História do Brasil
Aleijadinho, filho de um mestre de obras português e de uma mulher escravizada, esculpiu os doze profetas de Congonhas
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Antônio Francisco Lisboa nasceu em Vila Rica, hoje Ouro Preto, por volta de 1738, filho do arquiteto português Manuel Francisco Lisboa e de uma mulher escravizada. Escultor, entalhador e arquiteto, trabalhou em Ouro Preto, Mariana, São João del-Rei e Congonhas. Em 1777 foi diagnosticado com uma doença grave que deformou suas mãos, e no início dos anos 1790 passou a ser chamado de Aleijadinho. Entre 1796 e 1805 concluiu os doze profetas em pedra-sabão do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas.
Considerado o maior artista do período colonial brasileiro, Aleijadinho cresceu no ouro de Minas Gerais, onde a riqueza da mineração financiava igrejas. Tudo indica que aprendeu desenho, arquitetura e escultura com o pai e com o pintor João Gomes Batista. Por ser filho de pai português e mãe escravizada, encontrou dificuldades para ser reconhecido no início do ofício. No começo dos anos 1770 já tinha uma equipe de artesãos e era chamado a dar pareceres sobre obras de igrejas. Mesmo depois da doença, continuou a trabalhar com auxiliares. No século XX, os modernistas o redescobriram, e sua obra e sua biografia ainda são objeto de controvérsia entre críticos e historiadores da arte.
Redescoberto pelos modernistas
Até o século XX, Aleijadinho era pouco celebrado. Em 1928, Mário de Andrade escreveu um texto sobre ele, vendo na obra uma invenção ligada à psicologia nacional, e a imagem do artista “mulato” foi valorizada por um movimento que queria pensar o Brasil mestiço.
Origem e formação
Antônio Francisco Lisboa nasceu em Vila Rica, filho do arquiteto português Manuel Francisco Lisboa e de uma mulher escravizada. O ano exato é incerto: acredita-se em cerca de 1738. A Itaú Cultural indica que tudo leva a crer que aprendeu as primeiras noções de arquitetura, desenho e escultura com o pai e com o pintor João Gomes Batista, e que estudou no seminário dos franciscanos donatos entre 1750 e 1759. Os primeiros trabalhos foram em igrejas de Ouro Preto e vizinhanças, como Mariana e São João del-Rei.
Ouro Preto e a oficina
Em 1766, Aleijadinho terminou parte da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, que a Itaú Cultural cita como uma de suas maiores produções e um dos maiores ícones do barroco brasileiro, com decoração de pedra e madeira, dourado, rocalhas e querubins. No começo dos anos 1770 já era reconhecido, tinha uma equipe de artesãos e era chamado para dar pareceres sobre obras de igrejas. Trabalhava sob encomenda de irmandades religiosas.
A doença e Congonhas
Em 1777, foi diagnosticado com uma doença grave que deformou seu corpo, sobretudo as mãos, e no início dos anos 1790 passou a ser chamado de Aleijadinho. Continuou a trabalhar com auxiliares. Em 1796 concluiu 64 esculturas de madeira da Paixão de Cristo, e entre 1796 e 1805, os doze profetas em pedra-sabão, no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas. A UNESCO descreve o conjunto como obra-prima de um barroco muito original, comovente e expressivo.
Fato, lenda e debate
A primeira biografia, de Rodrigo José Ferreira Bretas, é de 1858, 44 anos depois da morte do artista. Muitos detalhes que circulam hoje, como a história de ferramentas amarradas aos pulsos, são relatos de tradição sem documento citado. A classificação do estilo também é debatida: barroco tardio, rococó ou transição. No século XX, Mário de Andrade e outros modernistas o redescobriram como símbolo de uma arte brasileira, e crítica e historiografia continuam a discutir sua obra.
Como sabemos
Os marcos da obra (1766, 1796–1805, Congonhas) estão conferidos em Itaú Cultural e UNESCO, mas nascimento, detalhes da doença e lendas dependem de uma biografia póstuma e estão assinalados como incertos.
Em debate: O ano de nascimento é incerto, por falta de documentos: a Câmara dos Deputados fala em cerca de 1738, e a Enciclopédia Itaú Cultural usa 1738.
Em debate: Boa parte do que se conta sobre a vida de Aleijadinho tem origem na primeira biografia, publicada em 1858, 44 anos depois da morte; separar o documentado do que a tradição acrescentou é difícil. A história das ferramentas amarradas aos pulsos é registrada como relato, sem documento comprobatório nas fontes consultadas.
Em debate: O estilo de Aleijadinho é classificado de maneiras diferentes: barroco tardio, barroco mineiro, rococó, ou transição entre eles, com possíveis elementos do gótico tardio alemão.
- Estimativa: Antônio Francisco Lisboa nasceu em Vila Rica, atual Ouro Preto, por volta de 1738. [1] [2]
A Câmara dos Deputados diz que o ano exato é incerto, por falta de documento, e que se acredita em cerca de 1738; a Enciclopédia Itaú Cultural usa 1738. - Fato estabelecido: Era filho do arquiteto português Manuel Francisco Lisboa e de uma mulher escravizada, chamada Isabel segundo a Câmara dos Deputados. [1] [2]
- Fato estabelecido: Morreu em 1814 em Ouro Preto. [1]
- Interpretação: Provavelmente aprendeu as primeiras noções de arquitetura, desenho e escultura com o pai e com o pintor João Gomes Batista. [1] [2]
A Itaú Cultural diz que 'tudo indica' e a Câmara que 'historiadores especulam'; é inferência. - Fato estabelecido: Por ser filho bastardo de pai português e mãe escravizada, encontrou dificuldades para ser valorizado nos primeiros anos do ofício. [1]
- Fato estabelecido: Em 1766 terminou parte da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, considerada uma de suas maiores obras e um dos maiores ícones do barroco brasileiro. [1]
- Fato estabelecido: No início dos anos 1770 seu trabalho foi reconhecido e ele passou a ter uma equipe de artesãos, sendo contratado também para dar pareceres sobre obras de igrejas. [1]
- Fato estabelecido: Em 1777 foi diagnosticado com uma doença grave que deformou seus membros, principalmente as mãos, mas continuou a trabalhar com auxiliares; no início dos anos 1790 passou a ser chamado de Aleijadinho. [1] [2]
- Fato estabelecido: Em 1796 concluiu 64 esculturas de madeira com cenas da Paixão de Cristo em Congonhas do Campo. [1]
- Fato estabelecido: Entre 1796 e 1805 finalizou as 12 esculturas dos profetas, em pedra-sabão, no adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas. [1] [3]
- Fato estabelecido: O santuário de Congonhas foi construído na segunda metade do século XVIII e inclui uma igreja de interior rococó, uma escadaria com estátuas de profetas e sete capelas com esculturas policromadas da Paixão de Cristo, que a UNESCO atribui a Aleijadinho. [3]
- Fato estabelecido: A primeira biografia de Aleijadinho foi publicada em 1858, por Rodrigo José Ferreira Bretas, decorridos 44 anos da morte do artista. [4] [1]
- Incerto: Conta-se que Aleijadinho amarrava as ferramentas aos pulsos para terminar as encomendas. [2]
A Câmara dos Deputados registra a história como relato ('contam que'); não encontrei documento que a comprove. - Em debate: A classificação do estilo de Aleijadinho como barroco tardio, barroco mineiro ou rococó é controversa entre historiadores. [1]
A historiadora Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira o vê como rococó; outros o situam na transição entre os dois estilos e identificam elementos do gótico tardio alemão. - Fato estabelecido: No século XX, os modernistas o redescobriram; Mário de Andrade escreveu sobre ele em 1928. [1]
Fontes
- Enciclopédia Itaú Cultural — Aleijadinho
consultada em 04/10/2026 - Portal da Câmara dos Deputados — Conheça a história de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho
consultada em 04/10/2026 - UNESCO World Heritage Centre — Sanctuary of Bom Jesus do Congonhas
consultada em 04/10/2026 - Brasiliana Digital — Vida e obra de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho
consultada em 04/10/2026
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