Botânica

Angelim-vermelho: 88,5 m, a árvore mais alta registrada na Amazônia, achada com lidar em 2019

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

A árvore mais alta registrada na Amazônia é um angelim-vermelho (Dinizia excelsa) de 88,5 m, identificado em 2019 por Eric Gorgens e colegas com lidar, um escâner a laser levado em avião. Um estudo de 2025 ainda a descreve como a mais alta conhecida da América do Sul. O número sai de um modelo da altura da copa; a Universidade de Cambridge informa que a árvore exata só foi localizada de novo em campo em 2022.

Medir uma árvore de 80 m na floresta densa é difícil: a copa some na folhagem e não há como ver o topo do chão. Por isso a altura recorde veio de cima. O lidar (sigla de Light Detection and Ranging) emite pulsos de laser de um avião e registra o que volta; dos retornos se obtém um modelo da superfície da floresta e outro do terreno, e a diferença entre os dois dá a altura da copa. No levantamento do INPE de 2016 a 2018, 900 faixas foram sobrevoadas na Amazônia brasileira, e foi nesses dados que apareceu um grupo de angelins-vermelhos gigantes, todos da mesma espécie. Este artigo trata do recorde amazônico; o limite hidráulico da altura das árvores em geral está em outro artigo.

Mais de 20 m acima do recorde anterior

A expedição de campo não achou a árvore de 88,5 m, mas escalou um angelim com mais de 80 m, a árvore mais alta já escalada na Amazônia, segundo a Cambridge: mais de 20 m acima dos recordistas anteriores.

Como o lidar mede a copa

O sensor usado foi um LiDAR Harrier 68i num avião Cessna 206 [a6]. No computador, um algoritmo de máximos locais, aplicado ao modelo de altura da copa (superfície menos terreno), marca o topo de cada copa [a7]. Logo, o valor de 88,5 m é a altura do topo da copa no modelo, não uma medida de trena feita no tronco. Isso explica por que a confirmação em campo importa.

Como sabemos: do avião ao chão

Segundo a Universidade de Cambridge, a expedição de 2019 não achou a árvore de 88,5 m, mas escalou outra, com mais de 80 m [a8][a9]. Em outubro de 2022, a universidade informou que Gorgens localizou a árvore exata e confirmou os 88,5 m [a8]. Um estudo de 2025 chama a medida de validada em campo [a2]. Limite: não vimos o relato de 2022 em publicação científica, e o artigo original de 2019 não foi lido.

O que parece limitar a altura na Amazônia

Em 282.750 ha amostrados por laser, vento e luz pesam na distribuição das gigantes tanto quanto chuva e temperatura, e os fatores comuns do crescimento em altura diferem dos que explicam onde há gigantes [a10][a12]. Em 2025, vento e raios tiveram associação negativa com a densidade de árvores de 60 m ou mais [a13]. São correlações; a causa não está provada, e a literatura citada aponta seca, vento e raios como causas de morte [a14].

Quantas árvores assim existem

O modelo de 2025 estima cerca de 55,5 milhões de árvores com 60 m ou mais na Amazônia brasileira, muito concentradas: cerca de 14% da densidade em cerca de 1% da região [a15]. É estimativa por modelo, a partir de 900 faixas de lidar [a5], e não contagem. O recorde de 88,5 m é raríssimo diante desse número.

Como sabemos

O recorde de 88,5 m vem de um artigo de 2019 que não foi aberto; está sustentado por um estudo de 2025 e pela universidade parceira, e a confirmação de campo é só relatada por Cambridge.

Fontes

  1. New Phytologist — Mapping the density of giant trees in the Amazon
    de Lima, R. B.; Silva, D. A. S.; Nunes, M. H.; Görgens, E. B. et al. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1111/nph.70634
  2. Global Change Biology — Resource availability and disturbance shape maximum tree height across the Amazon
    Gorgens, E. B.; Nunes, M. H.; Jackson, T.; Coomes, D.; et al. · 2021 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1111/gcb.15423
  3. University of Cambridge — Expedition finds tallest tree in the Amazon
    University of Cambridge · 2019-12-13 · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 18; conferência de trechos automatizada)

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