História do Brasil
Engenheiro negro, André Rebouças projetou a ferrovia Curitiba–Paranaguá e ajudou a organizar a campanha abolicionista
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026
Nascido em Cachoeira, na Bahia, em 1838, André Pinto Rebouças formou-se engenheiro, participou da Guerra do Paraguai e projetou a estrada de ferro entre Curitiba e o porto de Paranaguá. No Rio de Janeiro, trabalhou no abastecimento de água e nas docas. Na década de 1880, ajudou a criar a Sociedade Brasileira contra a Escravidão e integrou a Confederação Abolicionista, ao lado de Joaquim Nabuco e José do Patrocínio. Monarquista, partiu para o exílio depois de 1889 e morreu na Ilha da Madeira, em 1898.
André era filho de Antônio Pereira Rebouças, advogado autodidata, deputado pela Bahia e conselheiro do Império. Nasceu em 3 de janeiro de 1838, no contexto da Sabinada. Trabalhou nas docas da Alfândega entre 1866 e 1871 e foi professor da Escola Politécnica. Em viagem aos Estados Unidos, nos anos 1870, enfrentou segregação e relatou em diário os maus-tratos que sofreu, mesmo representando o Império. Na campanha abolicionista, redigiu os estatutos da Associação Central Emancipadora e defendeu que a liberdade exigia acesso à terra, a chamada "democracia rural". Amigo de Pedro II, exilou-se em Lisboa, onde foi correspondente do jornal The Times, depois em Cannes; em 1892 foi para Luanda, em Angola, e em 1893 para o Funchal, na Madeira. Em 2024, uma lei o inscreveu no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
Um túnel e uma avenida
O Túnel Rebouças, no Rio de Janeiro, e a Avenida Rebouças, em São Paulo, homenageiam André e o irmão Antônio, também engenheiro. Antônio colaborou em projetos de ferrovias e de fortificações pelo país, segundo a MultiRio.
O engenheiro
Rebouças formou-se engenheiro e a Câmara dos Deputados o descreve como o primeiro engenheiro negro a se formar na Escola Militar, expressão usada na justificativa de lei de 2024. Projetou a ferrovia Curitiba–Paranaguá, atuou no abastecimento de água do Rio de Janeiro, em 1870, e nas docas D. Pedro II e da Alfândega. Lecionou na Escola Politécnica, de matemática à engenharia. Com o irmão Antônio, deixou obras em várias regiões do país.
Viagem e racismo
Em meados de 1870, Rebouças viajou aos Estados Unidos e, depois, à Europa. A página da UFMG registra que, no Norte americano, ainda que representasse o Império, não lhe ofereceram bens de consumo a que estava habituado e que ele reclamou dos quartos sujos e da barbearia em que foi obrigado a tomar banho. Os trechos vêm do diário de viagem e mostram o racismo a que estava exposto, apesar do prestígio de sua família e da profissão.
O abolicionista
Nos anos 1880, Rebouças ajudou a criar a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, participou da Confederação Abolicionista e escreveu os estatutos da Associação Central Emancipadora. Defendia que liberdade exigia também terra e trabalho: "só há liberdade na democracia rural", escreveu em 1889. Em 1888, publicou artigos contra o avanço da República e dos cafeicultores paulistas, que via como oligarquias. Para ele, a liberdade dependia de terra e de trabalho.
Exílio e memória
Depois da proclamação da República, em 1889, Rebouças exilou-se. Passou dois anos em Lisboa como correspondente do The Times, viveu em Cannes até a morte de Pedro II, em 1891, foi a Luanda, em 1892, e fixou-se no Funchal, na Madeira, em 1893. Morreu ali em 1898. Seus diários, preservados e editados por Hebe Mattos em 2024, são fonte de estudo sobre racismo e abolição. Em 2024, uma lei o inscreveu no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
Como sabemos
Biografia confere em página universitária (UFMG), na Câmara dos Deputados e na MultiRio; a causa da morte, discutida por pesquisadores, foi deixada de fora.
- Fato estabelecido: André Pinto Rebouças nasceu em Cachoeira, na Bahia, em 3 de janeiro de 1838. [1]
- Fato estabelecido: Era filho de Antônio Pereira Rebouças, autodidata que conquistou o direito de advogar, deputado pela Bahia e conselheiro do Império. [1]
- Fato estabelecido: Engenheiro civil, participou da Guerra do Paraguai e projetou a ferrovia entre Curitiba e Paranaguá. [1] [2]
- Fato estabelecido: Trabalhou no abastecimento de água do Rio de Janeiro e nas docas D. Pedro II e da Alfândega, onde ficou de 1866 a 1871. [1] [3]
- Fato estabelecido: Foi professor da Escola Politécnica do Rio de Janeiro. [2] [3]
- Fato estabelecido: Em viagem aos Estados Unidos, na década de 1870, enfrentou situações de segregação, relatadas em seu diário. [1]
- Fato estabelecido: Na década de 1880, colaborou na criação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão, com Nabuco e Patrocínio, integrou a Confederação Abolicionista e redigiu os estatutos da Associação Central Emancipadora. [1]
- Fato estabelecido: Defendia que a liberdade dependia de acesso à terra ("democracia rural"). [1]
Posição registrada em escritos de 1889, citados na página da UFMG. - Fato estabelecido: Era monarquista e amigo de Pedro II; exilou-se depois de 1889. [1] [3] [4]
- Fato estabelecido: No exílio morou em Lisboa, onde foi correspondente do The Times, em Cannes, em Luanda (1892, por 15 meses) e no Funchal (a partir de 1893). [1]
- Fato estabelecido: Morreu em 1898, na Ilha da Madeira. [1] [2] [3]
- Fato estabelecido: A Lei 15.003, de 16 de outubro de 2024, inscreveu André Rebouças no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. [2]
- Fato estabelecido: O Túnel Rebouças (Rio de Janeiro) e a Avenida Rebouças (São Paulo) homenageiam André e o irmão Antônio. [1] [3]
Fontes
- Literafro, Universidade Federal de Minas Gerais — André Rebouças
consultada em 04/10/2026 - Câmara dos Deputados — Sancionada lei que inclui André Rebouças entre os heróis da pátria
consultada em 04/10/2026 - MultiRio (Prefeitura do Rio de Janeiro) — André Rebouças, engenheiro e educador
consultada em 04/10/2026 - Topoi (SciELO) — Três pretos tristes: André Rebouças, Cruz e Sousa e Lima Barreto
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
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