134-0
  2. Lunar and Planetary Institute (LPSC XXXII) — Spectra of angrites and possible parent bodies
    Burbine, T. H.; McCoy, T. J.; Binzel, R. P. · 2001 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  3. NASA Astrobiology — Meteorites Provide Insight into the Materials of Terrestrial Planets
    NASA Astrobiology Program · sem data na página · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  4. Nature Communications — Potassium isotope heterogeneity in the early Solar System controlled by extensive evaporation and partial recondensation
    Hu, Y.; Moynier, F.; Bizzarro, M. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41467-022-35362-7
  5. Science Advances — When wet meets dry: An Ivuna-like impactor triggered volatile loss on the angrite parent body
    Zhu, K.; Chen, Q.; et al. · 2026 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.aeb1432
  6. Proceedings of the National Academy of Sciences — Rubidium isotopic compositions of angrites controlled by extensive evaporation and partial recondensation
    Wang, B.; Moynier, F.; Hu, Y.; et al. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1073/pnas.2311402121
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 12; conferência de trechos automatizada)

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