Astronomia

Alfa Centauri: três estrelas a pouco mais de 4 anos-luz, com um par brilhante visível a olho nu do Brasil

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Estrelas

Alfa Centauri é o sistema estelar mais próximo da Terra e tem três estrelas. Alfa Centauri A é parecida com o Sol e B é um pouco menor e mais fria; as duas se orbitam em cerca de 80 anos. Proxima, uma anã vermelha fraca demais para o olho nu, circunda o par em cerca de 550 mil anos e produz flares fortes. O par é visível de todo o Brasil.

Distâncias de estrelas costumam ser dadas em parsec (pc), cerca de 3,26 anos-luz. Alfa Centauri é uma estrela tripla: A e B formam um par que se orbita, e Proxima Centauri, também chamada de Alfa Centauri C, é uma terceira estrela, bem mais fraca e muito afastada do par. O tipo espectral resume a temperatura da superfície: G2V é o do Sol, K1V é de uma estrela um pouco mais fria e M5.5V é o de uma anã vermelha, pequena e fria. A magnitude mede o brilho aparente, e quanto menor o número, mais brilhante o astro. O par AB brilha tanto que, a olho nu, parece uma só estrela; Proxima só aparece em telescópio.

A estrela mais próxima não é a mais brilhante

Proxima está cerca de 44,8 dias-luz mais perto da Terra do que o par AB, ou seja, uns 0,12 ano-luz. Mesmo assim, brilha cerca de 25 mil vezes menos do que Alfa Centauri A em luz visível (cálculo nosso, pela diferença de magnitude: 11,01 contra −0,01).

As três estrelas e suas massas

Alfa Centauri A é uma estrela G2V, como o Sol, e B é uma anã mais fria. Pela órbita do par, de 79,91 anos, as massas são cerca de 1,13 e 0,97 massa solar (Pourbaix e Boffin, 2016), e a pequena diferença depende da paralaxe adotada. Proxima é uma anã vermelha M5.5V; sua massa, de cerca de 0,12 massa solar, não vem de órbita: é estimada pelo brilho no infravermelho próximo, com uma relação empírica entre brilho e massa. Por isso as massas de A e B são mais firmes que a de Proxima.

Como sabemos que Proxima pertence ao sistema

Durante um século, a pergunta ficou em aberto: Proxima tem distância e movimento quase iguais aos de Alfa Centauri, mas isso podia ser coincidência. Kervella e colegas (2017) mediram a velocidade absoluta de Proxima com espectros do HARPS e a compararam com a velocidade de escape do sistema. A diferença ficou 5,4 desvios-padrão abaixo do limite, o que torna a ligação muito provável. Limite do método: depende das massas adotadas e de correções ao deslocamento espectral, e é uma conclusão estatística, não um traçado completo da órbita.

A órbita de Proxima

Segundo o mesmo estudo, Proxima completa uma volta em cerca de 550 mil anos, numa órbita moderadamente excêntrica. Ela chega a cerca de 4,3 mil unidades astronômicas (UA) do par no periastro, e hoje está perto do apastro, a cerca de 13 mil UA, ou 0,2 ano-luz (cálculo nosso; 1 ano-luz ≈ 63 241 UA). As margens de erro são amplas, porque as medições cobrem só uma pequena parte do arco: o periastro tem incerteza de cerca de 1 mil UA e a excentricidade, de cerca de 0,1.

Uma anã pequena e muito ativa

Proxima é uma anã vermelha ativa e dá flares, aumentos súbitos de brilho. Em março de 2016, o Evryscope, uma rede de telescópios pequenos que vigia o céu do Sul, registrou um superflare que multiplicou por cerca de 68 o brilho óptico e levou Proxima a pelo menos magnitude 6,8 (Howard et al., 2018). Outros 23 flares grandes foram vistos em dois anos, e os autores estimam pelo menos cinco superflares por ano, extrapolando de um único evento. As consequências para planetas de Proxima ficam em outro artigo.

No céu do Brasil

Alfa Centauri A tem magnitude visual de −0,01 e B, de 1,35 (lista de nomes da IAU). Como o par está a cerca de 61° ao sul do equador celeste, é visível de todo o Brasil: culmina a uns 26° de altura em Boa Vista (RR) e a uns 53° em São Paulo (cálculo nosso: altura = 90° − |latitude − declinação|). Quem está ao norte de cerca de 29° de latitude norte, como na Europa setentrional, nunca o vê nascer. Proxima, de magnitude 11, só aparece em telescópio.

Como sabemos

Fatos centrais conferidos em artigos revisados por pares (A&A, ApJL) e em fontes institucionais da ESO e da IAU; a ligação gravitacional de Proxima e a taxa de superflares são resultados probabilísticos.

Fontes

  1. Astronomy & Astrophysics 598, L7 (ESO) — Proxima's orbit around α Centauri
    Kervella, P.; Thévenin, F.; Lovis, C. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1051/0004-6361/201629930
  2. Astronomy & Astrophysics 586, A90 (ESO) — Parallax and masses of α Centauri revisited
    Pourbaix, D.; Boffin, H. M. J. · 2016 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1051/0004-6361/201527859
  3. The Astrophysical Journal Letters 860, L30 — The first naked-eye superflare detected from Proxima Centauri
    Howard, W. S. et al. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.3847/2041-8213/aacaf3
  4. European Southern Observatory (ESO) — Pale Red Dot campaign reveals Earth-mass world in orbit around Proxima Centauri (eso1629)
    ESO · 2016-08-24 · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  5. União Astronômica Internacional (IAU), Grupo de Trabalho de Nomes de Estrelas — IAU Catalog of Star Names (IAU-CSN)
    IAU Division C Working Group on Star Names (WGSN) · 2022 · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  6. arXiv (astro-ph.SR) — Proxima's orbit around α Centauri (resumo no arXiv)
    Kervella, P.; Thévenin, F.; Lovis, C. · 2016 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 6; conferência de trechos automatizada)

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